Diz-se que a formação europeia é o único caminho para se chegar ao topo do futebol mundial. Vinicius Junior, classificado como o jogador mais valioso do planeta pelo Observatório do Futebol CIES, é a refutação mais eloquente dessa tese — e o motivo pelo qual ele chegou até aqui começa com uma ligação telefônica recusada em fevereiro de 2017.

A ligação que o Liverpool fez antes do mundo saber quem era Vini

Frederico Pena, CEO da agência TFM e representante do jogador à época, recebeu o contato de um scout do Liverpool com uma pergunta direta: "Você acha que o Flamengo venderia o Vinicius Junior agora por 20 milhões de euros?". Vinicius tinha 16 anos, ainda não havia estreado como profissional e acabava de disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior — a Copinha — pelo rubro-negro carioca, onde começou como reserva e conquistou a titularidade ao longo do torneio.

A ligação que o Liverpool fez antes do mundo saber quem era Vini A recusa de 20
A ligação que o Liverpool fez antes do mundo saber quem era Vini A recusa de 20
"Te pergunto isso, Fred, porque acho que, depois do Sul-Americano, o Flamengo não vai vender o Vinicius por dinheiro nenhum no mundo."

A premonição do scout inglês se confirmou com precisão matemática. No Sul-Americano Sub-17 de 2017, Vinicius foi campeão, artilheiro e eleito o melhor jogador do torneio. Dois meses depois, o Real Madrid pagou 45 milhões de euros para acionar a multa rescisória do jovem — mais do que o dobro do que o Liverpool estava disposto a oferecer — garantindo seus direitos mesmo que ele só viajasse para a Espanha um ano e dois meses depois.

O futebol global como palco para quem veio do Flamengo

No contexto da temporada 2025/2026 europeia, o atacante brasileiro acumula participações decisivas pelo Real Madrid em La Liga e na Champions League, consolidando números que sustentam a avaliação do CIES. O observatório, referência internacional em dados de transferências e valorizações, considera variáveis como desempenho estatístico, idade, contrato vigente e mercado potencial — e Vinicius reúne todos esses fatores em patamares que nenhum outro jogador no mundo atinge simultaneamente neste momento.

Quem não tem cão caça com gato — e o Flamengo, que não tinha os recursos dos grandes clubes europeus para manter seus talentos na formação, construiu em Vinicius um dos maiores ativos da história do futebol brasileiro justamente ao investir no processo, não no resultado imediato. A base do Ninho do Urubu entregou ao mercado um jogador que valeria, aos 16 anos, mais do que a maioria dos elencos completos da Série A brasileira da época.

Quando marca de longe, ele muda partidas. Quando dribla na área, ele muda campeonatos

Quando marca de longe, ele força adversários a compactarem linhas e abre espaços para Bellingham, Rodrygo e companhia. Quando dribla na área, ele arrasta defesas inteiras e cria superioridades numéricas que desequilibram até esquemas táticos bem organizados. Essa dualidade funcional — capaz tanto de ser elemento de criação quanto de finalização — é o que diferencia Vinicius de atacantes de elite que dependem de um único padrão de jogo para serem efetivos.

O CIES leva em conta justamente essa versatilidade ao calcular o valor de mercado. Jogadores com múltiplas funções táticas têm maior liquidez no mercado de transferências — o que significa que, em tese, qualquer clube do planeta pagaria pelo brasileiro sem hesitar, desde que o Real Madrid sinalizasse disposição para negociar. Não há sinal nenhum disso.

Vini, não mais Malvadeza — a construção de um novo protagonismo

A mudança de identidade pública não é cosmética. Segundo informações da reportagem original do UOL, o atacante tem trabalhado para deixar o apelido "Malvadeza" — que carregou desde os tempos de Flamengo — restrito ao Brasil, adotando "Vini" como marca global. A transição reflete uma maturidade que vai além do campo: aos 24 anos em 2026, ele assume o protagonismo de uma geração brasileira que inclui Endrick, Rodrygo e Estêvão, mas que tem nele seu ponto de referência mais consolidado.

A valorização reconhecida pelo CIES chega em um momento em que o Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2026, e Vinicius será peça central da Seleção Brasileira no torneio que acontece nos Estados Unidos, Canadá e México. A combinação de ápice individual de valor de mercado com o maior evento do futebol mundial no horizonte imediato posiciona o atacante do Real Madrid como o ativo mais relevante do esporte global neste ciclo — um percurso que começou quando um scout do Liverpool ligou para um agente e ouviu que o Flamengo não venderia aquele garoto de 16 anos por nenhum valor do mundo.