Não, Luciano Juba não é o melhor lateral-esquerdo do Brasil. A pergunta certa não é essa. A pergunta que Rogério Ceni colocou na mesa, após o empate por 2 a 2 entre Bahia e São Paulo no último domingo, é outra: existe, na atual convocação da Seleção, algum lateral capaz de jogar por dentro, bater falta com perigo real e ainda funcionar como terceiro zagueiro numa construção de três? Ceni diz que não. Os números de Juba em 2026 — sete gols e três assistências em 19 partidas — sustentam a tese.

O que aconteceu, exatamente

No empate de domingo, 3 de maio, na casa do São Paulo pelo Brasileirão 2026, Juba foi protagonista de um dos lances mais comentados da rodada: um golaço de falta que garantiu ao Bahia ao menos o ponto fora de casa. O gol não foi casual. O lateral de 26 anos carrega, nesta temporada, uma média de gol a cada 2,7 partidas, marca que poucos meio-campistas ofensivos do campeonato conseguem superar.

O que aconteceu, exatamente Ceni vê em Juba um jogador que a Seleção
O que aconteceu, exatamente Ceni vê em Juba um jogador que a Seleção

Após a partida, Ceni foi à coletiva e não poupou palavras.

"O Juba é um cara ótimo de trabalhar, muito profissional, vem ganhando muito respeito dos jogadores, já foi capitão do time... Um cara muito versátil, joga por dentro, joga pelo lado, com construção a três se precisar. Tem boa técnica, boa condição física, joga 90 minutos e raramente se lesiona. Acho que foi um dos grandes acertos em contratações do Bahia desde 2023", afirmou o treinador.

A declaração não foi elogio protocolar de técnico defendendo seu jogador. Ceni foi específico na comparação com o plantel da Seleção.

"Acho ele com sérias possibilidades de poder estar na Seleção Brasileira. Não tem jogadores que fazem o serviço que ele faz jogando por dentro. Por fora não discuto, porque tem muitos jogadores de força", completou.

Quem está envolvido

Luciano Juba não é um nome novo para Carlo Ancelotti. O lateral já foi convocado pelo técnico italiano, o que significa que o perfil do jogador já passou pelo crivo da comissão técnica da Seleção. A dúvida, portanto, não é de visibilidade — é de encaixe tático num momento em que o Brasil precisa definir, até 18 de maio, a lista para a Copa do Mundo 2026.

Rogério Ceni, por sua vez, carrega credencial para falar de Seleção. O ex-goleiro do São Paulo é o jogador brasileiro com mais gols marcados na história do futebol nacional para um goleiro — 131 gols em toda a carreira, muitos deles em cobranças de falta, justamente a especialidade que hoje ele enxerga em Juba. Não é coincidência que Ceni reconheça o valor de um jogador que transforma cobrança de bola parada em arma tática.

Conforme levantamento do SportNavo, entre os laterais-esquerdos convocados por Ancelotti ao longo das últimas janelas, nenhum registra média de participação em gols superior a 0,3 por partida na temporada 2025/26. Juba, com 10 participações diretas em 19 jogos, está em patamar claramente acima.

Quando isso muda o jogo

A Copa do Mundo 2026 começa em junho. A lista de Ancelotti precisa ser entregue com prazo oficial próximo. Juba chega ao momento decisivo com a forma mais alta da carreira. Sete gols numa temporada por um lateral em nível de Brasileirão seria suficiente para gerar debate em qualquer janela de convocação.

O ponto que Ceni sublinha vai além dos gols. O técnico afirmou que, sem Juba, o Bahia precisa mudar o sistema inteiro:

"Sem ele temos que mudar tudo", disse o treinador, sinalizando que a ausência de Juba não é coberta por simples substituição de posição, mas exige reorganização estrutural do esquema.
Essa característica — a de ser insubstituível no sistema — é exatamente o que Ancelotti busca em jogadores que pretende levar à Copa.

Na história recente da Seleção, laterais com perfil híbrido renderam bons frutos. Cafu, por exemplo, foi decisivo em 1994 e 2002 não apenas pela marcação, mas pela capacidade de chegar ao ataque com eficiência. Roberto Carlos, em 1998 e 2002, era referência global justamente por bater faltas com precisão letal. Juba não está nesse nível histórico — ninguém está —, mas a lógica de utilidade tática é a mesma que Ceni invoca.

Por que agora

A janela está se fechando. O Bahia enfrenta o Cruzeiro em casa no dia 9 de maio, às 21h, e depois visita o Remo pela Copa do Brasil no dia 13, às 21h30. São as últimas vitrines de Juba antes de qualquer definição de lista. O desempenho de domingo — gol de falta, regularidade, 90 minutos cumpridos — foi o argumento mais concreto que o jogador poderia entregar num momento em que o observatório técnico da Seleção está em funcionamento máximo.

A análise do SportNavo aponta que Juba combina três atributos raramente vistos num lateral brasileiro contemporâneo: capacidade de jogar como terceiro zagueiro em construção de três, saída por dentro com progressão de bola e cobrança de falta com qualidade técnica real. São características que, isoladas, existem em outros jogadores. Juntas, no mesmo atleta, Ceni garante que não existem na convocação atual.

Quem está envolvido Ceni vê em Juba um jogador que a Seleção
Quem está envolvido Ceni vê em Juba um jogador que a Seleção

Não, Luciano Juba não é o melhor lateral-esquerdo do Brasil. Mas talvez seja o único que faz o que a Seleção precisa — e essa distinção, em Copa do Mundo, costuma ser decisiva.