O cheiro de borracha quente ainda pairava sobre o Indianapolis Motor Speedway quando a notícia chegou como uma bandeirada preta direto no box da AJ Foyt Enterprises. Caio Collet, o estreante brasileiro que havia cravado um tempo suficiente para figurar no Top 10 da qualificação da Indy 500, foi desclassificado pela direção de prova da IndyCar após a inspeção técnica pós-classificação. O carro número 4 foi reprovado. A causa? Modificações não autorizadas nas coberturas do Sistema de Gerenciamento de Energia, o EMS.

O que os comissários encontraram no carro de Collet

A infração técnica detectada no carro de Collet envolve dois pontos específicos: as coberturas do EMS e os pontos de montagem no braço de suspensão, ambos utilizando componentes não aprovados pelo regulamento. A norma da IndyCar é objetiva — o EMS deve ser utilizado exatamente como fornecido pela Dallara, sem qualquer alteração nas peças de fixação. As capas do sistema só podem ser presas com os componentes originais e fita helicóptero. Nada além disso. Seria quase cômico chamar de detalhe o que custou um lugar no grid — mas é uma tragédia em escala de oval.

O que os comissários encontraram no carro de Collet Collet estava no Top 10 e fo
O que os comissários encontraram no carro de Collet Collet estava no Top 10 e fo

Collet não foi o único penalizado. O carro número 24 da Dreyer e Reinbold Racing, pilotado por Jack Harvey, recebeu exatamente a mesma punição pelo mesmo motivo regulamentar. Ambos os pilotos tiveram seus tempos anulados e foram realocados para as últimas posições do grid de largada, ordenados pelos pontos de suas equipes no campeonato. Além disso, os dois perderam o direito de escolha dos boxes, sendo os últimos a selecionar suas posições.

O impacto direto na pontuação do campeonato Collet estava no Top 10 e foi parar
O impacto direto na pontuação do campeonato Collet estava no Top 10 e foi parar

O impacto direto na pontuação do campeonato

A consequência imediata na tabela foi a perda dos três pontos de qualificação que Collet havia conquistado ao avançar para o Top 12. Com a desclassificação, Scott Dixon, no carro número 9, e Rinus VeeKay, no carro número 76, herdaram os pontos equivalentes ao décimo e décimo primeiro lugares da sessão classificatória. Segundo o acompanhamento do SportNavo, a redistribuição de pontos nesse formato pode parecer marginal no início da temporada, mas em um campeonato onde a Indy 500 distribui pontuação dobrada, cada posição perdida na grade carrega peso real na disputa geral.

Nas palavras de representantes da AJ Foyt Enterprises, a equipe estuda acionar os procedimentos de recurso previstos pelo regulamento da IndyCar para contestar a punição. A categoria permite esse tipo de contestação, e o prazo para apresentação do recurso ainda não havia expirado no momento da publicação desta matéria.

Como Collet pode virar o jogo antes da largada

Partir do fim do grid em Indianápolis não é sentença de morte — a Indy 500 tem 200 voltas e o oval de 4 quilômetros produz reviravoltas que nenhum simulador consegue antecipar. O histórico da prova registra vencedores que largaram fora do Top 10, e a estratégia de pit stop em corridas de longa duração pode reposicionar um carro competitivo ao longo das primeiras 100 voltas. O que Collet precisa, agora, é de um carro sem irregularidades e de uma estratégia agressiva nas janelas de abastecimento.

O recurso da AJ Foyt é a primeira batalha a ser vencida. Se a equipe conseguir reverter a punição antes da corrida, o brasileiro volta ao grid na posição que conquistou em pista. Caso contrário, a largada será das últimas fileiras, e o desafio técnico passa a ser gerenciar pneus e combustível de forma mais eficiente do que os rivais da frente. A Indy 500 está marcada para o dia 25 de maio — vale gravar o horário e acompanhar o desfecho do recurso nas próximas horas, porque a posição de largada de Collet ainda pode mudar antes da bandeirada verde.