A névoa ainda pairava sobre o Estádio Metropolitano quando o árbitro apitou o fim do tempo regulamentar. Um gol de Bukayo Saka — marcado com a frieza de quem já não se impressiona com o peso da ocasião — foi suficiente para devolver o Arsenal a uma final de Champions League pela primeira vez desde 2006. Vinte anos depois da derrota para o Barcelona, Mikel Arteta conduz os Gunners a Budapeste, onde a final está marcada para 30 de maio na Puskás Aréna.

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A semifinal contra o Atlético de Madrid foi, em muitos sentidos, um teste de maturidade tática. Empate por 1 a 1 no Metropolitano, gol decisivo de Saka no Emirates — os Gunners avançaram com apenas dois gols marcados em 180 minutos, o que diz muito sobre o estilo de Arteta: controle, compactação, eficiência cirúrgica. A equipe londrina é a melhor defesa entre os três semifinalistas com apenas 26 gols sofridos na Premier League em 35 rodadas, uma liga que o SportNavo tem acompanhado como o campeonato mais exigente taticamente da Europa nesta temporada. Simeone tentou o pressing alto nos primeiros 20 minutos do segundo jogo, mas o Arsenal absorveu a pressão com uma parede de ferro no setor defensivo e saiu com a vaga.

Bayern com 116 gols e PSG com Marquinhos batendo recorde — dois perfis opostos

A semifinal entre Bayern e PSG produziu um agregado de 9 a 4 apenas no primeiro jogo — os franceses venceram a ida por 5 a 4 em Paris, e o jogo de volta acontece nesta quarta-feira na Allianz Arena. Os números das duas equipes pintam perfis radicalmente distintos. O Bayern de Vincent Kompany lidera as cinco grandes ligas europeias em gols marcados, com impressionantes 116 tentos na Bundesliga — média superior a três por partida. Harry Kane, Michael Olise, Jamal Musiala e Luis Díaz formam um ataque que não tem equivalente no continente em volume ofensivo. Já o PSG, com 70 gols na Ligue 1, aposta numa combinação diferente: Kvaratskhelia, Dembélé, Doué e Barcola criam imprevisibilidade, enquanto a defesa liderada por Marquinhos figura entre as mais sólidas da Europa, com apenas 27 gols sofridos no campeonato francês.

Marquinhos, aliás, escreve sua própria história nesta edição da Champions. O capitão do PSG e da seleção brasileira disputa sua 121ª partida na competição nesta quarta, superando a marca de Roberto Carlos — 120 jogos entre 1997 e 2009 — e se tornando o brasileiro com mais aparições na história do torneio. Curiosamente, Luis Enrique praticamente o poupou na Ligue 1 nas últimas semanas: das dez rodadas finais, Marquinhos só foi a campo em uma, contra o Nantes em 22 de abril. A Champions é sua prioridade absoluta, e isso se reflete na coerência defensiva parisiense no mata-mata, onde o PSG sofreu apenas 10 gols em sete jogos.

"Nunca vivi um jogo tão importante", disse Kompany antes do confronto de volta, numa declaração que resume o peso da noite em Munique para o Bayern.

Gegenpressing bávaro ou solidez parisiense — qual estilo ameaça mais o projeto de Arteta

Do ponto de vista tático, os dois adversários potenciais representam desafios completamente diferentes para o Arsenal. O Bayern de Kompany pratica o gegenpressing mais vertical e direto da Europa nesta temporada, com Kane como referência central e Olise criando desequilíbrio pelos lados — um modelo que, ironicamente, lembra o que Klopp construiu em Liverpool, mas com qualidade técnica individual muito superior. Contra esse Arsenal organizado em bloco médio-baixo, a pressão alta bávara poderia ser o teste mais severo que Arteta já enfrentou numa final.

O PSG, por sua vez, representa um adversário mais imprevisível. Perdeu cinco jogos em 31 na Ligue 1 — número que parece modesto, mas revela uma equipe que aceita riscos e alterna entre momentos de tiki-taka posicional e transições verticais explosivas. A defesa francesa é sólida, mas se expõe em fases específicas das partidas, algo que o Arsenal, líder da Premier League, tem capacidade técnica de explorar. No mata-mata desta Champions, o PSG marcou 22 gols e sofreu 10 em cinco jogos — dois a mais que o Bayern, que anotou 20 e cedeu 11.

A premiação já garantida ao Arsenal reforça a dimensão do que está em jogo: os Gunners acumularam pelo menos 59 milhões de euros nesta edição da Champions, podendo chegar a 65,5 milhões caso conquistem o título em Budapeste. Mas o dinheiro é consequência. O que Arteta persegue é a legitimidade histórica que só uma taça europeia pode dar a um projeto construído desde 2019 com Edu Gaspar na direção esportiva.

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"O vencedor do duelo em Munique será o favorito ante a equipe de Londres", avalia a análise publicada no portal UOL, reconhecendo que tanto Bayern quanto PSG chegam à final com campanhas domésticas mais tranquilas que a do Arsenal, ainda em disputa na Premier League.

A final de 30 de maio na Puskás Aréna, às 13h de Brasília, terá o Arsenal diante de um adversário que ainda se define nesta quarta. Mas o que os números desta temporada sugerem é que o Bayern representa o maior desafio em termos de intensidade e volume ofensivo, enquanto o PSG oferece uma equação mais equilibrada — e talvez mais gerenciável para a solidez defensiva que Arteta construiu. Uma receita tem ingredientes conhecidos; o que ninguém sabe ainda é quem vai cozinhar o jantar em Budapeste.