Nove minutos. Foi o tempo que o Arsenal precisou para resolver o trabalho pesado do sábado (25) no Emirates Stadium. Eberechi Eze recebeu o passe milimétrico de Kai Havertz, ajeitou o corpo na entrada da área e mandou um chute colocado no ângulo de Nick Pope. O goleiro do Newcastle não teve a menor chance. Placar: 1 a 0. Liderança: de volta ao norte de Londres.

O gol, as lesões e o sufoco até os 97 minutos

A jogada foi um escanteio curto ensaiado — o 20º gol marcado dessa forma pelo Arsenal em 64 tentos de bola parada nesta temporada, dado que expõe a brutalidade ofensiva do time de Mikel Arteta nas bolas paradas. Mas o que veio depois foi sofrimento puro. O Newcastle criou 10 finalizações ao longo da partida, três no alvo, e o goleiro David Raya precisou aparecer em momentos decisivos, especialmente numa bomba de Sandro Tonali de fora da área aos 30 minutos da etapa inicial.

O departamento médico viraria notícia antes do intervalo. Aos 32 minutos, Havertz sentiu a coxa e saiu cambaleando para o vestiário, substituído por Viktor Gyökeres. No segundo tempo, foi a vez do próprio Eze, autor do gol, pedir substituição após sentir dores, cedendo lugar a Gabriel Martinelli. A entrada do camisa 11 foi recebida com enorme calor pela torcida do Emirates, que celebrou o retorno de Martinelli como se fosse um segundo gol.

A tensão chegou ao limite aos 29 minutos do segundo tempo, quando Nick Pope furou absurdamente fora da área ao tentar afastar a bola e puxou Gyökeres para evitar o gol. O VAR analisou a jogada por mais de dois minutos — mas o árbitro optou pelo cartão amarelo, não pelo vermelho. Logo depois, Yoane Wissa recebeu na pequena área e isolou o voleio em uma das maiores chances desperdiçadas da temporada pelo Newcastle. O apito final veio aos 97 minutos, com a torcida londrina já na beira de um colapso nervoso.

Arsenal no topo, City à espreita com um jogo a menos

Com a vitória por 1 a 0, o Arsenal chega a 73 pontos e reassume a liderança da Premier League. O Manchester City, que não entrou em campo pelo Inglês neste fim de semana — jogou pela semifinal da Copa da Inglaterra e venceu o Southampton por 2 a 1 —, permanece em segundo lugar com 70 pontos, mas tem uma partida a menos disputada. Se vencer o jogo atrasado contra o Crystal Palace, o City retoma a ponta.

A diferença real, portanto, é de apenas um ponto. E o saldo de gols entra na equação: antes desta rodada, Arsenal e City estavam empatados no saldo, com os Gunners perdendo a liderança pelo número de gols marcados — o que torna cada gol marcado ou sofrido daqui para frente ainda mais decisivo.

A tabela que pode definir o título

A análise exclusiva do SportNavo sobre os calendários restantes das duas equipes mostra um cenário que favorece, ao menos no papel, o Arsenal. Os Gunners encerram a temporada doméstica enfrentando Fulham e Burnley no Emirates, e saindo de Londres apenas para West Ham e Crystal Palace — quatro jogos, todos dentro do ambiente da capital inglesa ou arredores.

O Manchester City tem cinco partidas pela frente na Premier League: receberá Brentford, Aston Villa e Crystal Palace no Etihad, e viajará para enfrentar Bournemouth e Everton. A agenda é mais extensa e, no papel, mais perigosa. Aston Villa briga por vaga europeia e tem motivação extra. Brentford é conhecido por complicar a vida dos grandes. Dois jogos fora de casa fecham a campanha dos Citizens.

Segundo a avaliação do SportNavo, o Arsenal parte com vantagem prática na reta final não só pelo calendário mais tranquilo, mas pelo contexto emocional: os Gunners vivem a maior temporada da era Arteta e a pressão histórica de dois anos tentando conquistar o título pesa dos dois lados — tanto como ônus quanto como combustível.

O que vem pela frente para os Gunners

A próxima missão do Arsenal não é no Campeonato Inglês. Na quarta-feira (29), o time de Arteta viaja para Madri para enfrentar o Atlético de Madrid, no primeiro jogo da semifinal da Champions League — partida marcada para as 16h no horário de Brasília. A decisão da vaga na final europeia divide a atenção do elenco e pressiona o técnico a gerir com cuidado um grupo já castigado por lesões.

O Arsenal volta a campo pela Premier League contra o Fulham, clássico londrino onde qualquer tropeço pode custar o título. O Manchester City, de olho nessa janela, encara o Brentford e aguarda um deslize do rival para retomar a liderança. Quatro rodadas, no mínimo, para definir quem levanta a taça em maio.