13 gols. 26 jogos. Cinco Copas. Esses três números, registrados no histórico oficial da Copa do Mundo, colocam Lionel Messi empatado com Just Fontaine na quinta posição de todos os tempos — e ainda com uma Copa pela frente.

O que os dados revelam sobre Messi nas últimas edições

A trajetória de Messi em Mundiais não foi linear. Em 2010, passou em branco. Em 2018, marcou apenas uma vez. A curva virou em 2014, com quatro gols e a Argentina chegando à final, mas foi no Catar em 2022 que o número explodiu: sete gols em sete jogos, incluindo dois na final histórica contra a França — aquele 3 a 3 que o L'Équipe chamou de "lendária" antes mesmo de a prorrogação terminar.

O que mudou entre 2018 e 2022 não foi só a sorte. Foi o sistema ao redor dele.

  • xG acumulado em 2022: Messi terminou o torneio com xG próximo de 5.2, mas converteu 7 — ou seja, performou muito acima do esperado pelo modelo. Isso indica tomada de decisão de alto nível em posições de finalização.
  • PPDA da Argentina em 2022: a seleção trabalhou com um PPDA médio de 8.4 na fase de grupos, o que significa pressão moderada mas bem organizada — liberando Messi do desgaste defensivo que o prejudicou em edições anteriores.
  • Progressive passes recebidos: Messi foi o jogador que mais recebeu passes progressivos no torneio inteiro, com média de 6.1 por jogo, alimentado principalmente por De Paul e Mac Allister.

Esses três indicadores juntos contam uma história simples: a Argentina de Scaloni foi construída para que Messi gastasse energia finalizando, não correndo.

Seis Copas e um modelo tático que envelheceu junto com ele

Quando Messi estreou em 2006, aos 18 anos, a Argentina usava um 4-3-1-2 com o jovem entrando como substituto. Hoje, aos 38, a Albiceleste monta um 4-4-2 losango que coloca o camisa 10 no topo da estrutura ofensiva — protegido por três pivôs de recuperação.

A chave está no gerenciamento físico. Scaloni reduziu a participação de Messi nas ações defensivas para menos de 2 por jogo nos últimos amistosos de preparação. Para comparação, em 2014 ele registrava entre 4 e 5 defensive actions por partida, o que pesava no segundo tempo.

O diário argentino Olé, na cobertura do título de 2022, sintetizou o momento com a manchete direta:

"Somos campeões do mundo!"
Mas por trás da euforia havia uma engrenagem tática que fez Messi parecer mais jovem do que em 2018.

O AS espanhol foi além na análise do pós-título:

"Leo Messi conquista sua tão esperada Copa do Mundo, depois de muito sofrimento. O craque argentino foi claro, está nos últimos anos de carreira, mas já conquistou sua estrela."
Em 2026, a pergunta não é se ele ainda tem condições — é quantas estrelas a mais ele consegue adicionar.

O que Messi precisa para subir ainda mais no ranking histórico

Com 13 gols, Messi está empatado com Fontaine, que marcou todos os seus gols em apenas 6 jogos na Copa de 1958. Para ultrapassar Gerd Müller (14 gols) e chegar perto de Ronaldo Fenômeno (15), precisaria de pelo menos dois gols no torneio — algo que, dado o histórico recente, parece viável.

Kylian Mbappé, com 12 gols em 14 jogos, também está na briga pelo topo da lista histórica. Mas o francês tem mais Copas pela frente. Para Messi, esta é a última janela.

O contexto vai além dos números individuais. A Argentina defende o título de 2022 com um elenco que manteve boa parte da espinha dorsal — De Paul, Mac Allister, Otamendi — e isso importa para as métricas coletivas. Times que mantêm estrutura tática entre Copas tendem a apresentar melhor PPDA e mais passes progressivos nos primeiros jogos do torneio, antes dos adversários adaptarem as marcações.

38 anos, a sexta Copa e os números que ainda estão em aberto

Conforme registrado pelo SportNavo ao longo da preparação argentina para 2026, Messi chegou ao torneio com o menor índice de minutos acumulados em pré-temporada dos últimos quatro anos — uma escolha deliberada da comissão técnica do Inter Miami e da própria seleção para preservá-lo para o momento decisivo.

Os dados de xA — expected assists — também são reveladores. Em 2022, Messi terminou com xA de 3.8, mas gerou 3 assistências diretas. O número mostra que ele criou chances de qualidade consistente, não apenas flashes isolados.

  • Messi em 2022: 7 gols, 3 assistências, 7 jogos, xG ~5.2, xA ~3.8
  • Mbappé em 2022: 8 gols, 2 assistências, 7 jogos — mas com muito mais volume de corrida e pressing
  • Diferença de modelo: Messi opera com baixo volume físico e alta eficiência de decisão; Mbappé depende de aceleração e transições rápidas

Aos 38 anos, o modelo de Messi é, paradoxalmente, mais sustentável do que o de um atacante de velocidade. Leitura de jogo não envelhece. Posicionamento não envelhece. E é exatamente isso que a Argentina de Scaloni foi construída para explorar até o último apito.

13 gols. 26 jogos. Seis Copas. Esses três números, gravados agora no histórico oficial do torneio, colocam Lionel Messi entre os maiores de todos os tempos — e com uma Copa ainda para jogar.