O vestiário da Granja Comary ferve de expectativa. Carlo Ancelotti caminha pelos corredores com pranchetas debaixo do braço, rabiscando formações que podem definir o destino do Brasil na Copa do Mundo. O técnico italiano tem dois esquemas completamente distintos na gaveta: um com Neymar como maestro fixo, outro sem o craque do Santos.
A definição sai no dia 18 de maio, quando Ancelotti anuncia os 26 convocados. Até lá, o comandante italiano trabalha com cenários paralelos que transformam radicalmente a cara da Seleção. Com Neymar, o Brasil adota o 4-3-3 clássico. Sem ele, migra para o 4-2-3-1 com meio-campo povoado de criadores móveis.
O Brasil de Neymar seria mais vertical
Com o camisa 10 no Santos, Ancelotti desenha um sistema onde a criatividade se concentra no ponta-esquerda. Neymar recuaria da área para buscar o jogo, liberando espaço para Vini Jr explorar a profundidade pela direita. Rodrygo assumiria o papel de finalizador centralizado, posição que domina no Real Madrid.
Segundo apuração do SportNavo, essa formação priorizaria transições rápidas e jogadas individuais. Casemiro e Bruno Guimarães formariam a dupla de volantes, com Paquetá mais adiantado como meia de ligação. O sistema funcionaria como uma máquina de contra-ataques mortais.
"A função de Neymar no Santos difere completamente da que teria na Seleção. Lá ele é o cérebro absoluto, aqui seria mais uma peça do quebra-cabeça coletivo", explica fonte próxima à comissão técnica.
As laterais ganhariam protagonismo ofensivo neste esquema. Guilherme Arana pela esquerda e Yan Couto pela direita teriam liberdade para apoiar constantemente, criando superioridade numérica nas faixas laterais.
Sem Neymar, Rodrygo vira organizador
O plano B transforma Rodrygo no principal cérebro criativo da equipe. O atacante do Real Madrid deixaria a área para assumir funções de meia-atacante, papel que já exerceu com sucesso na temporada europeia. Martinelli ganharia vaga como ponta-esquerda, trazendo velocidade e finalização.
Esse sistema permitiria maior rotação no meio-campo. Paquetá, Bruno Guimarães e até mesmo Gerson poderiam se alternar nas funções de criação, dificultando a marcação adversária. O Brasil ficaria menos previsível, mas potencialmente menos letal nas finalizações.
A mudança afetaria diretamente o setor defensivo. Sem a necessidade de cobrir as subidas constantes de Neymar, a zaga ganharia mais estabilidade posicional. Gabriel Magalhães e Marquinhos formariam uma dupla mais sólida, com menos responsabilidades de cobertura lateral.
Dilema que define a campanha brasileira
Os bastidores da CBF revelam um Ancelotti dividido entre o pragmatismo e o talento puro. O técnico sabe que Neymar aos 33 anos não é o mesmo jogador explosivo de 2018, mas reconhece sua capacidade única de resolver jogos decisivos em momentos de pressão.

A escolha impacta diretamente os adversários do Grupo D. Contra seleções que se fecham em bloco baixo, Neymar oferece a magia individual necessária para quebrar defesas organizadas. Já o sistema sem o craque privilegia a movimentação coletiva e a variação tática.

Conforme levantamento do SportNavo, Ancelotti testou ambas as formações nos últimos amistosos da Seleção. Os números mostram maior posse de bola com Neymar (67% contra 61%), mas mais finalizações no sistema alternativo (14 contra 11 por partida).
A decisão final chegará junto com a lista de convocados em 18 de maio. Até lá, Ancelotti segue preparando dois Brasis completamente diferentes, cada um com suas armas específicas para conquistar o hexa no solo americano.

