A Arena Barra FC, em Itajaí, estava longe de ser um palco de pressão. Mas o 0 a 0 construído ali, na tarde do domingo 10, custou ao time gaúcho dois pontos que, olhando a tabela, têm peso de investimento desperdiçado. O Caxias saiu de Santa Catarina com mais um empate no bolso — o quinto jogo sem derrota na Série C 2026 — e ainda assim fechou a rodada na 11ª colocação, com 8 pontos, a exatos 2 pontos do G8.
Cinco jogos sem perder, dois pontos fora da zona de classificação. O Grená está invicto e estagnado ao mesmo tempo.
A anatomia de uma sequência que não avança
O padrão ofensivo do Caxias nas últimas rodadas segue um roteiro de baixa conversão. Em Itajaí, as primeiras chegadas vieram antes dos 5 minutos — Calyson, Gaspar e Salatiel testaram a meta de Ewerton logo no início — mas nenhuma exigiu trabalho real do goleiro do Barra. Salatiel ainda acertou o travessão aos 4 minutos, e o centroavante reclamou de pênalti não marcado na segunda etapa, quando Ewerton espalmou e ele não conseguiu concluir o rebote.

O técnico Marcelo Cabo tentou ajustar o setor ofensivo na etapa complementar, colocando Marcelo Freitas e Ravanelli nas vagas de Matheus Nunes e João Lucas. A mudança melhorou a construção: aos 21 minutos do segundo tempo, Ravanelli lançou Gaspar dentro da área pelo lado esquerdo, e o atacante finalizou com desvio na defesa. Aos 33, Gaspar marcou após cruzamento de Jhonatan Ribeiro, mas o gol foi anulado por impedimento na origem da jogada.
Do lado defensivo, a dupla de zaga improvisada — Windson e Moraes entraram nas vagas dos suspensos Ianson e Maurício — segurou o Barra em dois momentos críticos, bloqueando finalizações dentro da área. O goleiro Busatto foi acionado poucas vezes, mas o travessão do Caxias também vibrou uma vez, quando Vinicius Popó encobriu Busatto e acertou a madeira no primeiro tempo.
O Barra como coadjuvante que quase desequilibrou a conta
O time catarinense, que chegou ao empate com 7 pontos e se manteve no G8, foi mais agressivo nos primeiros 45 minutos. Henrique avançou em velocidade pela meia-direita aos 20 minutos e bateu forte, assustando Busatto. Antes disso, Vinicius Popó havia acertado o travessão em cobrança de lateral direta de Fábio — um lance que, se convertido, teria transformado o retorno do Caxias a Caxias do Sul em uma viagem ainda mais custosa em termos de tabela.
O árbitro Arthur Gomes Rabelo, do Espírito Santo, foi alvo de reclamações das duas equipes na etapa final, com lances polêmicos nas áreas — incluindo o gol anulado do Caxias e o pênalti não marcado para Salatiel. Segundo a rádio local que acompanhou o jogo, o julgamento dos lances gerou tensão no banco visitante, embora sem maiores consequências disciplinares além dos cartões amarelos para Matheus Nunes pelo lado do Caxias.
Paysandu no Centenário e a única conta que fecha para o Grená
O próximo compromisso do Caxias está marcado para domingo, 17 de maio, às 16h, no Estádio Centenário, em Caxias do Sul. O adversário é o Paysandu, atual líder da Série C 2026. Não há margem para cálculos sofisticados: uma derrota ou novo empate mantém o Grená fora do G8 por pelo menos mais uma semana, enquanto um triunfo pode projetá-lo diretamente para dentro da zona de classificação, dependendo dos outros resultados da rodada.
A leitura financeira do momento é direta. O acesso à Série B representa, historicamente, um incremento de receita entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões em cotas de TV e premiação para clubes de menor porte — sem contar a valorização do plantel e a capacidade de retenção de atletas. Para um clube como o Caxias, que opera com orçamento enxuto, cada ponto perdido para empates tem custo de oportunidade real.
O Caxias não perde há 5 jogos. Mas, contra o líder, empate já não paga a conta.









