A palavra saiu ao vivo, sem rodeios, no programa Medio Tiempo da Win Sports. Fuad Char, acionista majoritário do Junior Barranquilla e ex-ministro de Desenvolvimento Econômico da Colômbia, disparou contra o principal nome da seleção colombiana a menos de duas semanas do início do Mundial: "Por que o James está na seleção? É um preguiçoso de m... Acho que ele não contribui com nada na seleção. Hoje, o futebol é muito físico, e ele não tem isso. Ele tem 35 anos e não gosta muito de trabalhar."
"Por que o James está na seleção? É um preguiçoso de m... Acho que ele não contribui com nada na seleção. Hoje, o futebol é muito físico, e ele não tem isso. Ele tem 35 anos e não gosta muito de trabalhar." — Fuad Char, ao programa Medio Tiempo, da Win Sports
Quem falou não é um comentarista qualquer. Char foi ministro durante o governo de Virgilio Barco, entre 1987 e 1988, e comanda um dos clubes mais tradicionais da Colômbia. Sua voz tem peso institucional — e é exatamente por isso que a declaração ecoa além dos limites de uma simples opinião futebolística.
A negociação frustrada que azedou tudo entre James e o Junior
A raiz do conflito remonta a janeiro de 2025, quando o Junior Barranquilla tentou contratar James Rodríguez para reforçar o elenco. A diretoria do clube chegou a buscar alternativas financeiras para arcar com os custos do camisa 10, mas o meio-campista optou por assinar com o León, do México. Char não escondeu que o episódio lhe deixou uma mágoa pessoal — e a declaração desta semana é, em parte, o desdobramento público desse ressentimento.

Depois da passagem pelo León em 2025, James chegou ao Minnesota United, da MLS, em fevereiro de 2026. Nos 10 jogos disputados nesta temporada pelo clube americano, o meia não marcou nenhum gol e registrou apenas duas assistências — números que, isolados do contexto, alimentam o argumento de Char. A questão é que números de temporada regular na MLS raramente traduzem o impacto de um jogador em torneios de curta duração, onde James historicamente se destaca.
Há um paralelo inevitável com o personagem de Harvey Specter em Suits: o tipo de profissional que performa abaixo do esperado no dia a dia, mas que você não quer do outro lado quando o jogo é de verdade. A analogia não resolve o debate, mas ajuda a entender por que o técnico Néstor Lorenzo manteve James na convocação mesmo diante do desempenho discreto no clube.
O que os números e o amistoso contra a Costa Rica dizem sobre o papel de James
Na última segunda-feira, 2 de junho, a Colômbia estreou nos amistosos preparatórios para a Copa e venceu a Costa Rica por 3 a 1, em Bogotá. James começou no banco de reservas — uma decisão tática de Lorenzo que, por si só, já responde parte das críticas de Char. O meia entrou no segundo tempo e deu a assistência para o gol de Luis Suárez, que fechou o placar.
O episódio resume o dilema colombiano: James não é mais um titular incontestável, mas segue sendo um recurso diferenciado quando o jogo precisa de outro ritmo. Aos 35 anos, ele disputará sua terceira Copa do Mundo com a seleção — esteve em 2014, quando foi artilheiro e melhor jogador do torneio com seis gols e um prêmio da FIFA, e em 2018; em 2022, a Colômbia não se classificou. A memória de 2014 é um ativo que nenhuma crítica de dirigente apaga.
A Colômbia está no Grupo K do Mundial, ao lado de Portugal, Uzbequistão e República Democrática do Congo. O grupo exige rendimento coletivo sólido — e a presença de Portugal, com Cristiano Ronaldo, torna qualquer desequilíbrio interno colombiano potencialmente fatal. Um vestiário rachado por polêmicas externas é o último cenário que Lorenzo precisa.
Quanto uma rixa pública pesa no ambiente de uma seleção às vésperas de uma Copa
O histórico do futebol sul-americano é farto em exemplos de como declarações de dirigentes contaminam vestiários em véspera de grandes torneios. A diferença aqui é que Char não faz parte da estrutura da Federação Colombiana de Futebol — sua influência é indireta, mas sua visibilidade é alta o suficiente para que a polêmica domine a pauta nos dias de preparação.
Lorenzo terá de administrar o ruído. O próximo amistoso preparatório está marcado para domingo, dia 7 de junho, contra a Jordânia. Será a última oportunidade de ajustar detalhes táticos e, provavelmente, de reafirmar publicamente o papel de James no grupo — seja como titular, seja como peça de impacto saindo do banco, como fez contra a Costa Rica.
A resposta de James às críticas de Char dificilmente virá em entrevista coletiva. Ela virá, se vier, em campo — e a Colômbia tem exatamente 35 dias para descobrir se o homem que marcou seis gols na Copa de 2014 ainda guarda algo daquele jogador dentro de si.











