Suspensão cumprida. País natal. Arrascaeta fora. Três variáveis que colocaram Jorge Carrascal no centro da conversa do Flamengo em maio de 2026 — e a resposta sobre o que ele entrega ainda está em aberto.
O precedente que Carrascal precisa superar
Em 2025, o meia colombiano teve lampejos que convenceram. Fez o gol de empate no 1 a 1 com o Vasco. Deu duas assistências no 2 a 1 sobre o Corinthians. Balançou a rede no 1 a 0 contra o Racing (Argentina) na semifinal da Libertadores — um dos gols mais importantes da temporada passada do clube. Filipe Luís chegou a declarar publicamente que Carrascal tinha potencial para se tornar ídolo do Flamengo.
Mas 2026 foi diferente. A expulsão na Supercopa do Brasil contra o Corinthians virou o ponto de inflexão. A punição do STJD tirou o jogador do Brasileirão por quatro rodadas, e nesse período ele foi perdendo espaço na cabeça de Leonardo Jardim… e aí vem o problema.
Medellín como laboratório da retomada
Quis o calendário que o primeiro jogo de Carrascal após cumprir suspensão fosse justamente na Colômbia. Na quinta-feira (7), o Flamengo visitou o Independiente Medellín pelo Grupo A da Libertadores, no Estádio Atanasio Girardot — 1.500 metros acima do nível do mar, altitude que não costuma incomodar brasileiros, mas que pesa nos pulmões de quem está sem ritmo.
Carrascal é de Cartagena das Índias, a 700 km de Medellín. Mesmo assim, o fator emocional e o reconhecimento da torcida colombiana — que o acompanha desde os tempos no Millonarios e pela seleção da Colômbia — criaram um ambiente diferente. Jardim, suspenso após a expulsão contra o Estudiantes, ficou fora do banco. O auxiliar José Barros comandou o time com a seguinte escalação: Rossi; Emerson Royal, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Evertton Araújo, Jorginho e Carrascal; Luiz Araújo, Samuel Lino e Bruno Henrique.
"É importante termos nossos meias, porque nosso jogo está elaborado para jogar com meias, pontas e atacantes", disse Jardim após o empate em 2 a 2 com o Vasco, quando não teve nenhum dos três meias do elenco disponíveis.
A frase resume o que está em jogo. Sem Arrascaeta (fratura na clavícula direita), sem Paquetá (lesão na coxa esquerda) e sem Erick Pulgar (ombro direito), Carrascal virou peça central por necessidade — e a janela para provar seu valor a Jardim abriu mais do que ele poderia imaginar.
A disputa com Luiz Araújo contra o Grêmio
O jogo de Medellín serviu como aquecimento. O desafio de verdade é neste domingo (10), quando o Flamengo recebe o Grêmio pelo Brasileirão. Carrascal e Luiz Araújo disputam uma vaga no meio-campo, segundo informações da ESPN. A tendência é que Carrascal comece entre os titulares na função de armador, no espaço deixado por Arrascaeta.
O contexto da tabela aumenta o peso da decisão. O Flamengo tem 27 pontos em 13 jogos e ocupa a vice-liderança, atrás do Palmeiras, que lidera. Após tropeçar contra o Vasco na rodada passada, o clube desperdiçou chance de encostar no topo. Restam quatro rodadas antes da pausa para a Copa do Mundo — cada ponto conta mais do que parece agora.
"Carrascal está de volta para a partida contra o Grêmio e surge como alternativa para ocupar a vaga do camisa 10 uruguaio, atuando na função de armador", informou a ESPN em nota divulgada antes da escalação ser confirmada.
A escalação provável de Jardim para o duelo tem: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Evertton Araújo, Jorginho e Carrascal (ou Luiz Araújo); Gonzalo Plata, Pedro e Samuel Lino. Alex Sandro cumpre suspensão automática, abrindo espaço para Ayrton Lucas na lateral esquerda. Plata deve retornar ao time titular.
O que os números e a seleção colombiana exigem dele
Carrascal não joga só pelo Flamengo. Há um olhar externo que importa: a seleção da Colômbia. Atuar bem nas próximas semanas, com regularidade e visibilidade, pode definir se ele entra ou não nas listas do técnico colombiano para os próximos compromissos internacionais. Essa pressão extra — que para alguns paralisa, para outros liberta — pode ser o diferencial psicológico que Jardim não consegue controlar, mas que o colombiano sente na pele.
A comparação histórica com o Carrascal de 2025 é inevitável: o jogador que brilhou pontualmente nunca conseguiu se tornar titular incontestável. A diferença agora é que a concorrência direta — Arrascaeta, Paquetá e Pulgar — está toda no departamento médico ao mesmo tempo. Uma janela assim raramente se repete. Vale gravar o jogo deste domingo contra o Grêmio, no Maracanã, para entender se Carrascal finalmente aproveita.









