Terça-feira, 20 de maio de 2026. O placar marcava 18 pontos de vantagem para o Pinheiros e o Ginásio Wlamir Marques já fervia com 8.171 pessoas — o maior público da história do basquete profissional do Corinthians desde o retorno da modalidade em 2018. O que aconteceu nos minutos seguintes foi a síntese de por que o NBB de 2026 está sendo diferente de tudo que veio antes.
A temporada que transformou o Wlamir Marques numa fortaleza
Para entender o que aconteceu no jogo 3, é preciso recuar alguns meses. O Corinthians encerrou a fase classificatória com uma das piores campanhas entre os oito classificados para os playoffs — exatamente o tipo de time que, em tese, deveria ser eliminado sem cerimônia pelas equipes de cima da tabela. Mas a estrutura do formato melhor de cinco jogos, combinada com a fator ginásio, reconfigurou completamente essa lógica.
No jogo 1, disputado no Poliesportivo Henrique Villaboim, o Pinheiros impôs sua qualidade técnica e venceu com autoridade: 95 a 65, diferença de 30 pontos que parecia anunciar uma série curta. O ginásio do Pinheiros tem capacidade que varia entre 850 e 1.000 pessoas — e mesmo assim 792 torcedores estiveram presentes, com a área visitante ocupada em boa parte pela torcida corintiana. Sinal do que estava por vir.
No jogo 2, a equação se inverteu. O Corinthians jogou em casa, venceu por 98 a 84 e empatou a série. Mas foi o jogo 3 que reescreveu o roteiro da semifinal — e colocou o NBB no mapa das grandes narrativas esportivas do ano.
18 pontos abaixo e 8.171 razões para não desistir
Pense numa orquestra que perde o maestro no meio da sinfonia e ainda assim termina a peça. Foi mais ou menos isso que o Corinthians fez no jogo 3: com o ataque travado, permitiu que o Pinheiros abrisse uma vantagem que, em qualquer análise fria, deveria ser incontornável. Mas a torcida não fez análise fria — ela empurrou.

O ala Cauê Borges foi direto ao ponto ao avaliar a partida:
"A gente tentou seguir o mesmo plano do jogo 2, mas acabou que não dava muito certo, e nós não conseguimos buscar outras alternativas. Isso aí fez com que eles abrissem muitos pontos, e depois para buscar é difícil. Até conseguimos forçar uma prorrogação, mas essa desvantagem em uma semifinal é muito difícil."
A prorrogação foi conquistada. A vitória, não — o Pinheiros fechou por 82 a 81 num final de infarto. Mas o número que ficou gravado foi outro: 8.171 pessoas, recorde absoluto do clube na era profissional, todas elas contribuindo para um ambiente que transformou um déficit de 18 pontos em disputa ponto a ponto nos minutos finais… e aí vem o problema para o Corinthians: a série agora é 2 a 1 para o Pinheiros, com os próximos jogos em território adversário.
O que os números de público revelam sobre o NBB atual
Na avaliação do SportNavo, o fenômeno de público desta semifinal não é isolado — é a continuação de uma curva que o basquete brasileiro vem construindo com consistência. Ainda na primeira edição do NBB, a Liga Nacional de Basquete já registrava média de 12.139 torcedores nos jogos da final, número que se aproximava da média do Brasileirão de Futebol na mesma época, fixada em 14.982 por partida segundo dados da CBF.
Em 2026, os playoffs confirmam essa tendência com força ainda maior. O Brasília quebrou o recorde de público da temporada nas quartas de final, reunindo 11.637 pessoas no Ginásio Nilson Nelson contra o Flamengo — e elevou a marca para 11.989 no jogo 3 da semifinal. O Franca, atual tetracampeão, também mobilizou mais de 3.000 torcedores no Pedrocão para o confronto contra o Brasília no jogo 1 de sua série. A conclusão é direta: em todos os jogos dos playoffs, os ginásios encheram, e o fator casa se tornou variável decisiva — as quatro equipes semifinalistas venceram pelo menos um jogo em seus domínios.
O presidente da LNB, Kouros Monadjemi, já havia diagnosticado esse fenômeno com precisão quando o NBB ainda engatinhava: "O basquete está enraizado no espírito brasileiro, o público conhece basquete e reconhece um bom espetáculo." O que se vê em 2026 é essa raiz produzindo frutos concretos e mensuráveis.
O jogo 4 acontece nesta terça-feira (26/05), às 20h30, no Poliesportivo Henrique Villaboim. Uma vitória do Pinheiros encerra a série e leva o clube à final. O Corinthians precisa vencer para forçar o jogo 5, marcado para quinta-feira (28/05) no mesmo ginásio, às 19h. O Wlamir Marques fez sua parte — agora o time precisa fazer a dele longe de casa.









