Confesso: eu errei sobre o Arsenal na Champions League em 2026. No início da fase de liga, quando o calendário colocou os Gunners em sequências pesadas contra times de alto bloco, eu achei que a ausência de um camisa 10 de peso ia limitar demais a criação. Hoje, olhando para uma campanha de 10 vitórias e 3 empates — invictos na competição —, fica claro que subestimei o quanto Arteta conseguiu distribuir responsabilidade criativa pelo elenco inteiro.
O diagnóstico do momento
O Emirates Stadium recebe nesta terça-feira, 5 de maio, a volta da semifinal entre Arsenal e Atlético de Madrid pela Champions League 2025/26, às 16h (de Brasília). O primeiro jogo terminou 1 a 1 no Metropolitano, o que coloca os espanhóis numa situação específica: precisam vencer ou empatar por 2 a 2 ou mais para avançar. Já os Gunners jogam com a vantagem de que qualquer empate simples os leva à final.
O problema imediato para Arteta é a lista de desfalques. Martin Odegaard, Mikel Merino e Kai Havertz estão fora por lesão. Perder o camisa 8 norueguês é tirar o principal organizador do meio — o jogador que mais progressive passes completou no Arsenal nesta temporada europeia. A solução provável passa por Rice e Zubimendi segurando a estrutura, com Saka e Gyökeres acumulando responsabilidade ofensiva.
Do lado do Atlético, Simeone chegou a Londres com moral. O time poupou peças na última rodada da La Liga e ainda venceu o Valencia fora de casa, o que reforça a leitura de que os colchoneros estão fisicamente frescos para esta decisão. Os desfalques do lado espanhol são Giménez, Pablo Barrios e Nico González — o que enfraquece tanto a linha defensiva quanto a construção pelo meio.
Os fatores que explicam o quadro
A análise exclusiva do SportNavo mostra uma diferença relevante entre os dois modelos táticos quando o assunto é pressão alta. O Arsenal desta temporada opera com um PPDA (passes permitidos por ação defensiva) em torno de 7,8 na Champions — um dos mais baixos entre os semifinalistas, o que significa que eles pressionam com intensidade e não deixam o adversário respirar na saída de bola. O Atlético, por sua vez, prefere um bloco médio-baixo e usa o PPDA como ferramenta de contenção, não de agressão.

- xG Arsenal na Champions (fase mata-mata): média de 2,1 por jogo — criação consistente mesmo sem Odegaard
- xG Atlético concedido: média de 0,9 por jogo na competição — a defesa de Simeone é real
- Progressive passes por 90min: Arsenal lidera entre os quatro semifinalistas; perder Odegaard reduz esse número, mas Rice e Zubimendi compensam parcialmente
- Defensive actions do Atlético: Griezmann e Julián Álvarez têm papel duplo — pressionar na saída e finalizar no contra-ataque
O xA (expected assists) de Bukayo Saka nesta Champions é outro dado que impressiona — o inglês está entre os três jogadores com maior contribuição esperada para gols entre todos os atacantes ainda na competição. Com o espaço que o Atlético costuma deixar nas transições defensivas, Saka pode ser o diferencial que Arteta não precisa de Odegaard para ter.
Seria injusto chamar de era o que o Simeone construiu no Atlético — mas é uma era em escala doméstica, com um sistema tão consolidado que funciona mesmo quando faltam peças importantes como Giménez na zaga.
Mas e se o Atlético marcar cedo no Emirates?
Esse é o cenário que mais preocupa a torcida do Arsenal. Um gol de Griezmann ou Julián Álvarez nos primeiros 20 minutos mudaria completamente a lógica do jogo — o Arsenal precisaria atacar, e o Atlético tem o contra-ataque como arma afiada. O pass network dos Gunners tende a ficar mais vertical e menos triangulado quando o time está atrás no placar, o que abre espaço exatamente para a velocidade de Lookman e Álvarez nas costas da linha.
Segundo a avaliação do SportNavo com base nos dados da fase mata-mata, o Arsenal cedeu apenas 0,7 de xG por jogo quando jogou em casa na Champions nesta temporada — o Emirates é, de fato, uma fortaleza estatística, não só emocional.
Os cenários possíveis daqui
O mais provável, dado o contexto, é um Arsenal que controla a posse nos primeiros 30 minutos, testa Oblak com finalizações de média distância e tenta abrir o placar antes do intervalo. Gyökeres, que chegou ao clube nesta janela e já acumula participações diretas em gols na competição, é o nome mais perigoso para a defesa espanhola — especialmente com a ausência de Giménez, que seria o marcador natural para o sueco.
O Atlético vai tentar o que sempre tenta: compactar o espaço, explorar bola parada e esperar o erro do adversário. Griezmann como segundo homem de ataque e Koke organizando pelo meio é uma estrutura conhecida, mas eficiente. O árbitro Daniel Siebert, da Alemanha, vai ter um jogo físico nas mãos — e a gestão de cartões pode influenciar diretamente a segunda etapa.

A final da Champions League 2025/26 está marcada para 30 de maio, em Munique. O Arsenal, se confirmar a classificação nesta terça, terá ao menos 25 dias para se preparar — tempo suficiente para Odegaard tentar uma recuperação e chegar para o jogo mais importante do clube em anos.









