2 a 0 sobre a Croácia. Esse placar, construído no último amistoso da Copa do Mundo, é o número que resume o momento da Bélgica antes de entrar em campo neste sábado (6) contra a Tunísia. Não é um resultado qualquer: a Croácia foi vice-campeã mundial em 2018 e semifinalista em 2022. Bater os croatas com folga, na reta final de preparação, coloca os Diabos Vermelhos entre os candidatos a surpreender no Grupo G, ao lado de Egito, Irã e Nova Zelândia.
O número 2 a 0 que muda o peso do amistoso no King Baudouin
O duelo acontece às 10h (horário de Brasília), no King Baudouin Stadium, em Bruxelas, com transmissão ao vivo do SporTV. O técnico Rudi Garcia tem à disposição nomes como Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Yannick Carrasco e Jeremy Doku — uma geração que carrega a tatuagem de 2018, quando chegou ao terceiro lugar no Mundial da Rússia. A provável escalação aposta em Thibaut Courtois na meta, Theate e Ngoy na zaga, e De Bruyne como motor criativo no meio-campo. Doku e Trossard completam o setor ofensivo ao lado de De Ketelaere.
O que para o inglês é treino de bola parada antes de um jogo importante, para o belga é roteiro de final de campeonato — a cultura do detalhe tático está no DNA do futebol europeu continental, e Garcia cobra isso com rigidez. O amistoso desta tarde não é exercício de ritmo: é ensaio geral com elenco titular.
"A Bélgica chega embalada pela boa sequência recente e tenta confirmar o favoritismo diante de sua torcida", registrou a cobertura pré-jogo do portal Terra.
A estreia oficial dos belgas no Mundial está marcada para 15 de junho, segunda-feira, contra o Egito, no Lumen Field, em Seattle. O calendário é apertado: menos de dez dias separam este amistoso do jogo que pode definir o tom da campanha na fase de grupos.
Tunísia vem de derrota para a Áustria e precisa de resposta imediata
Do outro lado, o cenário é de maior pressão. A Tunísia perdeu por 1 a 0 para a Áustria no último compromisso — derrota magra no placar, mas que acende alertas no sistema defensivo. O técnico Sabri Lamouchi deve escalar Chamakh no gol, com Talbi, Rekik e Abdi na defesa. No meio, Ellyes Skhiri é a referência de marcação e distribuição. No ataque, Aïssa Laïdouni e Hannibal Mejbri são as apostas de criatividade.
A Tunísia integra o Grupo F, com Holanda, Japão e Suécia. A estreia acontece em 14 de junho, domingo, contra os suecos, no Estadio BBVA, em Monterrey, no México. O adversário da primeira rodada já diz tudo sobre o nível de exigência: a Suécia é uma equipe organizada, física e com experiência em grandes torneios. Perder para a Bélgica hoje seria ruim; entrar mal nos 90 minutos seria pior.
"Os tunisianos estão classificados para a Copa do Mundo e pretendem utilizar o amistoso para aprimorar o sistema defensivo e ganhar confiança antes da estreia no torneio", conforme avaliação da equipe de cobertura pré-Copa.
A Tunísia tem histórico recente de atuações sólidas contra seleções europeias. Na Copa de 2022, no Qatar, eliminou a fase de grupos com dignidade e chegou a superar a França — campeã em 2018 — no último jogo da fase classificatória, em vitória por 1 a 0, embora já estivesse eliminada. A capacidade de organização defensiva existe. O problema é transformá-la em consistência ao longo de uma campanha.
O que cada seleção precisa mostrar antes da estreia no Mundial
A Bélgica tem pontos fortes claros: profundidade de elenco, qualidade individual acima da média e um meio-campo com De Bruyne capaz de ditar o ritmo contra qualquer adversário. O calcanhar de Aquiles histórico é a conversão de domínio em gols — nas Copas de 2014 e 2018, os Diabos Vermelhos produziram muito, mas vacilaram nos momentos decisivos. O 2 a 0 sobre a Croácia sugere que Garcia ajustou a eficiência ofensiva.
Para a Tunísia, o amistoso serve como termômetro real. Medir forças contra a Bélgica — com De Bruyne e Lukaku em campo — é o teste mais próximo do que o Grupo F pode oferecer, especialmente diante de uma Holanda com Virgil van Dijk e Cody Gakpo. Sair de Bruxelas com uma derrota controlada, sem desorganização tática, já seria resultado aceitável. Conseguir um empate seria combustível psicológico para o Mundial.
- Bélgica — força: criatividade de De Bruyne e poder de fogo de Lukaku; fragilidade: transição defensiva em jogos de alta intensidade.
- Tunísia — força: organização defensiva e disciplina tática; fragilidade: pouca produção ofensiva fora de casa contra seleções do top 20.
Rudi Garcia tem em mãos o elenco mais completo da história recente da Bélgica. O amistoso desta manhã é a última janela para testar combinações antes de Seattle. Se De Bruyne e Lukaku funcionarem juntos com a mesma fluidez do jogo contra a Croácia, os Diabos Vermelhos chegam ao Grupo G como a ameaça mais concreta do chaveamento — e o confronto do dia 15 contra o Egito já começa a ser escrito hoje, no King Baudouin Stadium.









