Daniel Cargnin não deixou margem para dúvidas no Pan-Americano de Judô. O gaúcho de 27 anos varreu a categoria até 73kg com quatro vitórias por ippon, confirmando seu status de terceiro do ranking mundial e principal candidato brasileiro ao ouro olímpico em 2026.
A campanha foi impecável desde a estreia. Cargnin finalizou o argentino Ivan Gomez na segunda rodada, superou o peruano Alonso Wong nas quartas e aplicou ippon no colombiano Ferney Ruiz Mesa na semifinal. Na decisão, dominou o norte-americano Jack Yonezuka, décimo do mundo, com autoridade técnica.
Números comprovam evolução técnica constante
Os dados de 2024 revelam a consistência de Cargnin. O brasileiro soma 4.892 pontos no ranking da IJF, atrás apenas do japonês Soichi Hashimoto (6.616) e do georgiano Lasha Bekauri (5.554). Sua medalha de prata no Mundial de Abu Dhabi, em maio, consolidou a ascensão iniciada em 2023.
O título pan-americano adiciona 800 pontos ao ranking, mais que uma etapa de Grand Prix. Para 2026, Cargnin precisa manter-se entre os cinco primeiros mundiais para garantir vaga direta nos Jogos Olímpicos de Dakar. Atualmente, ocupa posição confortável.
Segundo apuração do SportNavo, o judoca trabalha especificamente no ne-waza (luta de solo) com seu técnico Leandro Guilheiro. A deficiência neste fundamento custou-lhe o ouro mundial contra Hashimoto, que finalizou com shime-waza aos 3min47s do golden score.
Rivalidade com gigantes asiáticos define cenário olímpico
Hashimoto representa o principal obstáculo de Cargnin rumo ao ouro olímpico. O japonês, 24 anos, domina a categoria desde 2022 com técnica refinada no tachi-waza e superioridade física evidente. Suas vitórias sobre o brasileiro sempre ocorreram no prolongamento, indicando equilíbrio técnico.
Bekauri, por sua vez, oferece perfil diferente. O georgiano, campeão olímpico em Tóquio, destaca-se pela explosão inicial e capacidade de finalização precoce. Seus confrontos com Cargnin são sempre decididos nos primeiros dois minutos, favorecendo quem consegue impor ritmo.
O brasileiro mantém retrospecto positivo contra europeus e americanos. No Pan, suas vitórias por ippon demonstraram superioridade técnica clara sobre adversários do continente. Contra Yonezuka, aplicou o uchi-mata que se tornou sua marca registrada.
Preparação intensiva foca pontos fracos identificados
A análise do SportNavo sobre seus últimos dez combates revela padrão específico: Cargnin finaliza 78% dos europeus e americanos por ippon, mas apenas 31% dos asiáticos chegam ao golden score. A diferença está na paciência tática dos orientais.
Guilheiro, técnico da seleção brasileira, implementou rotina específica para desenvolver o ne-waza de Cargnin. Sessões diárias de 45 minutos focam transições do tachi-waza para o solo, área onde Hashimoto e outros asiáticos se destacam.
O cronograma para 2025 inclui cinco Grand Slams e o Mundial de Budapeste, em setembro. Cargnin precisa manter-se entre os três primeiros do ranking para chegar aos Jogos de 2026 como favorito real ao pódio.
Com 27 anos em 2026, Cargnin estará no auge físico para sua melhor chance olímpica. O ouro no Pan-Americano confirma evolução técnica e maturidade competitiva. Resta aprimorar detalhes que separam a prata mundial do ouro olímpico que o Brasil busca no judô masculino desde 2012.









