A última vez que o Tottenham Hotspur disputou a segunda divisão inglesa foi na temporada 1977/78 — quando a Premier League ainda nem havia sido criada e o futebol inglês se chamava First Division. Quase 50 anos depois, o clube londrino se encontra na 17ª posição com 37 pontos, a apenas um ponto da zona de rebaixamento, e recebe o Leeds United na tarde desta segunda-feira, 11 de maio, no Tottenham Hotspur Stadium, em partida válida pela 36ª rodada do campeonato.
O momento em que os Spurs pararam de cair
Há uma diferença entre estar em crise e estar à beira do colapso. O Tottenham chegou a ambos os estágios nesta temporada 2025/26. Após uma sequência de resultados que custou o emprego do técnico anterior, Roberto De Zerbi assumiu o comando e conseguiu dois triunfos consecutivos: 1-0 sobre o Wolverhampton em Molineux e 2-1 sobre o Aston Villa em Villa Park — ambos fora de casa, o que torna a recuperação ainda mais significativa taticamente. A vitória sobre o Villa ganhou contorno extra com a derrota do West Ham para o Arsenal, que aliviou a pressão sobre os Spurs na tabela.
Contra o Leeds, a equipe da casa chegou ao intervalo com 0 a 0, mas com domínio claro de posse: 68% contra 32% dos visitantes. Rodrigo Bentancur e Conor Gallagher foram os mais ativos na criação, com Richarlison desperdiçando a melhor chance ao perder no corpo para Joe Rodon na entrada da área. O controle do jogo existia; a eficiência, ainda não.
O Leeds que veio para cumprir tabela — e o perigo disso
O adversário desta tarde chega em situação radicalmente diferente. Na 14ª posição com 43 pontos — segundo dados do Sofascore, o Leeds subiu duas posições em relação ao início da semana —, o clube de Yorkshire está matematicamente livre do rebaixamento e vem de vitória por 3-1 sobre o Burnley. Sem nada a perder, o Leeds adotou postura recuada desde o apito inicial, deixando o Tottenham com a bola e apostando no contra-ataque. Esse tipo de adversário, paradoxalmente, pode ser o mais perigoso: um time solto, sem pressão, que joga no erro do outro.
- Tottenham — 17º lugar, 37 pontos, 2 vitórias consecutivas
- Leeds United — 14º lugar, 43 pontos, livre do rebaixamento
- Rodadas restantes — 3 (incluindo esta)
- Árbitro da partida — Jarred Gillet
O efeito cascata nas rodadas finais da Premier League
Uma vitória do Tottenham hoje não resolve o problema, mas reorganiza o cenário das últimas duas rodadas de forma concreta. Com 40 pontos, os Spurs chegariam à 37ª rodada com margem para errar uma vez — algo que hoje não têm. A derrota do West Ham no sábado para o Arsenal reduziu a diferença entre os dois rivais londrinos para dois pontos, o que significa que qualquer tropeço dos Spurs pode ser imediatamente capitalizado pelos Hammers.
Do ponto de vista tático, De Zerbi precisa resolver uma equação específica: o Tottenham domina a posse — 68% no primeiro tempo contra o Leeds — mas converte mal. Richarlison, que desperdiçou a melhor oportunidade da primeira etapa, é o centroavante titular num momento em que o clube não pode se dar ao luxo de desperdiçar chances. James Justin, lateral do Leeds, deixou o campo com dores ainda no primeiro tempo, o que pode alterar a dinâmica defensiva dos visitantes na segunda etapa.
O que De Zerbi ainda precisa ajustar
A identidade tática do treinador italiano é clara: pressão alta, saída de bola pelo chão e criação por dentro. Contra o Leeds, essa proposta funcionou em termos de controle, mas a falta de profundidade nas finalizações — o placar marcava 0-0 no intervalo apesar da superioridade — expõe um problema que não é novo nesta temporada. Desde que assumiu, De Zerbi ainda não venceu em casa, e o Tottenham Hotspur Stadium, que deveria ser fortaleza, tornou-se palco de ansiedade coletiva.

É o mesmo cenário que o Leicester City viveu em 2022/23 — domínio de jogo sem eficiência, pressão crescente da torcida e calendário implacável nas rodadas finais — só que agora a aposta é diferente: os Spurs têm um técnico com histórico comprovado de resgates táticos, e as próximas 270 minutos de futebol vão definir se esse histórico se repete em Londres.








