No teatro sagrado de Pituaçu, onde os ventos alísios sopram canções de vitória, o Esporte Clube Bahia escreveu mais um capítulo luminoso de sua odisseia no Brasileiro Feminino A1. As Mulheres de Aço, como líricas guerreiras de um épico moderno, derrotaram o América-MG por 3 a 1, numa quarta-feira que se transformou em palco de celebração tricolor. Era a quarta vitória consecutiva, uma sequência que ecoa como estrofes de um poema épico, elevando o time baiano ao terceiro posto da classificação — o pódio onde as deusas do futebol contemplam seus domínios com doze pontos conquistados.
A bola, essa esfinge caprichosa que guarda os segredos do destino esportivo, rolou com particular generosidade aos pés das comandadas de Salvador. Logo aos sete minutos do primeiro ato, Cássia — meio-campista de nome doce como o verso de Vinícius de Moraes — abriu o marcador com a precisão de um ourives lapidando diamantes. O gol chegou como uma revelação, uma epifania futebolística que anunciava o tom da partida. Porém, o drama não seria linear: aos 23 minutos, Dani Ortolan, das Spartanas mineiras, converteu um pênalti com a frieza de quem conhece os meandros da pressão, igualando o marcador e lembrando que no futebol, como na vida, nada está definitivamente escrito.
Mas se o primeiro tempo foi prólogo, o segundo transformou-se na grande sinfonia tricolor. Raquel, aos 33 minutos, devolveu a vantagem ao Bahia com um lance que poderia ter sido concebido por Pelé em seus sonhos mais audaciosos. E quando os ponteiros do relógio caminhavam para os 48 minutos finais, Dany Silva — artilheira de nome que carrega a força dos ventos nordestinos — selou a vitória com a maestria de quem escreve o último verso de um soneto perfeito. Três gols que não foram apenas marcações no placar, mas pinceladas numa tela onde cada jogada se transformava em arte pura.
Neste Brasileiro Feminino que se desenrola como romance de Nelson Rodrigues — cheio de reviravoltas, paixões e destinos entrelaçados —, o Bahia emerge como protagonista inesperado de uma narrativa que promete emocionar até o último capítulo. Enquanto as Spartanas do América-MG permanecem na lanterna com apenas um ponto, como personagens trágicas de um drama shakespeariano, as baianas dançam na terceira colocação, olhando para cima com a ambição de quem descobriu que pode voar ainda mais alto. O próximo desafio será contra o Flamengo, no dia 20, no Rio de Janeiro — um clássico que promete ser épico quanto um encontro de titãs na mitologia grega.
Esta sequência de quatro vitórias consecutivas não é mero acaso estatístico, mas sim a materialização de um sonho coletivo que ganha forma no gramado. Como diria Drummond, há uma pedra no meio do caminho do futebol feminino brasileiro, mas as Mulheres de Aço do Bahia aprenderam não apenas a contorná-la, mas a transformá-la em degrau para voos mais altos. No Brasileiro Feminino A1, onde cada partida é um novo capítulo de uma saga em construção, o tricolor baiano prova que o futebol feminino nordestino tem sede de glória e mãos capazes de alcançar as estrelas. A temporada ainda reserva muitas páginas por escrever, mas uma certeza já se desenha no horizonte: o Bahia chegou ao pódio para ficar.

