O Flamengo já garantiu a classificação para as oitavas da Libertadores antes mesmo de a bola rolar no Atanasio Girardot? A pergunta circula nos grupos de WhatsApp da Nação desde que a Conmebol, quase em silêncio administrativo, alterou o critério de desempate da competição. A resposta não é simples — mas está muito perto de ser sim.
Medellín, terça-feira à noite. A delegação rubro-negra desembarcou na Colômbia com o peso de um elenco remendado: sem Leonardo Jardim na beira do campo (expulso no empate com o Estudiantes), sem Arrascaeta, sem Paquetá, sem Pulgar. Quatro ausências de peso para um jogo que, matematicamente, pode ser apenas uma formalidade. No hotel, o colombiano Jorge Carrascal foi recebido como filho pródigo — tirou fotos, assinou camisas, sorriu para câmeras. Para ele, jogar contra o Medellín é quase um jogo em casa. Para o Flamengo, é uma chance de fechar o caixão antes do velório.
O novo critério que reescreveu a tabela do Grupo A
A Conmebol decidiu que, em caso de empate em pontos, o primeiro critério de desempate passa a ser o maior número de pontos obtidos nos confrontos diretos. Parece técnico. Parece burocrático. Mas para o Flamengo, é ouro puro. No Maracanã, na segunda rodada, o Rubro-Negro goleou o Independiente Medellín por 4 a 1 — gols de Paquetá, Bruno Henrique, Arrascaeta e Pedro. Aquele resultado, que parecia apenas mais um dado de arquivo, agora é uma muralha regulamentar.
Com 7 pontos e liderança do Grupo A, o Flamengo enfrenta os colombianos, que somam 4. Uma vitória rubro-negra nesta quinta (7/5) empurra o Medellín para 6 pontos de distância. Mesmo que os colombianos vençam as duas rodadas restantes e cheguem a 10 pontos, o Flamengo — com a vitória desta quinta — também chegaria a 10. Aí entra o novo critério: no confronto direto, o Flamengo já venceu por 4 a 1 e, com mais uma vitória, acumularia 6 pontos contra 0 do adversário. Não há tragédia: há contabilidade.
O SportNavo verificou os cenários possíveis e identificou que, mesmo em caso de derrota por até três gols de diferença nesta quinta, o Flamengo manteria a vantagem no critério de confronto direto. Apenas uma derrota por quatro gols ou mais mudaria o quadro — o que, dada a crise interna do Medellín, pertence ao campo da ficção científica.

Medellín em colapso e o Flamengo sem três titulares
O Independiente Medellín chega ao Atanasio Girardot em frangalhos. O técnico Alejandro Restrepo foi demitido em 21 de abril, incapaz de suportar a pressão após a goleada sofrida no Maracanã. O substituto Juan Botero até venceu o Cusco (PER) para respirar na Libertadores, mas perdeu em casa para o Rionegro e deu adeus ao Campeonato Colombiano. O acionista Raúl Giraldo se afastou do clube. Os desfalques Mantilla e Larrosa seguem no departamento médico.
O Flamengo, apesar das ausências, escala time com qualidade para decidir o jogo. José Barros, auxiliar que assume o comando no lugar do suspenso Leonardo Jardim, deve mandar a campo Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Evertton Araújo, Jorginho e De la Cruz; Plata, Pedro e Samuel Lino. Carrascal entra como opção no banco — sua suspensão, vale lembrar, vale apenas para o Brasileirão. A bola rola às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão pela ESPN e Disney+.
Arrascaeta, o camisa 10, acompanha tudo à distância. Na quarta-feira (6/5), o uruguaio publicou fotos pedalando na bicicleta ergométrica e fazendo fisioterapia no CT George Helal, ao lado do fisioterapeuta Márcio Puglia — seis dias após a cirurgia na clavícula direita, realizada em 30 de abril. A lesão sofrida justamente contra o Estudiantes, na semana passada, coloca em xeque sua presença na Copa do Mundo: restam cerca de 40 dias para o início do torneio, e o prazo de recuperação varia entre 6 e 12 semanas.
"Arrasca utilizou as redes sociais para atualizar a torcida, preocupada com a ausência do craque", informou o portal Terra, descrevendo a movimentação do meia no Ninho do Urubu.
O que muda no mapa da Libertadores se o Flamengo vencer nesta quinta
Uma vitória no Atanasio Girardot significa classificação antecipada às oitavas de final — a nona consecutiva do clube. O contraste com 2025 é revelador: naquele ano, o Flamengo comandado por Filipe Luís avançou apenas na última rodada, ao vencer o Deportivo Táchira por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Léo Pereira em jogo de alta tensão. Agora, a matemática e o regulamento trabalham juntos para encerrar o assunto mais cedo.
Se o Flamengo tropeçar — empate exige vitória sobre o Estudiantes em 20 de maio, no Maracanã; derrota pode arrastar a decisão até a última rodada — o cenário se complica, mas não desmorona. A vantagem no confronto direto permanece como escudo, desde que a derrota não ultrapasse três gols de diferença. A equipe que sair de Medellín com os três pontos, porém, entra no mês de maio com a cabeça mais leve para o Brasileirão e com a Libertadores resolvida antes do prazo.
"Com a mudança da Conmebol nos critérios de desempate, o adversário não conseguiria mais alcançar os brasileiros", analisou o Lance!, descrevendo o impacto direto do novo regulamento sobre o Grupo A.
O Flamengo joga nesta quinta-feira (7/5), às 21h30, no Estádio Atanasio Girardot, em Medellín. Vitória classifica. A conta já está feita.








