A última vez que um técnico da Seleção Brasileira foi ao Maracanã monitorar jogadores a menos de três semanas de uma convocação para Copa do Mundo foi em 2022, quando Tite acompanhou o Fla-Flu antes de fechar a lista para o Catar. Neste domingo, 3 de maio, Carlo Ancelotti repetiu o gesto — e o contexto não poderia ser mais parecido: clássico carioca, 14ª rodada do Brasileirão, e uma lista que precisa ser fechada até 18 de maio, data oficial da convocação para o Mundial de 2026, a ser anunciada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
O que dizem os envolvidos
Ancelotti não foi sozinho ao Templo do Futebol. O coordenador executivo Rodrigo Caetano, o ex-zagueiro Juan — hoje coordenador técnico da Canarinho — e o preparador físico Cristiano Nunes compuseram a comitiva. A CBF registrou a presença do grupo ainda no primeiro tempo e divulgou imagens nas redes sociais, sinalizando que a visita não era informal. No dia anterior, 2 de maio, analistas de desempenho da confederação, Thomaz Araujo e Bruno Baquete, já haviam estado na vitória do Atlético sobre o Cruzeiro por 3 a 1 pela mesma rodada — o mapeamento de elencos está em curso há pelo menos 48 horas.
Sobre o Flamengo, o próprio Ancelotti adiantou que Danilo estará entre os 26 convocados para o Mundial. O zagueiro e lateral-direito, de 33 anos, é o único nome do Rubro-Negro com vaga considerada certa pelo treinador. Alex Sandro e Léo Pereira, que estiveram na Data Fifa de março — quando o Brasil enfrentou França e Croácia em amistosos —, aparecem como fortes candidatos a repetir a convocação. Paquetá, ausente do clássico por lesão, está fora da análise imediata. Arrascaeta também não jogou: o camisa 10 passou por cirurgia na clavícula direita e está fora do período de observação presencial de Ancelotti.
Pelo lado do Vasco, o lateral-direito Paulo Henrique é apontado como o principal nome a ser reavaliado. Sua última convocação aconteceu em outubro, nos amistosos realizados na Ásia — um hiato de mais de seis meses que coloca pressão sobre o desempenho dele no clássico como termômetro de reingresso na lista.
"Aí não, né, Brenner. Tinham duas ultrapassagens, eram três contra dois e ele finalizou de longe com a perna que não era a boa. Não dá para você tomar uma decisão tão ruim, com tantas opções melhores, em uma situação que o Vasco tem tanta dificuldade para chegar", disse o ex-jogador Roger Flores durante a transmissão da partida, criticando o atacante Brenner em contra-ataque desperdiçado aos 28 minutos do primeiro tempo.
O que dizem os números
O Flamengo chegou ao clássico como vice-líder do Brasileirão, com 26 pontos em 13 jogos — sete pontos atrás do Palmeiras, que somou 33 após empatar em casa com o Santos no sábado, 2. O Vasco, por sua vez, aparecia na 13ª colocação com 16 pontos antes do confronto. A diferença de desempenho entre os dois clubes na temporada 2026 é um dado que Ancelotti certamente cruzou com as atuações individuais: jogadores em times de alto rendimento acumulam minutos de pressão, o tipo de dado que pesa em convocações para torneios eliminatórios.

Pedro abriu o placar aos oito minutos do primeiro tempo, em lance onde a bola resvalou em Gonzalo Plata e sobrou para o centroavante ajustar o corpo, tirar a marcação e finalizar com precisão. O gol foi seu nono no Brasileirão em 2026, número que o coloca entre os principais artilheiros da competição — e que, paradoxalmente, ainda não lhe garantiu uma convocação recente, já que o atacante não apareceu nas últimas chamadas. A análise do SportNavo mostra que Pedro acumula mais de 1.100 minutos em campo no Brasileirão 2026, média de rendimento que dificilmente passa despercebida quando Ancelotti está na tribuna.

Léo Pereira, que disputou o clássico após avaliação médica por corte na perna, e o lateral Royal, que aguardava a chegada de máscara protetora para uma fratura no nariz, são os outros nomes do Flamengo sob observação direta. O Vasco chegou ao jogo embalado por vitória de 3 a 0 sobre o Olimpia, na quinta-feira, 30 de abril, pela Copa Sul-Americana em São Januário — resultado que manteve Paulo Henrique ativo e com minutos relevantes na semana.
O que digo eu sobre o quadro
Seria exagero chamar de disputa acirrada o que acontece entre Pedro e a ausência dele nas convocações — mas é uma ausência que começa a pesar em escala de Copa do Mundo. O centroavante está entre os cinco jogadores com mais gols no Brasileirão 2026 e atua por um time que joga Libertadores simultaneamente. O argumento contrário é técnico: Ancelotti tem preferido atacantes com mobilidade ampla e capacidade de pressão alta, perfil que Pedro não prioriza no jogo. A convocação de 18 de maio dirá se o dado bruto de gols superou a preferência tática do treinador.
A presença de Ancelotti em jogos do Brasileirão — e não apenas em competições europeias ou em viagens de observação ao exterior — indica uma mudança de metodologia em relação a ciclos anteriores. Rodrigo Caetano e Juan funcionam como filtro técnico, mas a ida ao estádio sinaliza que o italiano quer confirmar impressões pessoalmente antes de fechar a lista. Para Paulo Henrique, que está há mais de seis meses sem ser convocado, o clássico contra o Flamengo era provavelmente a última janela de exposição direta ao olhar do treinador antes do prazo final. A convocação para a Copa do Mundo de 2026 será divulgada em 18 de maio, no Rio de Janeiro, com o Brasil estreando no torneio em junho no Canadá.









