Confesso: eu subestimei o peso da ausência de Carrascal nas últimas semanas. Achei que o Flamengo absorveria bem o período sem ele no Brasileirão, que outros nomes dariam conta. Depois de ver o time tropeçar no meio-campo contra o Vasco no domingo (03), sem Arrascaeta, sem Paquetá, sem Pulgar — e sem o colombiano —, ficou claro que eu estava errado. A delegação rubro-negra embarcou nesta terça-feira (05) para a Colômbia com Jorge Carrascal no grupo, e a diferença tática que ele representa para quinta-feira (07) contra o Independiente Medellín, às 21h30 (horário de Brasília), é maior do que parecia.
A suspensão que virou janela de descanso involuntária
A expulsão de Carrascal na Supercopa do Brasil gerou uma situação incomum no calendário do Flamengo. Enquanto cumpria punição nos jogos do Brasileirão, o meia ficava disponível para as partidas da Libertadores — uma espécie de rodízio forçado que Jardim precisou administrar sem planejá-lo. O clássico com o Vasco, no último domingo, marcou o fim dessa suspensão no campeonato nacional, liberando o atleta para ambas as competições a partir de agora. Na prática, Carrascal chega para o duelo na Colômbia descansado em relação aos companheiros que jogaram os 90 minutos contra o Cruzmaltino.
O timing importa. O Flamengo enfrenta o Medellín com três peças do meio-campo no departamento médico: Lucas Paquetá, Arrascaeta e Erick Pulgar seguem em recuperação de lesões. São três titulares — ou ao menos três nomes de rotação pesada — fora do plantel disponível para Jardim escalar na quinta. Carrascal, De La Cruz e Luiz Araújo disputam a vaga que seria naturalmente do camisa 10 uruguaio.

O que Carrascal entrega que De La Cruz não entrega da mesma forma
A comparação entre Carrascal e De La Cruz não é de qualidade — é de função. O colombiano atua com mais mobilidade vertical, tende a aparecer entre as linhas e tem capacidade de condução em espaços curtos, o que pode ser decisivo contra um Medellín que costuma defender em bloco médio. De La Cruz, por sua vez, opera com mais posse e circulação horizontal. Jardim precisará definir qual perfil serve melhor ao estádio de Medellín, onde a altitude e o calor colombiano tornam o jogo mais físico e menos fluido nos primeiros 20 minutos.
O dado que coloca Carrascal numa posição de destaque neste cenário específico: o colombiano acumulou, ao longo da temporada 2025/2026, mais participações em gols em jogos fora de casa do que o Flamengo inteiro somou em partidas eliminatórias fora do Maracanã na fase de grupos da Libertadores — uma assimetria que o SportNavo mapeou ao cruzar os dados de desempenho do elenco nesta edição do torneio. É um recorte que revela onde o meia agrega de forma mais objetiva: em ambientes hostis, onde a criatividade individual substitui a organização coletiva que o time perde sem Arrascaeta.

O esquema que Jardim pode montar na Colômbia
Com Carrascal disponível, a formação mais provável de Jardim é um 4-2-3-1 com o colombiano atuando como meia-atacante centralizado, atrás do centroavante. Essa posição exige um jogador com capacidade de recuar para receber, girar e lançar — características que Carrascal demonstrou em jogos anteriores pela Libertadores nesta temporada. Luiz Araújo, que também disputa a vaga, tenderia a aparecer mais pelas beiradas, o que permitiria a Jardim montar um meio-campo com os dois caso opte por um esquema mais ofensivo.
A dúvida real está na dupla de contenção. Sem Pulgar — o volante chileno que dá a cobertura defensiva que o sistema de Jardim exige —, o técnico precisará de alguém com perfil mais equilibrado ao lado do titular da posição. Esse encaixe vai definir o quanto de liberdade Carrascal terá para aparecer no último terço. Um meio-campo sobrecarregado defensivamente limita exatamente o que o colombiano faz de melhor.
Medellín na Colômbia e o que o Flamengo encontrará no Atanasio Girardot
O Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, fica a 1.495 metros de altitude — suficiente para impactar o ritmo de equipes que chegam do litoral atlântico brasileiro. O calor úmido da cidade colombiana, somado à torcida que transforma o estádio numa caldeira nos jogos de Libertadores, cria um ambiente que testa a capacidade técnica de times visitantes nos primeiros 45 minutos. Carrascal, nascido em Cali e com passagens pelo futebol colombiano antes de chegar ao Brasil, conhece esse tipo de atmosfera melhor do que qualquer outro jogador do elenco rubro-negro.
O Flamengo joga na quinta-feira (07), às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão pela ESPN no canal aberto e pelo Disney+ no streaming. A escalação oficial de Jardim será conhecida nas horas anteriores ao jogo, mas a presença de Carrascal no grupo já reequilibra as opções disponíveis — e muda o cálculo tático de uma equipe que precisava, urgentemente, de uma saída criativa para o buraco deixado por três lesionados no setor mais sensível do time.









