12 mil lugares. Essa é a distância entre o que a Corinthians oferece hoje na Neo Química Arena — cerca de 48 mil torcedores — e os 60 mil exigidos pela Fifa para sediar a abertura de uma Copa do Mundo. Um número que, nesta sexta-feira (15), transformou uma reunião no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo no centro das atenções do futebol feminino brasileiro.
Os 250 milhões que a prefeitura precisa encontrar até o dia 22
O projeto apresentado pelo Corinthians à prefeitura paulistana é tecnicamente viável: dois novos lances de arquibancadas fixas atrás dos gols, nos setores Norte e Sul, espelhando a solução provisória adotada durante a Copa do Mundo masculina de 2014, quando o estádio recebeu estruturas temporárias para ampliar a capacidade. O orçamento estimado é de R$ 250 milhões, e a intenção do poder público é cobrir esse custo integralmente com a iniciativa privada.

O problema é que o prazo para enviar o projeto à Fifa expira em 22 de maio — sete dias a partir de hoje. A prefeitura confirmou que já manifestou à entidade a intenção de receber a partida de abertura e que estuda "modelos de viabilização por meio de parcerias e patrocinadores privados, sem definição final até o momento". Nas conversas com o ge, há ceticismo explícito entre pessoas próximas às negociações sobre a viabilidade real dentro desse calendário.
As condições do Corinthians e o nó das arquibancadas tubulares
O clube da capital paulista aceitou o desafio, mas impôs duas condições inegociáveis ao poder público: custo zero para os cofres corintianos e arquibancadas fixas — não tubulares. Quando a prefeitura propôs o modelo tubular na reunião desta sexta-feira, com o presidente Osmar Stabile presente, o Corinthians recusou, argumentando que a estrutura geraria alto custo de manutenção no longo prazo. É uma posição defensável: clube com histórico de dívidas bilionárias não pode assumir passivos de infraestrutura sem contrapartida garantida.
O plano técnico indica que as obras não exigiriam a retirada dos jogos do Timão do estádio, embora os setores Norte e Sul sofram interferências pontuais durante a execução. Para um clube que usa a Neo Química Arena como fortaleza — o estádio abriu em 2014 e nunca cedeu seu mando de campo por obras estruturais —, essa garantia é o mínimo aceitável.
O Maracanã ainda joga na frente nessa disputa
Mesmo com todo o movimento paulistano, o Maracanã segue como favorito para receber tanto a abertura quanto a final da Copa do Mundo Feminina de 2027. O estádio carioca tem capacidade superior e histórico consolidado em grandes eventos da Fifa — foi palco da final masculina de 2014, quando a Alemanha venceu a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, e da final da Copa América de 2021. Concorrer com esse legado exige mais do que vontade política.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 acontece entre 24 de junho e 25 de julho, com 32 seleções e 64 partidas distribuídas por oito cidades brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador. São Paulo já está confirmada como sede independentemente da ampliação da arena. A questão agora é se a prefeitura consegue, em sete dias, transformar R$ 250 milhões em papel assinado — e convencer a Fifa de que a Neo Química Arena pode ser a parede de ferro onde a seleção brasileira estreia diante do mundo.









