Um vídeo curto, publicado nas redes sociais sem cerimônia de coletiva ou despedida formal. Nele, um jovem de 19 anos, em frente à câmera, admite que chegou ao clube em um momento difícil. Só na segunda frase fica claro de quem se trata: Endrick se despediu do Lyon com a frase que resume os últimos quatro meses da carreira dele.

"Me tornei um leão. Cheguei num momento difícil, fiz o contrário do que a expressão diz — não matei um leão por dia, virei um."

O atacante brasileiro foi emprestado pelo Real Madrid ao clube francês em janeiro de 2026, quando acumulava apenas minutos esparsos no Bernabéu. A saída foi pragmática: Endrick precisava de ritmo de jogo, e o Lyon precisava de um atacante com perfil de área para a reta final da temporada.

Os números que Endrick construiu no Stade de Gerland

Em 21 partidas disputadas pelo Campeonato Francês, Copa da França e Liga Europa, Endrick registrou oito gols e oito assistências — 16 participações diretas em gols no total. O aproveitamento coletivo foi de 10 vitórias, cinco empates e seis derrotas nos jogos em que ele esteve em campo.

Os números que Endrick construiu no Stade de Gerland Como quatro meses em Lyon t
Os números que Endrick construiu no Stade de Gerland Como quatro meses em Lyon t

O dado mais relevante do ponto de vista institucional: o Lyon não disputava a fase eliminatória da Champions League desde a temporada 2019/20. Com Endrick no elenco na segunda metade da temporada 2025/26, o clube francês garantiu a classificação. Para o mercado, esse resultado tem impacto direto na receita do Lyon — a participação nas fases de grupos da Champions pode gerar entre €20 milhões e €25 milhões em cotas de distribuição da UEFA.

Na avaliação do SportNavo, a relação custo-benefício do empréstimo foi favorável para os três lados: o Lyon ganhou desempenho esportivo e receita futura, o Real Madrid preservou o valor de mercado do jogador — estimado em €45 milhões pelo Transfermarkt antes do empréstimo — e Endrick recuperou minutagem, confiança e espaço na seleção brasileira.

Como Endrick recuperou o lugar na Seleção Brasileira

Antes do empréstimo, Endrick havia perdido espaço no elenco convocado por Carlo Ancelotti para a Seleção. Com o desempenho no Lyon, o técnico italiano voltou a chamá-lo — e o atacante entrou na lista de 26 convocados para a Copa do Mundo.

"Carrego mais bagagem. Estou mais forte para a viagem mais longa", disse Endrick no vídeo de despedida ao Lyon.

A metáfora da bagagem não é só poética. Taticamente, Endrick passou a atuar em uma função híbrida no Lyon: arrancava pela direita, cortava para o meio e finalizava com o pé esquerdo — um movimento que, tecnicamente, lembrava uma correnteza estreita que dobra em ângulo fechado antes de ganhar velocidade, difícil de antecipar para qualquer zagueiro que não esteja adiantado na linha. Esse padrão de jogo foi registrado em pelo menos seis dos oito gols marcados na temporada francesa.

No plano pessoal, Endrick e a mulher, Gabriely Miranda, souberam da gravidez enquanto estavam em Lyon. O filho do casal será o primeiro nascido fora do Brasil.

O contrato que espera Endrick no Real Madrid

Endrick chegou ao Real Madrid em julho de 2024 com contrato válido até junho de 2030 — seis anos de vínculo, com salário estimado em €3 milhões anuais líquidos, segundo informações do jornal espanhol Marca à época da assinatura. A cláusula de rescisão foi fixada em €1 bilhão, padrão para jovens contratados pelo clube madridista.

O empréstimo ao Lyon não alterou esses termos. Endrick retorna à equipe merengue com o mesmo contrato, mas em posição hierárquica diferente: na primeira metade da temporada 2025/26, disputava espaço com Kylian Mbappé, Vinicius Jr. e Rodrygo nas posições ofensivas. A concorrência permanece, mas o histórico de gols e assistências no Lyon oferece argumentos concretos para Ancelotti incluí-lo em rotações mais frequentes.

O retorno está previsto para a pré-temporada, após a Copa do Mundo. A competição começa em junho de 2026, e o Real Madrid normalmente retoma os treinos em julho. Endrick terá aproximadamente seis semanas de janela entre o encerramento do Mundial e o início da pré-temporada para negociar seu espaço dentro do elenco.

O que Endrick precisa provar a Ancelotti na pré-temporada

Na temporada 2025/26, antes do empréstimo, Endrick somou menos de 400 minutos em campo pelo Real Madrid em todas as competições — média inferior a 30 minutos por partida. A questão não era técnica, mas de encaixe tático: Ancelotti utilizava um 4-3-3 com Mbappé centralizado, o que reduzia o espaço para um segundo centroavante.

O Lyon jogou com Endrick em posição mais aberta, o que pode ser o argumento para que Ancelotti o utilize como extremo direito em jogos de rotação da La Liga ou da Champions. A janela de transferências de verão europeu — que abre em julho de 2026 — pode redefinir o elenco merengue, especialmente se houver saída de algum dos atacantes titulares.

Com passaporte europeu ainda em processo de obtenção, Endrick segue registrado como jogador extracomunitário no Real Madrid — o que limita sua inscrição em determinadas listas de competição. Esse ponto burocrático, e não apenas o desempenho em campo, será determinante para saber se ele entra ou não no plano de Ancelotti para a temporada 2026/27.

A pergunta concreta para as próximas semanas: se o Real Madrid receber uma proposta de €60 milhões ou mais por Endrick durante a janela de julho, o clube espanhol venderia o atacante ou manteria o vínculo até 2030?