"Aqui ninguém me deu nada de presente." A frase é de Alexander Barboza, dita em lágrimas no gramado do Nilton Santos após a vitória do Botafogo sobre o Corinthians por 3 a 1, domingo passado, pelo Brasileirão. Na frase seguinte, ele já era, na prática, jogador do Palmeiras.
Por que Barboza saiu do Botafogo sem querer sair
O desligamento não partiu do atleta. Segundo o próprio zagueiro, o clube carioca recebeu uma proposta e comunicou ao empresário que Barboza "tinha que ir embora" — o Verdão investirá cerca de 4 milhões de dólares (R$ 20 milhões na cotação atual), pagos em parcelas. A negociação ganhou contornos de urgência porque o defensor argentino poderia assinar pré-contrato de graça ao fim da temporada, e o Botafogo precisava monetizar a saída.
"Quando um zagueiro campeão da Libertadores chega disponível por menos de 5 milhões de dólares, qualquer diretor de futebol sério atende o telefone no primeiro toque", avaliou um analista de mercado especializado em transferências sul-americanas.
Barboza ainda cumpre compromissos com o Botafogo: defende o clube nas duas últimas rodadas da fase de grupos da Copa Sul-Americana, contra o Independiente Petrolero no dia 20 e o Caracas no dia 27 de maio. Só então o Palmeiras poderá anunciá-lo oficialmente.
O que Barboza entrega que o sistema de Abel ainda não tem
O argentino chegou ao Botafogo em 2024 vindo do Libertad, do Paraguai, e acumulou dois títulos em menos de dois anos — Brasileirão e Libertadores de 2024, além das Taças Rio de 2024 e 2026. Em 12 partidas no Brasileirão 2026, consolidou estatísticas defensivas consistentes em um time que brigou na ponta da tabela.
O perfil encaixa no modelo de Abel Ferreira porque Barboza é um zagueiro de saída de bola, confortável na pressão alta e capaz de cobrir espaços em linha de quatro ou cinco defensores. A análise do SportNavo aponta que o Palmeiras sofreu mais gols em transições rápidas nas últimas rodadas — exatamente o cenário em que a leitura de jogo do argentino faz diferença pela velocidade de recuperação posicional.
O currículo internacional também pesa. Barboza jogou sob pressão em fases decisivas da Libertadores 2024, o que o diferencia de zagueiros que só têm ritmo doméstico. Abel costuma exigir que seus defensores centrais participem da construção — característica que Barboza demonstrou no Botafogo ao longo da temporada passada.
Quem divide a zaga com Barboza no Palmeiras
Gustavo Gómez segue como titular absoluto e capitão. A disputa pela segunda vaga envolve Murilo, que atravessa fase irregular, e Vitor Reis, jovem de 19 anos que vem ganhando minutos. A chegada de Barboza cria uma concorrência real por uma posição que Abel não considera resolvida.
Com a sequência de jogos no Brasileirão 2026 e a possibilidade de o Palmeiras entrar na Copa do Brasil em fases avançadas, a gestão de elenco exige pelo menos três zagueiros de alto nível. Barboza chega para ser titular, não reserva — e a disputa com Murilo será o termômetro da confiança que Abel deposita no reforço já nas primeiras semanas.
"Aqui ninguém me deu nada de presente" — a mesma frase com que Barboza deixou o Botafogo é o aviso que chega ao Palmeiras: o zagueiro não tem o hábito de guardar lugar por contrato. O Verdão volta a campo pelo Brasileirão no próximo fim de semana, mas Barboza só estreia depois do dia 27 de maio, quando encerrar os compromissos com o clube carioca na Sul-Americana.









