Robert Arboleda transformou-se no problema mais caro do São Paulo em 2024. O zagueiro equatoriano, que recebe aproximadamente R$ 800 mil mensais entre salário e encargos trabalhistas, permanece afastado do clube desde 3 de abril, sem apresentar justificativa formal e descumprindo promessas de comparecimento para negociar uma rescisão amigável.

O rombo mensal que sangra o caixa tricolor

Levantamento exclusivo do SportNavo revela que o São Paulo desembolsa mensalmente R$ 500 mil em salários diretos para Arboleda, acrescidos de R$ 150 mil em encargos trabalhistas (FGTS, INSS, seguro de vida) e outros R$ 150 mil em custos indiretos como vale-refeição, plano de saúde familiar e benefícios contratuais. O montante de R$ 800 mil mensais representa 12% do teto salarial estabelecido pela diretoria para a temporada.

Para efeito de comparação, o São Paulo paga R$ 400 mil mensais para Alan Franco, titular absoluto da zaga, e R$ 350 mil para Sabino, reserva que disputou 28 partidas em 2024. Arboleda, que deveria ser peça fundamental no esquema de Rogério Ceni, não atua desde março e consome recursos equivalentes aos salários combinados de dois zagueiros em atividade.

Promessas quebradas e estratégia jurídica em xeque

Na quarta-feira passada, o empresário Pepe Chamorro garantiu à diretoria são-paulina que Arboleda compareceria ao CT da Barra Funda para discutir os termos de uma rescisão consensual. O encontro não aconteceu, marcando a terceira promessa descumprida pelo jogador desde seu desaparecimento. O clube enviou duas notificações extrajudiciais exigindo explicações, ambas ignoradas pelo defensor de 33 anos.

"O Arboleda foi convocado para o jogo contra o Cruzeiro, não compareceu ao CT da Barra Funda e, desde então, não temos um posicionamento oficial dele. Isso demonstra falta de respeito com a instituição", declarou o diretor de futebol Rui Costa em nota oficial.

O departamento jurídico tricolor trabalha com o prazo de 30 dias corridos para caracterizar abandono de emprego e pleitear rescisão por justa causa. Contudo, qualquer retorno de Arboleda durante esse período enfraqueceria juridicamente a argumentação do clube, criando um impasse que beneficia exclusivamente o jogador.

Comparativo financeiro expõe desperdício de recursos

Desde abril, o São Paulo já investiu R$ 2,4 milhões em Arboleda sem qualquer contrapartida esportiva. O valor seria suficiente para contratar dois zagueiros de Série A por seis meses ou cobrir 40% da multa rescisória de um defensor titular em clube europeu de segunda linha. A situação torna-se ainda mais dramática quando analisamos que o orçamento anual para reforços foi limitado a R$ 35 milhões.

A diretoria tricolor calcula que, mantido o impasse até dezembro, Arboleda custará R$ 7,2 milhões em 2024 - equivalente a 20% da verba destinada a contratações. O montante supera os investimentos combinados em Alan Franco (R$ 3,5 milhões anuais) e Sabino (R$ 2,8 milhões anuais), jogadores que efetivamente contribuem em campo.

Precedente perigoso ameaça disciplina do elenco

Fontes internas revelam preocupação da comissão técnica com o precedente estabelecido pelo caso Arboleda. Jogadores como Rodrigo Nestor e Michel Araújo, insatisfeitos com a reserva, observam atentamente o desfecho da situação. A permissividade com o abandono pode estimular comportamentos similares, criando um ambiente de indisciplina custoso financeiramente.

O São Paulo precisa resolver o impasse antes da janela de janeiro, quando planeja reforçar a zaga com um defensor experiente. A manutenção de Arboleda nos quadros, mesmo afastado, compromete 23% da folha salarial destinada ao setor defensivo e limita as opções de mercado para 2025.

O próximo compromisso tricolor acontece no sábado, contra o Grêmio, no Morumbi, pela 34ª rodada do Brasileirão, com Alan Franco e Sabino formando dupla de zaga enquanto o clube arca com os custos de um terceiro zagueiro que se recusa a trabalhar.