A última vez que o Barcelona vendeu um jovem da cantera por um valor modesto e precisou enfrentar a cláusula inflacionada para recuperá-lo, o nome era Marc Bartra — vendido ao Borussia Dortmund em 2016 por 8 milhões de euros. Abde Ezzalzouli trilha um caminho parecido: saiu por 7,5 milhões em 2023, e hoje tem uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros no contrato com o Betis, clube que, ao confirmar vaga na próxima Champions League, tem razões concretas para segurar suas peças principais.
O ciclo de Ezzalzouli no Betis transformou um promissor em indispensável
Quando o marroquino deixou o Camp Nou, tinha 21 anos e um histórico de aparições pontuais no time principal catalão. Manuel Pellegrini, técnico do Betis, enxergou nele algo que os dados desta temporada 2025/2026 confirmam com precisão: em 41 partidas disputadas, Ezzalzouli contabilizou 14 gols e 13 assistências em todas as competições. Sua contribuição ofensiva vai além dos números tradicionais — o jogador registra um xT (expected threat, métrica que mede o risco criado por cada ação de bola, seja drible, passe ou condução) consistentemente acima de 0,08 por partida, o que, em linguagem acessível, significa que cada vez que toca na bola em zonas de criação, gera uma ameaça real ao gol adversário. Esse índice coloca o ponta andaluz entre os dez jogadores mais perigosos da LaLiga nessa função específica.
A necessidade catalã e a lacuna deixada pela incerteza com Rashford
O Barcelona bicampeão da LaLiga tem uma agenda de mercado clara para reforçar o elenco de Hansi Flick: um atacante de peso — Julián Álvarez é a prioridade declarada — e um zagueiro central, com Alessandro Bastoni no topo da lista. A posição de ponta, porém, tornou-se urgente diante da indefinição sobre Marcus Rashford, emprestado pelo Manchester United com opção de compra fixada em 30 milhões de euros. O clube catalão não sinaliza intenção de exercer essa opção, e a lacuna precisa ser preenchida. Segundo o jornal espanhol Mundo Deportivo, contatos com o entorno de Ezzalzouli ocorreram na semana passada, antes da abertura oficial da janela de transferências.
"Este elemento é determinante e poderia impedir uma saída imediata do jogador do Betis, clube com o qual está sob contrato até 30 de junho de 2029 e que dispõe de uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros", destacou o Mundo Deportivo.
PSG, Premier League e a vantagem silenciosa que o Barça ainda guarda
O interesse no marroquino não é exclusivo do Barcelona. O PSG monitorou Ezzalzouli no início de 2026, e clubes da Premier League como Newcastle e Aston Villa também foram associados ao jogador em especulações anteriores. A competição por ele é real, e o Betis, agora classificado para a Champions, não tem pressa para negociar. Há, porém, um detalhe que coloca o Barcelona em posição diferenciada em relação aos concorrentes: o clube catalão ainda retém uma porcentagem dos direitos econômicos do jogador — um resquício da venda realizada em 2023 que pode ser utilizado como moeda de troca ou abatimento em uma futura negociação.
Copa do Mundo 2026 e o timing que amplia o valor de mercado
Ezzalzouli é peça regular da seleção de Marrocos, que enfrentará o Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo 2026 — torneio que, por si só, tem potencial de valorizar qualquer atleta que figure entre os destaques. O desempenho na competição pode elevar ainda mais o patamar do jogador no mercado, tornando a janela do verão europeu de 2026 a última oportunidade realista para que um clube o contrate por valores próximos à cláusula atual. O Camp Nou, palco onde Ezzalzouli deu seus primeiros passos no futebol profissional, pode ser também o destino que fecha esse círculo — mas apenas se o Barcelona aceitar desembolsar os 60 milhões exigidos pelo Betis ou construir uma proposta criativa o suficiente para convencer o clube andaluz antes que o marroquino entre em campo no torneio que pode dobrar seu preço.
A imagem que resume o impasse é simples: Ezzalzouli aquecendo para mais uma partida com a camisa do Betis, enquanto Barcelona e PSG trocam mensagens com seu staff — e o relógio do mercado avança em direção ao apito inicial da Copa do Mundo.












