Cinquenta jogos pela Seleção Brasileira e um gol na goleada por 5 a 1 sobre a Coreia do Sul marcaram uma data especial para Ary Borges. Mais do que números individuais, a trajetória da meio-campista de 26 anos simboliza o projeto de longo prazo implementado por Arthur Elias, que transformou uma ex-gandula em peça fundamental da equipe que conquistou duas Copas América consecutivas (2022 e 2025) e a medalha de prata olímpica em Paris 2024.
Da arquibancada ao gramado
A relação entre Ary Borges e Arthur Elias começou há mais de uma década no Centro Olímpico, quando a jovem maranhense "brigava" para ser gandula nos fins de semana. Em 2013, o técnico conquistou o primeiro Campeonato Brasileiro feminino com a equipe, vencendo o São José na final. A própria Ary relembra o episódio com bom humor:
"Eu fiquei fora da final do Brasileirão, fiquei p... da vida", brinca a jogadora do Angel City, dos Estados Unidos.
Essa proximidade desde a formação criou uma sintonia técnica e tática que se reflete hoje na Seleção principal. Arthur Elias comandou as categorias de base brasileiras antes de assumir a equipe principal, conhecendo de perto as características e potencialidades das jogadoras que hoje convoca. Segundo levantamento do SportNavo, pelo menos oito atletas da atual convocação passaram por suas mãos nas seleções juvenis entre 2018 e 2022.
Método de trabalho unificado
O aproveitamento de jogadoras formadas nas categorias de base sob o comando de Arthur Elias gerou uma identidade tática coesa na Seleção principal. A meio-campista destaca o perfil do treinador:
"Gosto muito do estilo do Arthur, ele é um cara muito enérgico dentro de campo e eu prezo muito por isso. É alguém que vive o jogo com a gente". Essa energia se traduz em números: desde a chegada de Arthur Elias ao comando principal, em 2023, o Brasil possui 78% de aproveitamento em 32 partidas.
A continuidade metodológica entre base e profissional acelerou a adaptação das jovens talentos. Jogadoras como Gabi Portilho, Adriana e Jheniffer, todas com passagem pelas seleções juvenis dirigidas por Arthur Elias, se estabeleceram rapidamente como titulares. O técnico mantém os mesmos princípios táticos e disciplinares que aplicava nas categorias inferiores, facilitando a transição das atletas.

Resultados de um projeto integrado
A estratégia de formar um núcleo coeso desde as bases produziu resultados concretos. Nas duas conquistas da Copa América sob o comando de Arthur Elias, 60% do elenco tinha histórico nas seleções juvenis dirigidas por ele. Esse percentual sobe para 70% quando consideradas apenas as titulares dos jogos decisivos. A estabilidade do grupo permitiu que o Brasil mantivesse uma média de 2,4 gols por partida nos torneios continentais.
Ary Borges, que estreou pela Seleção principal em 2021 na vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, perdeu os Jogos Olímpicos de Paris por lesão, mas retornou às convocações como peça central no meio-campo. Aos 26 anos, vive um momento especial também na vida pessoal, esperando a primeira filha, Melanie, fruto do relacionamento com Gabriela Bazilia. Sua trajetória ilustra como a paciência e o planejamento de longo prazo podem transformar promessas das categorias de base em líderes da Seleção principal.

Consolidação no cenário mundial
O projeto unificado de Arthur Elias coloca o Brasil feminino em posição privilegiada para os próximos ciclos competitivos. Com um núcleo jovem e experiente, a Seleção mantém a terceira posição no ranking da FIFA e figura entre as principais candidatas ao título da Copa do Mundo de 2027, que será realizada no Brasil. A próxima convocação acontece em março, quando a equipe enfrentará amistosos preparatórios para o torneio continental de 2025, já conquistado antecipadamente.








