Cedeu. O Cruzeiro, maior campeão isolado da Superliga Masculina com nove títulos, perdeu os quatro confrontos diretos contra o Campinas nesta temporada 2025/26 antes mesmo de a decisão começar. Sul-Americano, Copa Brasil, primeiro turno e segundo turno da fase classificatória — quatro derrotas, quatro mensagens do mesmo remetente. A final deste domingo (10/05), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com bola subindo às 10h, é o quinto capítulo de uma história que já tem protagonista bem definido — mas que, no vôlei, nunca termina antes do apito final.

O que os números revelam sobre a virada de poder entre os dois clubes

O Cruzeiro terminou a fase classificatória com a melhor campanha, 54 pontos, três à frente do segundo colocado. Nos playoffs, passou por Goiás sem perder um set sequer e eliminou o Minas no Jogo 3, fechando a série em 2 a 1. Já o Campinas, segundo colocado na fase regular, bateu Monte Carmelo por 3 a 1 nas quartas e eliminou o Praia Clube na semifinal em dois jogos. O retrospecto geral entre os clubes, segundo levantamento do SportNavo, aponta 15 vitórias do Cruzeiro em 26 partidas históricas — mas nos últimos dez duelos, o Campinas venceu oito, uma inversão que não pode ser lida como acidente estatístico.

O que os números revelam sobre a virada de poder entre os dois clubes Campinas v
O que os números revelam sobre a virada de poder entre os dois clubes Campinas v

No plano continental, o peso da mudança é ainda mais evidente. O Cruzeiro havia conquistado nove títulos sul-americanos consecutivos antes de março de 2026, quando o Campinas interrompeu a série. Na mesma semana, o time do interior paulista venceu a Copa Brasil por 3 a 1, de virada. Quem não tem cão caça com gato — e o Campinas, sem a estrutura histórica do rival mineiro, construiu metodicamente uma estrutura que hoje rivaliza ponto a ponto com o maior clube do vôlei de clubes do país.

Cinco campeões olímpicos e 46 títulos de Superliga em quadra

A final reúne cinco campeões olímpicos e 46 títulos de Superliga entre os atletas escalados, o que coloca o confronto em perspectiva global. No contexto do ranking FIVB de clubes, tanto Cruzeiro quanto Campinas figuram entre as dez melhores equipes do mundo, disputando terreno com Trentino e Perugia (Itália), Zenit Kazan (Rússia) e Sir Safety Perugia — clubes que dominam a Champions League europeia com orçamentos superiores, mas que nos últimos anos viram o Brasil exportar padrão técnico, não apenas atletas individuais.

O levantador Bruninho, 39 anos, capitão do Campinas, é o símbolo dessa geração. Em declaração divulgada antes da final, ele definiu o título da Superliga no Dia das Mães como

"um sonho perfeito"
. Do lado do Cruzeiro, o oposto Douglas Souza e o central Lucão — que registrou aproveitamento de ataque de 64,7% na temporada, melhor índice da competição — representam a espinha dorsal técnica de um time que, mesmo pressionado, chegou à decisão com a melhor campanha da fase regular.

Cinco campeões olímpicos e 46 títulos de Superliga em quadra Campinas virou a ch
Cinco campeões olímpicos e 46 títulos de Superliga em quadra Campinas virou a ch

O ciclo cruzeirense e o que significa buscar o décimo título

Nas últimas 13 edições da Superliga, o Cruzeiro venceu nove — ficou de fora apenas em 2013, 2019, 2021 e 2024. Essa consistência coloca o clube mineiro em patamar comparável ao que a Itália representa no vôlei de seleções: uma potência que define o padrão de excelência mesmo nos anos em que não leva o troféu. O técnico Filipe Ferraz tem escalação provável com Brasília, Oppenkoski, Otávio, Lucão, Douglas Souza, Rodriguinho e o líbero Alê — um grupo que combina experiência olímpica com profundidade de banco.

O Campinas, comandado por Horacio Dileo, chega ao Ibirapuera buscando o hexacampeonato — e, ao mesmo tempo, o tetra consecutivo, feito que nenhum clube masculino havia alcançado na história da competição. Nos dois embates anteriores de Superliga entre os clubes — 2016 e 2025 —, o Cruzeiro levou a melhor. Na final de 2025, o Campinas chegou a vencer o primeiro set, mas perdeu de virada por 3 a 1. A memória desse resultado dá ao confronto de hoje uma dimensão de acerto de contas que vai além da taça.

O que está em jogo além do troféu no Ibirapuera

Para o vôlei brasileiro no ciclo olímpico que aponta para Los Angeles 2028, a final de hoje tem implicação direta na formação de atletas e na manutenção do Brasil como referência mundial de clubes. A CBV utiliza a Superliga como vitrine para revelar e consolidar jogadores que alimentam a Seleção — e tanto Cruzeiro quanto Campinas têm atletas no radar da comissão técnica nacional. A Itália, com a Serie A1, e os Estados Unidos, com a liga universitária e a emergente PVF League, avançam nesse modelo, mas o Brasil ainda lidera em número de atletas exportados para a Europa por temporada.

Cedeu, sim — mas o Cruzeiro cedeu em quatro confrontos de uma temporada, não em uma era. A final começa às 10h no Ibirapuera, com transmissão pela TV Globo, SporTV2, ge tv e VBTV. O vencedor leva o troféu e, no caso do Campinas, entra para a história com o primeiro tetra consecutivo masculino da Superliga.