Não foi uma tragédia anunciada por conflito ou rivalidade. Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, 28 anos, designer de sobrancelhas e mãe de duas meninas de quatro e seis anos, estava simplesmente sentada no banco de trás de um carro de aplicativo quando um tiro disparado por um policial civil a atingiu — e encerrou tudo que ela havia planejado para os dias seguintes: a festinha do Dia das Mães na escola das filhas e o aniversário da caçula, que completaria anos no sábado (9).
O tiro que veio de uma briga de trânsito no Rio
O crime aconteceu na quinta-feira (7) no Rio de Janeiro. O motorista do carro de aplicativo realizou uma manobra na via, o que irritou o condutor do veículo ao lado — identificado como um policial civil. Sem que houvesse qualquer troca de palavras com a passageira, o suspeito efetuou disparos contra o carro. Um dos tiros atingiu Thamires, que não resistiu. O policial civil foi preso temporariamente e afastado de suas funções. O corpo de Thamires foi sepultado neste sábado (9) no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio.
A sequência dos fatos foi detalhada por familiares e confirmada por diferentes apurações: não houve discussão prévia envolvendo a vítima. Thamires era passageira, alheia ao atrito entre os motoristas, e foi atingida de forma aleatória pelo disparo.
O desabafo de Isa Pereira nas redes sociais
Isa Pereira, fisiculturista e campeã do Miss Olympia na categoria Wellness em 2024 — maior competição internacional de fisiculturismo feminino profissional do mundo —, publicou um vídeo em seu perfil no Instagram ainda na quinta-feira para comunicar a perda e denunciar o crime. Com voz embargada, ela descreveu o estado emocional da família.
"Por aqui estamos passando por um momento muito difícil na minha família. Hoje nós tivemos a notícia que uma prima minha, muito próxima, foi morta de forma brutal", declarou a atleta.
Isa também narrou a sequência do crime com precisão: "O motorista foi fazer uma manobra na pista e um policial, que estava dentro de um outro carro, não gostou e simplesmente atirou no carro. Esse tiro pegou na minha prima e, infelizmente, ela não resistiu." A atleta fez questão de reforçar que Thamires não tinha qualquer envolvimento na discussão entre os condutores.
"Não houve discussão, não houve briga. Minha prima, coitada, era passageira, não tinha nada a ver. Mas o motorista também não fez nada, só realizou a manobra na pista e o assassino não gostou e atirou", completou Isa.
A indignação contra a figura do suspeito
O fato de o suspeito ser um agente de segurança pública amplificou a revolta de Isa Pereira. A campeã do Miss Olympia apontou a contradição diretamente: "E o pior: vindo de uma pessoa que na teoria deveria nos proteger." A frase sintetiza o sentimento expressado pela família e repercutido amplamente nas redes sociais após a publicação do vídeo.
Segundo apuração do SportNavo a partir das fontes disponíveis, o policial civil foi preso em caráter temporário após o crime. A investigação segue em andamento, e a família de Thamires cobra que o caso não fique impune. Isa publicou também uma foto ao lado da prima na infância com a legenda: "Pra sempre a nossa Tata. Descanse em paz."

Duas filhas, dois aniversários interrompidos e um cenário de impunidade
A dimensão da perda vai além do luto imediato. Thamires deixa duas filhas — uma de quatro anos e outra de seis — que no dia do crime aguardavam a mãe para a festinha do Dia das Mães na escola. No dia seguinte, a caçula completaria quatro anos. Nenhum dos dois momentos aconteceu com a presença de Thamires.
Isa Pereira conectou o crime a um problema estrutural quando afirmou que tudo "foi interrompido devido à maldade do ser humano e à certeza de impunidade" — uma leitura que ressoa no contexto de violência no trânsito carioca e nos dados sobre crimes cometidos por agentes de segurança no estado do Rio de Janeiro, onde registros de letalidade policial figuram entre os mais altos do país há anos consecutivos.
O velório de Thamires reuniu familiares e amigos neste sábado (9). O processo judicial contra o policial civil suspeito ainda está em fase inicial, com a prisão temporária em vigor enquanto as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro avançam para determinar a dinâmica exata do crime e os próximos passos da ação penal.
Na foto que Isa escolheu para a homenagem, as duas primas aparecem crianças — sorridentes, ombro a ombro, sem saber o que o futuro reservaria para cada uma delas.








