São Petersburgo, inverno russo, contrato até 2027. O contexto geográfico e contratual do atacante já diz muito sobre a complexidade do negócio. Luiz Henrique, 26 anos, está no Zenit desde janeiro de 2025, após o clube russo desembolsar €35 milhões ao Botafogo — equivalente a cerca de R$ 220 milhões na cotação da época. Nesta quinta-feira (14), o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, colocou o nome do jogador na mesa, mas com precisão cirúrgica sobre o que isso significa.
O que Bap disse sobre o atacante do Zenit
Em entrevista, Bap não escondeu o interesse, mas delimitou o perímetro da conversa com clareza:
"A gente está muito feliz com o elenco que a gente tem. Mas a gente não pode deixar de olhar as oportunidades e as possibilidades que aparecem no mercado. Tem uma quantidade enorme de jogadores que estão no imaginário da gente, que não necessariamente têm condição de atrair nesse momento."
O presidente completou com uma referência direta ao modelo de oportunidade que o Flamengo busca replicar:
"Assim como foi o Paquetá. O Paquetá, se o cara quisesse ficar na Europa, não teria condições de a gente competir com uma proposta europeia. Isso depende de muitas variáveis que não são apenas a vontade ou o dinheiro que o clube tem. Mas havendo possibilidades, claro que o Flamengo vai considerar."
A analogia com Lucas Paquetá não é acidental. O meia retornou ao Rubro-Negro em 2024 após o West Ham ser rebaixado da Premier League — uma janela de oportunidade criada por variáveis externas, não por poder de compra do clube.
A pedida do Zenit e o problema do valuation
O Zenit fixou o preço de saída em €50 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 292,7 milhões na cotação atual. O clube russo comprou o jogador por €35 milhões há menos de cinco meses — a margem pretendida de €15 milhões representa uma valorização de 43% sobre o custo de aquisição em prazo curtíssimo.
A lógica do Zenit é calculada: Luiz Henrique está na lista de convocáveis para a Copa do Mundo 2026, e a CBF divulga a lista definitiva na próxima segunda-feira (18), em evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Uma boa Copa funcionaria como vitrine, pressionando o valor de mercado para cima e justificando a pedida atual — ou superando-a.
O Transfermarkt avalia o atacante em €35 milhões, abaixo da exigência russa. O gap de €15 milhões entre valuation de mercado e pedida representa o prêmio que o Zenit cobra pela conjuntura favorável ao vendedor.
Por que o modelo Paquetá é difícil de replicar
A referência de Bap ao caso Paquetá expõe, ao mesmo tempo, a estratégia e seus limites. Paquetá voltou ao Flamengo porque o West Ham foi rebaixado e o jogador precisava de uma saída; o Flamengo entrou com proposta viável num momento de fragilidade do vendedor. Para Luiz Henrique, esse cenário não existe agora.
O Zenit não enfrenta pressão financeira imediata. A janela de transferências pós-Copa do Mundo — prevista para julho de 2026 — é o momento em que o clube russo planeja negociar com o máximo de poder de barganha. Nenhum clube brasileiro competirá com ofertas europeias se o atacante se destacar no mundial.
A análise do SportNavo sobre o histórico recente de contratações rubro-negras mostra que o clube raramente paga acima do valuation Transfermarkt — o que torna qualquer acordo antes da Copa mais provável do que depois, exatamente o oposto do calendário do Zenit.
Os cenários concretos para as próximas semanas
Há três variáveis que podem mover essa negociação antes do encerramento da janela europeia de verão (31 de agosto de 2026):
- Luiz Henrique não é convocado pela CBF na segunda-feira (18) — o valor de mercado cai, o Zenit perde poder de barganha e o Flamengo entra com proposta abaixo dos €50 milhões.
- Luiz Henrique é convocado e performa bem — algum clube europeu entra na disputa e o Flamengo fica fora do radar financeiro.
- Luiz Henrique é convocado, mas o Brasil tem campanha fraca — o mercado esfria, o Zenit aceita negociar com desconto e o Flamengo pode agir rapidamente.
O ROI esperado para o Flamengo numa compra por €35–40 milhões seria positivo apenas se o clube conseguisse revender o jogador acima de €50 milhões em dois ou três anos — trajetória factível dado o perfil do atacante, mas dependente de desempenho consistente no Brasileirão e nas competições continentais.
A convocação da Seleção Brasileira, anunciada na segunda-feira (18), é o primeiro filtro real dessa equação: o nome de Luiz Henrique na lista muda o cenário de negociação de forma imediata e mensurável. O Flamengo sabe disso. O Zenit também.








