Carlo Ancelotti foi direto ao ponto quando questionado sobre Neymar em entrevista ao jornal francês L'Équipe, publicada em 24 de março: "Vou convocar os jogadores que estiverem fisicamente aptos." A frase, aparentemente simples, carrega o peso de uma decisão que pode definir o perfil da seleção brasileira na Copa do Mundo. Com a lista final prevista para o dia 18 de maio, o atacante do Santos vive uma corrida contra o próprio histórico de lesões.

O que Ancelotti disse sobre o estado de Neymar

Na mesma entrevista ao veículo europeu, Ancelotti reconheceu evolução no jogador, mas condicionou tudo à continuidade da recuperação.

"Depois da lesão no joelho, Neymar teve uma ótima recuperação, está marcando gols. Ele precisa continuar nessa direção e melhorar seu condicionamento físico. Ele está no caminho certo", afirmou o treinador.
O entrevero é que, em 2026, Neymar entrou em campo apenas seis vezes pelo Santos, enfrentando adversários abaixo do nível exigido para validar qualquer avaliação criteriosa de desempenho.

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Os dados da última temporada dão dimensão do problema físico: em 28 duelos disputados pelo Peixe, o atacante de 33 anos registrou 11 gols e 4 assistências — números razoáveis no papel, mas obtidos em um contexto de uso restrito e adversários de menor qualidade técnica. Para um jogador que se candidata a ser titular na Copa do Mundo, o volume de minutos jogados e a intensidade das partidas ficam muito aquém do que Ancelotti historicamente exige de seus convocados.

Neymar pediu ajuda publicamente — e a CBF se esquivou

No sábado, dia 20 de março, durante o show Tardezinha, em São Paulo, Neymar subiu ao palco ao lado do cantor Thiaguinho e mandou um recado ao vivo para o treinador:

"Nós vamos fazer o impossível para trazer a Copa para o Brasil. Em julho, vocês podem me cobrar. Alô, Ancelotti, ajuda 'nóis'", disse o atacante, em transmissão ao vivo.
O episódio repercutiu e forçou o presidente da CBF, Samir Xaud, a se pronunciar horas depois, em entrevista à TV Globo.

Xaud foi preciso ao delimitar responsabilidades:

"Isso é uma coisa da comissão técnica. Eu não interfiro, é 100% de autonomia para o Ancelotti. O que a gente espera é ter os melhores jogadores e mais preparados para trazer o tão sonhado Hexa"
, declarou o dirigente. A posição do presidente é coerente com o discurso adotado antes do amistoso contra a França, em 26 de março, quando Xaud já havia dito que só fica sabendo dos convocados minutos antes do anúncio oficial.

CBF renova com Ancelotti até 2030 e aposta no projeto longo

Enquanto o debate sobre Neymar domina as manchetes, a CBF avança em um movimento estrutural: a renovação do contrato de Ancelotti, que atualmente vai até a Copa de 2026, para um novo vínculo até 2030. Segundo Xaud, faltam apenas ajustes burocráticos e jurídicos para a assinatura.

"A gente acredita que um ano é muito pouco para desenvolver um trabalho que deixe frutos e resultados", explicou o presidente, em declaração na sede da entidade no Rio de Janeiro.

O salário atual de Ancelotti já é o maior entre técnicos de seleções no mundo — 10 milhões de euros por ano, equivalente a cerca de R$ 63,4 milhões. O contrato em vigor prevê ainda bônus de 5 milhões de euros (aproximadamente R$ 31,7 milhões) em caso de título na Copa de 2026. A renovação mantém condições semelhantes, com possíveis ajustes nas metas de bonificação. As tratativas começaram em outubro de 2025 e ganharam tração na reta final do ano.

Lista final perto de fechar — e o papel de Neymar ainda é incerto

Em evento na sede da CBF, na segunda-feira, dia 23 de março, Ancelotti declarou que a lista para a Copa está "perto da lista final", mas admitiu que há posições ainda não definidas: "Não está fechado. A lista não está fechada, mas estamos perto. Há algumas posições que não estão definidas 100%". A declaração abre margem para a inclusão de Neymar, mas não sinaliza garantia.

A análise do SportNavo mostra que a tensão em torno da convocação do camisa 10 vai além do mérito esportivo. Ancelotti acumula quatro vitórias, dois empates e duas derrotas desde que assumiu o comando, em maio de 2025 — um retrospecto que ainda não convenceu completamente. A geração atual não apresenta regularidade e a ausência de um jogador com o histórico de Neymar cria um vácuo de liderança reconhecível internacionalmente.

A próxima janela de avaliação direta será o amistoso contra o Egito, em 6 de junho, no Huntington Bank Field, em Cleveland — uma semana antes da estreia do Brasil na Copa, marcada para o dia 13 de junho contra Marrocos, no Grupo C. Neymar ainda não renovou com o Santos, o que adiciona uma variável contratual ao critério técnico que Ancelotti diz priorizar acima de tudo.