113 cadeiras destruídas, 13 pias, 9 mictórios, 3 câmeras de segurança, 9 grades de alumínio e 9 torcedores presos. Esse é o inventário do que sobrou do Estádio Atanasio Girardot depois que os hinchas do Independiente Medellín decidiram transformar a quarta rodada da Copa Libertadores em um protesto contra o próprio clube — e o Flamengo acabou no meio do fogo cruzado.
O Atanasio Girardot não é estreia em palco de caos
Quem acompanha o futebol sul-americano há algum tempo não se surpreendeu com as imagens de quinta-feira (7/5). O Atanasio Girardot já foi cenário de episódios parecidos em edições anteriores da Libertadores — torcidas colombianas têm um histórico documentado de violência nas arquibancadas que a Conmebol nunca conseguiu resolver de forma definitiva. Em 2015 e 2016, jogos envolvendo clubes de Medellín e Bogotá já haviam registrado invasões de campo e arremesso de objetos. A diferença desta vez foi a escala do vandalismo e o fato de que o jogo precisou ser cancelado logo aos 2 minutos do primeiro tempo.
O estopim, segundo apuração local, foi a raiva acumulada contra Raúl Giraldo, acionista do clube. Depois de uma derrota para o Rionegro Águilas no Campeonato Colombiano, Giraldo foi filmado balançando notas de dinheiro na direção da torcida — uma provocação que os hinchas decidiram devolver com juros na noite de quinta. O problema é que quem pagou a conta foi o próprio estádio, o Flamengo e a integridade da competição.
O Flamengo aguarda W.O e o que a Conmebol deve decidir
Com o cancelamento da partida, o Flamengo permaneceu no vestiário aguardando autorização da Conmebol para deixar o local. O regulamento da competição é claro: a responsabilidade pela segurança do espetáculo é do time mandante. A expectativa do clube carioca é receber os três pontos sem que o jogo seja remarcado. A Conmebol ainda não emitiu comunicado oficial, mas a tendência — baseada em precedentes similares na própria Libertadores — é que o W.O seja aplicado ao Medellín.
"A segurança do espetáculo é uma responsabilidade do time mandante" — trecho do regulamento da Conmebol citado como base para a decisão esperada pelo Flamengo.
Diniz como escudo humano e o episódio com Hugo Souza em Bogotá
Enquanto o caos tomava conta de Medellín, a rodada reservou outro momento tenso em Bogotá. No jogo entre Santa Fé e Corinthians, Gustavo Henrique marcou nos acréscimos para empatar em 1 a 1 — e Hugo Souza, ex-Flamengo, comemorou o gol com intensidade. A reação irritou os jogadores colombianos, que partiram em direção ao goleiro assim que o árbitro apitou o final.

Fernando Diniz viu a confusão se formando como uma frente fria que se anuncia antes mesmo do trovão — e agiu rápido. O técnico corintiano caminhou até Hugo Souza e o escoltou pessoalmente até o vestiário, evitando que o episódio escalasse para algo mais grave. Foi uma leitura de jogo fora de campo tão importante quanto qualquer ajuste tático.
"Fernando Diniz evitou que Hugo Souza entrasse em confusão com os jogadores do Santa Fé ao escoltá-lo até o vestiário após o apito final" — relato publicado pela Coluna do Fla.
A Conmebol precisa de mais do que multas para resolver isso
O padrão se repete há anos: incidente grave, declaração de repúdio, multa aplicada ao clube mandante, e o ciclo recomeça na temporada seguinte. A entidade nunca implementou de forma consistente medidas como proibição de torcidas organizadas em jogos internacionais ou exigência de protocolos de segurança auditáveis antes de cada partida. Enquanto o modelo punitivo se limitar a cobrar reais e pesos, o custo do vandalismo continuará sendo menor do que o impacto que ele gera.
O Flamengo volta a campo neste domingo (10), contra o Grêmio, pela 15ª rodada do Brasileirão, às 19h30, em Porto Alegre. A decisão da Conmebol sobre os pontos do jogo cancelado deve sair nos próximos dias. A bola continua rolando — o estádio em Medellín, não.








