R$ 21 milhões por ano. É o que o Corinthians recebe da Hypera Pharma pelo nome Neo Química estampado no maior estádio da Zona Leste de São Paulo. Parece muito. Para o clube, não é nem a metade do que o espaço realmente vale.

O valuation que mudou a conversa em Itaquera

Depois de realizar um estudo formal de valoração do ativo, o Corinthians chegou a uma conclusão direta: a arena vale pelo menos o dobro dos R$ 21 milhões anuais que recebe hoje. O número mínimo que o clube considera justo gira em torno de R$ 42 milhões ao ano — e a referência do mercado reforça esse raciocínio.

O Palmeiras fechou a troca do nome do Allianz Parque pelo Nubank Parque em cerca de R$ 52 milhões anuais. Os dois contratos tinham estruturas parecidas. Isso coloca a Arena de Itaquera na mesma faixa de precificação — e dá munição ao Corinthians para pedir mais na negociação com a Caixa Econômica Federal.

A CNN Brasil apurou que as conversas entre clube e banco estatal avançam em bom ritmo. A expectativa é que o anúncio ocorra logo após a Copa do Mundo, encerrada em 19 de julho.

A dívida de R$ 660 milhões que transforma o naming rights em prioridade

O Corinthians deve aproximadamente R$ 660 milhões à Caixa Econômica Federal — um passivo que pesa nas negociações e, ao mesmo tempo, explica o interesse do banco em entrar nesse acordo. Ter o nome de um produto institucional estampado no estádio mais icônico da Zona Leste de São Paulo tem valor de imagem difícil de precificar só em reais por ano.

Uma das ideias estudadas pela CEF é utilizar o nome de algum produto próprio no estádio. No início das conversas, ainda na gestão de Osmar Stabile, a opção mais forte era uma casa de apostas que seria lançada pelo banco — projeto suspenso após pressão do governo federal. O caminho agora aponta para outra frente de produto da instituição.

Para viabilizar a saída da Hypera, o Corinthians precisa pagar uma multa rescisória que caiu para cerca de R$ 50 milhões no segundo semestre de 2025. Um novo contrato com a Caixa acima de R$ 42 milhões ao ano amortiza esse custo em menos de dois anos.

Neo Química sai de campo com ação viral — e um recado sutil

Enquanto a negociação corre nos bastidores, a Hypera Pharma aproveitou o jogo entre Corinthians e Barra, pela Copa do Brasil em 14 de maio, para lançar uma das ativações mais comentadas da temporada nas redes sociais. Os jogadores entraram em campo com apelidos nas camisas no lugar dos nomes oficiais — Yuri Alberto virou Gusmãozin, Matheus Bidu entrou como Menino Maluquinho, Raniele apareceu como Rani.

A campanha se chama "O nome pode mudar, a confiança não. Genérico é Neo Química." e foi criada para o Dia do Medicamento Genérico, comemorado em 20 de maio. O paralelo com o universo farmacêutico é direto: assim como o genérico mantém a eficácia do remédio de referência, o jogador continua sendo o mesmo independentemente do nome no uniforme.

"Genérico é sinônimo de confiança. Estamos falando de medicamentos que passam pelos mesmos padrões rigorosos de qualidade, segurança e eficácia dos de referência. O que muda é o nome", afirmou Jeandré Cohen, diretor executivo da unidade de negócios de similares e genéricos da Hypera Pharma.

O engajamento foi imediato. O Twitter oficial do Corinthians postou a escalação com os apelidos e o post viralizou antes mesmo da bola rolar. A ação gerou cobertura espontânea em portais de marketing, jornalismo esportivo e até perfis de saúde — um alcance multiplataforma que dificilmente seria comprado com mídia paga.

"A ideia parte de um paralelo direto com o universo dos genéricos. Ao trocar os nomes dos jogadores por apelidos, mostramos de forma simples e culturalmente relevante que o nome pode mudar, mas a essência permanece", explicou Pedro Calamita, diretor de estratégia e comunicação de marcas da agência interna da Hypera Pharma.

A leitura do SportNavo é que a ação funciona também como despedida com estilo. A Hypera sabe que o contrato pode acabar. Sair com uma campanha premiável e alto recall de marca é a melhor forma de proteger o investimento já feito — independentemente do nome que vier a ocupar a fachada do estádio.

O Corinthians volta a campo pela Copa do Brasil com o naming rights em aberto, a negociação com a Caixa no radar e uma conta de R$ 50 milhões de multa rescisória na mesa. Se o acordo com o banco estatal for anunciado em agosto, como prevê o calendário interno do clube, a Arena de Itaquera estreia novo nome antes do fim do Brasileirão 2026.

Qual produto da Caixa Econômica Federal você acha que vai dar nome ao estádio do Corinthians — e quanto tempo leva até a torcida adotar o novo apelido no dia a dia?