O relógio marcava 65 minutos quando Roger Machado fez sua primeira mexida no São Paulo. O placar mostrava 1 a 0 para o Tricolor em São Januário, com gol de Lucas na primeira etapa. Dez minutos depois, aos 75, o técnico havia promovido três alterações que, segundo dirigentes ouvidos pela imprensa, contribuíram decisivamente para a virada sofrida por 2 a 1 contra o Vasco no último sábado (18).

O timing fatal das substituições

As mudanças de Roger seguiram um padrão defensivo que se mostrou contraproducente. Aos 65 minutos, saiu Luciano para a entrada de Ferreira - uma troca de atacante por volante que sinalizou clara intenção de proteger o resultado. Cinco minutos depois, foi a vez de Calleri dar lugar a André Silva, mantendo o sistema ofensivo, mas perdendo a referência física do centroavante argentino que vinha pressionando bem a saída de bola vascaína.

A terceira e mais controversa alteração aconteceu aos 75 minutos, quando Michel Araújo cedeu espaço para Rodriguinho. Nesse momento, o São Paulo já havia perdido 23% de sua posse de bola em relação aos primeiros 60 minutos de jogo, segundo dados da ESPN. A equipe que dominara territorialmente a primeira etapa com 58% de posse passou a jogar com apenas 42% após as mexidas.

O primeiro gol do Vasco saiu exatamente aos 78 minutos, três minutos após a última substituição de Roger. Vegetti aproveitou cruzamento da direita e empatou de cabeça, explorando justamente o corredor onde Michel Araújo fazia a cobertura defensiva antes de ser substituído.

Números que explicam o colapso

A análise estatística do desempenho são-paulino revela dados alarmantes sobre o impacto das mudanças táticas. Nos primeiros 65 minutos, o Tricolor havia criado sete chances claras de gol e sofrera apenas duas finalizações do Vasco. Após as substituições, a equipe produziu apenas uma oportunidade real enquanto concedeu seis arremates perigosos aos cariocas.

O timing fatal das substituições As mexidas que custaram a vitória do São
O timing fatal das substituições As mexidas que custaram a vitória do São

O recuo do São Paulo ficou ainda mais evidente nos números de passes no campo de ataque. Antes das mexidas, a equipe completara 127 passes no terço final, contra apenas 31 após as alterações - uma queda de 75% na construção ofensiva. Conforme levantamento do SportNavo, essa foi a maior variação negativa registrada pela equipe em 2024 dentro de uma mesma partida.

O gol da virada vascaína, marcado por Payet aos 86 minutos, ilustrou perfeitamente o problema criado pelas substituições. O meio-campo são-paulino, reformulado pelas trocas, não conseguiu pressionar a saída de bola do Vasco, permitindo que o francês recebesse com liberdade na entrada da área e batesse colocado no ângulo de Rafael.

Histórico de decisões polêmicas

Esta não foi a primeira vez que Roger Machado enfrentou questionamentos sobre suas substituições desde que assumiu o comando técnico do São Paulo em setembro. Na derrota para o Palmeiras por 2 a 1, no Allianz Parque, o treinador também foi criticado por mexidas defensivas que culminaram no gol da vitória alviverde aos 88 minutos.

Segundo dirigentes ouvidos pela ESPN, existe um entendimento interno de que o técnico tem dificuldades para administrar vantagens no placar. Em oito jogos comandando partidas onde o São Paulo abriu vantagem, Roger conseguiu manter o resultado apenas em quatro oportunidades - um aproveitamento de 50% que preocupa a diretoria.

Números que explicam o colapso As mexidas que custaram a vitória do São
Números que explicam o colapso As mexidas que custaram a vitória do São
"Tem que dar tempo. Há outras situações que impedem esse tipo de mudança", revelou fonte próxima à direção sobre a possível demissão de Roger Machado.

O aspecto financeiro pesa contra uma eventual troca no comando técnico. Demitir Roger custaria aproximadamente R$ 2,1 milhões aos cofres tricolores, que ainda acumulam pendências relacionadas ao argentino Luis Zubeldía. A situação coloca pressão adicional sobre Rui Costa e Rafinha, executivos que "bancaram" a contratação do atual treinador mesmo diante da rejeição inicial da torcida.

O teste decisivo contra o Juventude

A permanência de Roger Machado será testada já nesta terça-feira (21), às 19h15, contra o Juventude, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. A partida no Morumbis representa uma oportunidade para o técnico demonstrar evolução tática e recuperar a confiança da diretoria após os erros cometidos em São Januário.

Nos bastidores, caso uma eventual demissão se concretize, a prioridade do clube será buscar Dorival Júnior, atualmente valorizado após a passagem pela Seleção Brasileira e os títulos conquistados no Corinthians. O próximo compromisso do São Paulo acontece no sábado (25), contra o Red Bull Bragantino, pela 38ª rodada do Campeonato Brasileiro.