Quando os torcedores da organizada Independente cercaram Harry Massis na entrada do CT da Barra Funda nesta segunda-feira, um nome ecoava como alvo principal das críticas: Rui Costa. O diretor executivo de futebol do São Paulo, mesmo com o time ocupando a quarta posição no Brasileirão aos 20 pontos, tornou-se o foco da revolta tricolor. Mas a pressão sobre o dirigente português revela um padrão histórico preocupante no Morumbi – desde 2010, nenhum diretor de futebol conseguiu completar dois anos consecutivos no cargo.
O carrossel de nomes que passaram pelo Morumbi
A instabilidade na gestão esportiva do São Paulo começou a se intensificar após a saída de Marco Aurélio Cunha, que comandou o futebol entre 2008 e 2010. Desde então, o clube teve 12 diferentes executivos responsáveis pela pasta, com permanência média de apenas 14 meses. Carlos Belmonte detém o recorde negativo: apenas quatro meses no cargo, entre agosto e dezembro de 2019.
Alexandre Pássaro, que assumiu em duas ocasiões diferentes (2011-2012 e 2014-2015), somou 18 meses de trabalho, mas em períodos distintos. Já Raí, maior ídolo da história recente do clube, resistiu 16 meses entre 2017 e 2018, período que incluiu o rebaixamento à Série B – trauma que ainda assombra o Tripaulino. Anderson Barros, ex-Palmeiras, durou exatos 12 meses entre 2020 e 2021.
Segundo levantamento do SportNavo, apenas três diretores ultrapassaram a marca de 18 meses no cargo: Alexandre Pássaro (somando os dois períodos), Edu Gaspar (19 meses entre 2012-2013) e o próprio Rui Costa, que completa 22 meses à frente da pasta em dezembro. O português chegou ao Morumbi em fevereiro de 2023, contratado diretamente pelo presidente Julio Casares após passagem vitoriosa pelo Benfica.
Padrões de instabilidade refletidos nos gramados
A rotatividade na diretoria espelha-se nos resultados em campo. Nos últimos oito jogos sob a gestão de Rui Costa, o São Paulo venceu apenas três partidas, empatou uma e perdeu quatro – aproveitamento de 41,6%. O desempenho irregular motivou a manifestação desta segunda-feira, quando torcedores pouparam o técnico Roger Machado das críticas.
"O técnico é ruim? É um coitado. Sabe por que vai ser mandado embora, como foi o Crespo? Porque esses caras não têm vergonha na cara e o seu Rui Costa também. Já deu, tem que mandar embora o Rui Costa", declarou um dos líderes da organizada durante o protesto.
A defesa do treinador marca uma mudança de postura da torcida organizada. Tradicionalmente, técnicos eram os primeiros alvos em momentos de crise. Rogério Ceni (demitido duas vezes), Hernán Crespo, Thiago Carpini e Pablo Maffeo pagaram o preço por campanhas irregulares nos últimos três anos. Agora, Roger Machado, que assumiu há apenas dois meses, recebe apoio popular enquanto a pressão recai sobre a estrutura dirigente.

O cargo mais perigoso do futebol paulista
Estatisticamente, ser diretor de futebol no São Paulo tornou-se mais arriscado que ser técnico. Enquanto a permanência média dos treinadores no período pós-2010 foi de 8,3 meses, os executivos duraram 14 meses – diferença explicada pelo tempo necessário para mudanças estruturais. Porém, a pressão sobre ambos os cargos intensificou-se após 2017, ano do rebaixamento que dividiu a história recente do clube.
Rui Costa chegou ao Morumbi com credenciais sólidas: campeão português pelo Benfica em 2022-23 e experiência em mercado europeu. Contratou nomes como Arboleda, Wellington Rato e Andre Silva, além de manter Calleri e Pablo Maia. Porém, a irregularidade persiste, e o português já se aproxima do limite histórico de permanência no cargo – marca que poucos antecessores conseguiram superar.
"Presidente, faz um favor, manda o Rui embora. É fácil mandar o técnico embora agora. Roger não tem nada a ver com isso e 99% do torcedor está condenando o cara", bradou outro manifestante durante a conversa com Harry Massis.
O São Paulo volta a campo na quinta-feira, contra o Grêmio, no Morumbi, pela 12ª rodada do Brasileirão. Uma derrota pode intensificar ainda mais a pressão sobre Rui Costa, que luta para quebrar o ciclo de instabilidade que assombra a diretoria tricolor há mais de uma década.








