A solução para o principal dilema tático de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira veio contra a Croácia. Desde que assumiu o comando técnico da equipe nacional em janeiro de 2024, o italiano enfrentava um problema: como aproveitar o melhor de Vinicius Jr sem comprometer o equilíbrio defensivo. Na partida disputada em Zagreb, no último sábado, Ancelotti encontrou a resposta através de uma mudança específica na função de Matheus Cunha.
Durante os primeiros meses de trabalho, Ancelotti escalava Vinicius Jr como centroavante para evitar que o jogador do Real Madrid tivesse que recuar constantemente para cumprir funções defensivas pela ponta esquerda. Essa adaptação, no entanto, limitava o potencial ofensivo do brasileiro, que registra 87% de seus gols pelo clube merengue atuando pela faixa lateral.
João Pedro centraliza o ataque e muda dinâmica ofensiva
A escalação de João Pedro como centroavante representou a peça-chave da nova formação tática. O atacante do Brighton, que soma 12 gols em 23 jogos na Premier League nesta temporada, assumiu a referência central do ataque, liberando Vinicius Jr para atuar em sua posição natural pela esquerda. Com isso, o brasileiro pôde explorar os espaços sem a obrigação de recuar 40 metros para auxiliar na marcação.
Matheus Cunha, que vinha sendo utilizado como segundo atacante, teve sua função completamente reformulada no novo sistema. O jogador do Wolverhampton passou a atuar como meia-atacante flutuante, ocupando os espaços entre linhas e proporcionando amplitude ao setor ofensivo. Esta modificação criou uma triangulação dinâmica que potencializou as qualidades técnicas de Vinicius Jr.
Movimentação de Cunha cria superioridade numérica
Os números da partida contra a Croácia comprovaram a eficácia da nova disposição tática. Matheus Cunha completou 34 passes em 67 minutos de jogo, com 91% de aproveitamento, ocupando uma média de três diferentes posições por lance ofensivo. Essa mobilidade constante obrigou a defesa croata a constantes readjustamentos, criando espaços que Vinicius Jr soube explorar pela lateral esquerda.
A liberdade concedida a Vini Jr resultou em maior participação ofensiva do brasileiro. Contra a Croácia, o atacante completou sete dribles bem-sucedidos e criou quatro oportunidades claras de gol, números que superam sua média nas últimas seis partidas pela Seleção atuando como centroavante (3,2 dribles e 1,8 chances criadas por jogo).
Comparação histórica revela padrão na Seleção
A solução encontrada por Ancelotti remonta aos períodos mais vitoriosos da Seleção Brasileira. Na Copa do Mundo de 2002, Luiz Felipe Scolari utilizou esquema similar com Ronaldinho ocupando espaços flutuantes para liberar Ronaldo e Rivaldo. O trio ofensivo daquele Mundial combinou 15 gols em sete jogos, média de 2,1 por partida.
Entre 1994 e 1998, Carlos Alberto Parreira e depois Zagallo empregaram Bebeto como referência central, permitindo que Romário explorasse os espaços pela meia-lua da área. Essa formação resultou no tetracampeonato mundial de 1994, quando a Seleção marcou 11 gols em sete jogos, com Romário finalizando como artilheiro da competição com cinco tentos.
A formação testada por Ancelotti também resolve outro problema histórico da Seleção: a dependência excessiva de um único padrão ofensivo. Com Cunha flutuando entre as linhas, o Brasil ganhou três opções distintas de finalização: João Pedro no jogo aéreo, Vinicius Jr na velocidade e o próprio Cunha nas bolas paradas e finalizações de média distância.
A Seleção Brasileira volta a campo na próxima quinta-feira, contra a Argentina, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O confronto será o teste definitivo para confirmar se Ancelotti encontrou a fórmula ideal para potencializar o ataque brasileiro sem comprometer o equilíbrio defensivo.

