"Ele tem experiência, tem influência e tem disposição" — foi com esse argumento, segundo interlocutores ligados ao movimento, que o nome de Rogério Caboclo começou a circular com força entre os conselheiros do São Paulo nas últimas semanas. A frase resume a aposta da oposição. E também esconde toda a controvérsia que vem junto com ela.
O que os números da prévia revelam sobre a oposição tricolor
No sábado anterior à semana em que o movimento ganhou novo contorno, Roberto Natel foi confirmado como candidato da oposição em uma votação online e secreta. No segundo turno, Natel obteve 60 votos contra 39 de Marco Aurélio Cunha — que depois declarou apoio ao vencedor. No primeiro turno, os três candidatos somaram 100 votos: Natel com 48, Cunha com 31 e Sylvio de Barros com 21.
O problema é que essa prévia não fecha o jogo.
A oposição reúne cerca de 120 dos 250 conselheiros aptos a votar no pleito de dezembro, segundo o UOL. Desse grupo, uma ala já trabalha em paralelo com a possibilidade de lançar Caboclo como cabeça de chapa, com Vinícius Pinotti como vice. Ou seja: o nome de Natel saiu da urna, mas ainda não saiu do papel como candidato definitivo.
Caboclo entra na disputa — e traz a bagagem da CBF junto
Rogério Caboclo presidiu a CBF entre 2019 e 2021 e foi afastado do cargo após denúncias de assédio moral e sexual feitas por funcionárias da entidade. Posteriormente, decisões judiciais determinaram o arquivamento ou o trancamento dos processos sem condenação. Caboclo sempre negou as irregularidades.
"O dirigente intensificou contatos nos últimos dias e deu sinais positivos sobre uma possível candidatura", segundo interlocutores envolvidos na articulação, conforme reportagem do UOL.
Aliados da ala que apoia Caboclo argumentam que ele tem trânsito político amplo dentro do Conselho — exatamente o tipo de capital que um pleito com 250 votantes exige. Ao mesmo tempo, lideranças da própria oposição resistem ao nome, e esse racha interno é o ponto mais frágil de toda a construção.
O levantado pelo SportNavo aponta um padrão claro nesse tipo de movimento: quando a oposição de um clube grande não consegue convergir antes da eleição, o favoritismo passa automaticamente para a situação.
O que dizem os protagonistas — e o que o silêncio de Casares revela
Do lado da situação, Julio Casares avança com o apoio da base política de Leco, atual presidente Harry Massis Júnior. Casares foi vice-presidente na gestão de Carlos Miguel Aidar, que renunciou em outubro de 2015 sob denúncias de corrupção — um histórico que seus adversários não deixam passar em branco.
"Apoiado pela base política de Leco, Casares não é o nome preferido do atual presidente, mas reúne diferentes partidos do Conselho", descreve o perfil publicado pelo ge.globo.com.
Natel, por sua vez, carrega o peso do "caso hacker": uma perícia interna apontou para ele como suposto responsável por vazar documentos do clube. O vice-presidente nega os vazamentos. O caso segue sendo investigado pela polícia — e vira munição contra sua candidatura tanto dentro quanto fora do Conselho.
Dáurio Speranzini, que até poucos dias atrás era o principal nome cotado para encabeçar a chapa oposicionista, perdeu espaço por resistência interna. Integrantes do grupo reconhecem, em off, que críticas nos bastidores tornaram sua viabilidade questionável — mesmo que avaliem sua capacidade para o cargo.
Interlocutores próximos à articulação com Caboclo também citam Caio Forjaz como nome avaliado positivamente para assumir a presidência do Conselho Deliberativo, em um desenho que ainda está sendo montado peça por peça.
A eleição está marcada para dezembro. O Conselho Deliberativo tem hoje 224 cadeiras preenchidas de um total de 240 — os 16 lugares vagos são de conselheiros vitalícios que morreram ou abriram mão das vagas para assumir cargos remunerados na gestão.
Com a oposição dividida entre o nome que venceu a prévia e a articulação paralela com Caboclo, a situação de Casares ganha margem. A oposição tem até dezembro para resolver o impasse — ou entrega o clube de bandeja.









