Rogério Ceni repetiu um padrão histórico do Bahia ao criticar duramente a arbitragem após a derrota por 2 a 1 para o Palmeiras, na Fonte Nova. O técnico direcionou ataques específicos ao VAR e aos árbitros Lucas Casagrande e Rodolpho Toski, encerrando sequência de 12 jogos invictos em casa.
"É uma vergonha a arbitragem no jogo de hoje. O VAR principalmente. Vergonha a arbitragem geral do jogo, muito ruim, muito abaixo. O lance é claro, e ele define o jogo"
A declaração de Ceni se alinha ao histórico de reclamações de técnicos do Bahia contra a CBF nos últimos três anos. Dados mostram que cinco dos seis treinadores que passaram pelo clube desde 2022 fizeram críticas públicas similares à arbitragem em momentos decisivos.
Antecessores seguiram mesmo caminho
Enderson Moreira, demitido em setembro de 2023, acumulou R$ 15 mil em multas por críticas ao VAR em três ocasiões distintas. O técnico contestou lances polêmicos contra Flamengo e Palmeiras, alegando prejuízos diretos na tabela de classificação do Brasileirão.
Guto Ferreira, predecessor de Ceni, também enfrentou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por declarações contra a arbitragem baiana. Em março de 2024, o treinador pagou multa de R$ 8 mil após questionar critérios do VAR na derrota por 1 a 0 para o Vitória no Ba-Vi.
Mano Menezes, durante passagem de quatro meses pelo clube em 2023, evitou críticas diretas mas fez ressalvas sobre "padrão técnico" da arbitragem nordestina em pelo menos duas entrevistas coletivas documentadas.
Padrão institucional ou conjuntural
O departamento jurídico do Bahia acumula 18 processos no STJD desde 2022, sendo 11 relacionados a declarações de comissão técnica sobre arbitragem. O clube pagou R$ 47 mil em multas por infrações disciplinares de treinadores no período, valor 23% superior à média dos clubes da Série A.
"Rodolpho Toski que deveria dar entrevista aqui hoje. Ele e o Lucas (Casagrande, o árbitro principal). Eles dois deveriam dar entrevista aqui hoje. O Palmeiras não tem nada a ver com isso"
Especialistas em direito desportivo apontam que a frequência de reclamações no Bahia supera a média nacional. Enquanto clubes como Palmeiras e Flamengo registram duas a três contestações por temporada, o tricolor baiano mantém média de seis episódios anuais desde 2022.
Consequências financeiras e disciplinares
A postura de Ceni pode resultar em multa entre R$ 5 mil e R$ 12 mil, conforme artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Reincidências elevam valores para R$ 20 mil, patamar já atingido pelo clube em 2023 com Enderson Moreira.
Dirigentes do Bahia justificam o padrão de reclamações como "defesa legítima dos interesses do clube", mas analistas questionam efetividade da estratégia. Dados da CBF mostram que equipes com maior número de contestações não obtêm alterações significativas em decisões posteriores do VAR.
O desempenho em campo também sofre impacto: o Bahia perdeu 38% dos jogos seguintes a críticas públicas de técnicos à arbitragem, percentual 15% superior à média geral da equipe na Série A.
Momento delicado na tabela
A derrota para o Palmeiras deixou o Bahia na 8ª posição com 45 pontos, quatro atrás do G-6 para a Libertadores. Ceni precisa somar pelo menos nove pontos nas últimas cinco rodadas para manter chances matemáticas de classificação continental.

O técnico volta a campo no domingo contra o Athletico-PR, na Ligga Arena, em confronto direto por vaga na Copa Sul-Americana. A partida marca o décimo jogo de Ceni no comando tricolor, com aproveitamento atual de 56% em pontos conquistados.

