Domingo à tarde, Vila Belmiro em polvorosa. A substituição de Neymar virou o assunto mais comentado do futebol brasileiro em questão de minutos — e a versão oficial do árbitro Paulo César Zanovelli jogou a culpa longe da arbitragem.
O que César Sampaio disse ao quarto árbitro
Segundo a súmula, foi o auxiliar técnico Carlos César Sampaio Campos quem se aproximou do quarto árbitro Bruno Mota Correia e informou verbalmente que o camisa 10 seria substituído. Neymar estava fora do campo recebendo atendimento médico quando a comunicação aconteceu.
"Aos 20 minutos o quarto árbitro desta partida, o sr. Bruno Mota Correia, foi informado verbalmente pelo assistente técnico o sr. Carlos Cesar Sampaio Campos que haveria uma substituição e que esta substituição seria a saída do número 10 da equipe do Santos Futebol Clube", escreveu Zanovelli na súmula.
O árbitro ainda detalhou que o quarto árbitro pediu confirmação antes de levantar a placa — e recebeu resposta verbal e gestual de Sampaio. Só depois disso o número 10 foi exibido ao público.
"Após a conclusão da substituição, o mesmo assistente técnico entrega a papeleta de substituição com o número diferente do que ele havia informado e confirmado", continuou o árbitro no documento oficial.
Quem devia sair era Gonzalo Escobar, o camisa 31. A papeleta entregue confirmava isso. O problema: a comunicação verbal já tinha selado outro destino.
O momento em que Neymar percebeu o erro — e foi punido
Sem entender o que havia acontecido nos bastidores, Neymar correu para entrar em campo assim que a placa com o número 10 foi levantada. Quando alguém da comissão técnica do Santos avisou que havia um engano, o craque se revoltou e partiu para cima da arbitragem. Errou.
Neymar ainda exibiu para a câmera de transmissão a papeleta com os números corretos da substituição — Escobar saía, não ele. A reclamação não mudou nada. O árbitro manteve a decisão e o camisa 10 foi obrigado a ir para o banco.
O SportNavo apurou que a confusão se prolongou por quase 15 minutos de jogo, período em que o Santos ficou sem um dos seus titulares mais influentes em campo sem que a substituição pretendida — a de Escobar — tivesse sido efetivada no momento correto.
O que a regra diz e o que o Santos pode fazer agora
A regra de substituição prevê que a comunicação oficial ao quarto árbitro deve ser feita pela papeleta preenchida, não por informação verbal. A súmula de Zanovelli, porém, documenta que o protocolo oral foi iniciado pela própria comissão técnica santista — o que enfraquece qualquer recurso baseado em falha exclusiva da arbitragem.
A interpretação da regra é o ponto central do debate. Se a papeleta é o documento oficial, a confirmação verbal de Sampaio não deveria ter sido suficiente para levantar a placa. Se o árbitro agiu com base numa informação dada e reconfirmada pelo auxiliar do Santos, a responsabilidade recai sobre quem comunicou o número errado.
O clube ainda não se pronunciou oficialmente sobre um possível recurso ao STJD. O próximo compromisso do Santos pelo Campeonato Brasileiro está marcado para a próxima rodada, quando o time precisará saber se Neymar cumprirá suspensão pelo cartão amarelo recebido na confusão — o que depende do número de amarelos acumulados na competição.
Domingo à tarde, Vila Belmiro em polvorosa. A substituição de Neymar virou o assunto mais comentado do futebol brasileiro em questão de minutos — e a versão oficial do árbitro colocou o erro onde a súmula aponta: dentro do próprio banco santista.









