A conquista do FIFA Series pela Seleção Brasileira Feminina, com 100% de aproveitamento e média de quatro gols por partida, ressuscita memórias dos grandes ciclos do futebol feminino nacional. O triunfo por 1 a 0 sobre o Canadá na Arena Pantanal, diante de 13 mil torcedores, coroou uma campanha que lembra a consistência das equipes comandadas por René Simões no início dos anos 2000, quando o Brasil acumulava títulos sul-americanos com regularidade impressionante.

Campanha impecável revela maturidade tática

Os números da campanha brasileira no FIFA Series impressionam pela regularidade ofensiva. Após golear a Coreia do Sul por 5 a 1 e a Zâmbia por 6 a 1, a Seleção precisou de maior paciência tática contra o Canadá, adversário que disputou a final olímpica de Paris-2024. O gol de Aline Gomes no segundo tempo, aproveitando rebote após finalização de Kerolin, garantiu o título e marcou o primeiro gol da atacante pela Seleção principal.

A performance de Kerolin, eleita melhor jogadora do torneio, simboliza a evolução técnica da nova geração. Com dois gols e duas assistências em três jogos, a atacante chegou aos 15 gols em 59 partidas pela Amarelinha, números que a colocam na rota dos grandes artilheiros históricos como Cristiane (96 gols em 147 jogos) e Marta (117 gols em 180 partidas). A versatilidade tática demonstrada pela camisa 10 ecoa a capacidade de adaptação que marcou as melhores fases do futebol feminino brasileiro.

Invencibilidade em casa alcança patamar histórico

A vitória sobre o Canadá estendeu a sequência invicta da Seleção em território nacional para 10 jogos, com nove vitórias e um empate. Este retrospecto supera a fase áurea de 2018-2019, quando o Brasil acumulou oito jogos sem derrota em casa. A última derrota como mandante ocorreu em 3 de dezembro de 2023, quando o Japão venceu por 2 a 0 no Morumbis, resultado que serviu como ponto de virada para a reestruturação tática atual.

Segundo apuração do SportNavo, a média de 2,1 gols por jogo em casa durante esta sequência invicta representa o melhor aproveitamento ofensivo da Seleção Feminina desde as Olimpíadas de Atenas-2004, quando Marta e companheiras marcaram 15 gols em seis partidas até a conquista da medalha de prata. A solidez defensiva atual, com apenas quatro gols sofridos nos últimos 10 jogos em casa, equipara-se aos melhores momentos da era Emily Lima.

Projeção para o Mundial de 2027 ganha força

O título do FIFA Series coloca o Brasil em posição privilegiada na corrida pelo favoritismo para a Copa do Mundo de 2027, sediada no Brasil. A campanha invicta contra adversários do calibre do Canadá - semifinalista olímpico em Paris - demonstra evolução tática que remonta aos melhores períodos da Seleção. A capacidade de alternar entre goleadas e vitórias magras, conforme a exigência do confronto, revela maturidade competitiva comparável à geração que conquistou a prata olímpica em 2004 e 2008.

A próxima oportunidade de medir forças internacionais será crucial para consolidar esta ascensão. O Brasil enfrentará rivais europeus em março de 2025, em amistosos que servirão como termômetro real do crescimento demonstrado no FIFA Series, preparando o terreno para um ciclo que pode culminar com o primeiro título mundial da história do futebol feminino brasileiro em casa.