"Deixei claro que quero terminar a temporada vencendo o ex-clube em casa." A frase saiu de Habib Beye em entrevista pré-jogo. O técnico senegalês não tentou disfarçar a motivação extra. Foi demitido pelo Rennes em 9 de fevereiro de 2026 e assumiu o Marseille dez dias depois — e agora a rodada final da Ligue 1 colocou os dois times frente a frente no Orange Vélodrome, neste domingo (17), às 16h de Brasília, com transmissão pelo Prime Video e CazéTV.
O contexto é direto: o Marseille está em 6º com 56 pontos, o Rennes em 5º com 59. Uma vitória dos anfitriões empurra o time de Beye para cima na tabela e garante vaga na Europa League. O Rennes, por sua vez, joga pelo empate para confirmar a classificação — e ainda mantém chances matemáticas de alcançar a Champions League, dependendo de tropeços de Lille ou Lyon.
O que os dados dizem sobre o Marseille de Beye
Beye pode terminar a temporada com uma das piores médias entre treinadores que comandaram o clube por mais de dez partidas na era recente: 1,33 ponto por jogo na Ligue 1. Nos últimos sete jogos, o Marseille venceu apenas duas vezes — contra Metz (3-1) e Le Havre (1-0). O ataque raramente explode: o time marcou no máximo um gol em 8 das últimas 9 partidas.
Os números de xG (expected goals) ajudam a entender o problema. Uma equipe que cria pouco volume de chances de qualidade vai depender de eficiência individual — e Mason Greenwood, artilheiro do clube com 16 gols na temporada, carrega o peso quase sozinho. Quando o inglês some do jogo, o Marseille tende a ser previsível: médias de 1,0 gol marcado por partida nos últimos cinco jogos confirmam a aridez ofensiva recente.
Defensivamente, o cenário também preocupa: 1,33 gol sofrido por jogo na Ligue 1, com ambiente interno tenso. A imprensa francesa noticiou que a diretoria impôs um período de confinamento como punição pelas derrotas recentes, e grupos organizados de torcedores prometeram protesto silencioso nas arquibancadas.
Por que o Rennes chegou forte depois de dispensar Beye
Quem não tem cão caça com gato — e o Rennes encontrou no técnico Franck Haise exatamente o perfil que precisava depois da saída de Beye. Sob o novo comando, a equipe venceu 8 dos últimos 11 jogos da Ligue 1 e chegou a este domingo com uma das melhores fases do campeonato.
O trio ofensivo Breel Embolo, Esteban Lepaul e Moussa Al-Tamari está em ritmo de decisão. Lepaul é o artilheiro do campeonato com 20 gols, e na última rodada ele e Embolo viraram o jogo contra o Paris FC em sequência de apenas um minuto. São indicadores que vão além do gol: o xA (expected assists) do setor ofensivo do Rennes reflete uma construção de jogo mais variada e com mais progressive passes chegando ao terço final — algo que Beye não conseguiu implementar quando estava no clube.
Quando o Rennes pressiona alto, ele reduz o PPDA (passes permitidos por ação defensiva) do adversário para níveis que sufocam equipes que dependem de posse lenta. Quando o adversário abre espaços, o contra-ataque com Al-Tamari e Lepaul se torna letal. Nos últimos 18 jogos fora de casa, o Rennes terminou com mais de 2,5 gols em 77% das partidas.
O que ainda falta resolver antes do apito final
Quando o Marseille atua no Vélodrome, ele tem outra cara: apenas 2 derrotas em 16 jogos como mandante na Ligue 1, com média de 2,4 gols marcados por confronto em casa. Quando atua sob pressão obrigatória de vitória, o time costuma crescer no segundo tempo — foram mais de 0,5 gols na etapa final em cada uma das últimas 19 partidas no estádio, incluindo 13 seguidas pela Ligue 1.
O histórico recente entre os clubes também fala a favor dos anfitriões: o Marseille venceu três dos últimos cinco confrontos contra o Rennes, incluindo um 3-0 em 3 de fevereiro de 2026 — curiosamente, semanas antes de Beye ser demitido pelo clube visitante. A questão é saber se esses dados têm peso suficiente diante de um Rennes que joga com a vantagem psicológica de quem só precisa do empate.
"Em confronto direto entre 5º e 6º colocados, o Rennes ainda sonha em conseguir uma vaga milagrosa na Champions na última rodada da Ligue 1. Mas encara um Marseille forte em casa e que precisa do resultado para não ficar sem competições europeias na próxima temporada." — Leandro Barros, especialista em apostas esportivas
O que está em jogo para o Marseille vai além de uma vaga continental: uma temporada sem Europa League seria financeiramente devastadora para um clube que já enfrenta a ausência na Champions e tem vários jogadores na lista de transferências por questões orçamentárias. Para Beye, a partida desta tarde no Vélodrome é o último argumento — ou a última sentença — de uma passagem que o número de 1,33 ponto por jogo já define com precisão estatística.









