A final da Copa do Rei entre Atlético de Madrid e Real Sociedad, neste sábado (18), às 16h, no La Cartuja, promete ser um confronto de filosofias opostas. De um lado, a defesa mais sólida do campeonato espanhol, comandada por Diego Simeone. Do outro, o futebol posicional da equipe basca, que mantém média de 60% de posse de bola na temporada.

A máquina defensiva de Simeone contra o domínio territorial basco

O Atlético de Madrid chega à decisão com números defensivos impressionantes: apenas 18 gols sofridos em 25 jogos da La Liga, consolidando-se como a defesa menos vazada do torneio. O sistema tático de Simeone, tradicionalmente baseado no 4-4-2 compacto, prioriza a ocupação dos espaços centrais e a pressão coordenada após a perda da bola.

Em contrapartida, a Real Sociedad de Imanol Alguacil aposta no controle territorial através do 4-3-3, com Mikel Merino e Martín Zubimendi ditando o ritmo no meio-campo. Segundo levantamento do SportNavo, os bascos registram 542 passes corretos por partida, contra 389 do Atlético, evidenciando estilos diametralmente opostos.

O último confronto entre as equipes, em janeiro no Anoeta, terminou 1-1 com claro domínio da Real Sociedad nos números de posse (65%) e finalizações (14 contra 8). Alexander Sorloth marcou para o Atlético aos 50 minutos, mas Gonçalo Guedes empatou cinco minutos depois, mostrando a eficácia dos colchoneros nas transições rápidas.

Chaves táticas para neutralizar o jogo posicional

A estratégia de Simeone historicamente se baseia em três pilares fundamentais: bloco médio-baixo, pressing coordenado e transições verticais. Contra equipes que privilegiam a posse, como a Real Sociedad, o técnico argentino costuma intensificar a marcação nos terços intermediários, forçando passes laterais e impedindo a progressão central.

Antoine Griezmann, peça-chave no sistema atlético, atua como falso 9 para comprimir os espaços entre linhas, dificultando as combinações de Oyarzabal e Take Kubo nas meias-luas. A dupla de volantes formada por Rodrigo De Paul e Pablo Barrios tem como missão principal anular Zubimendi, cérebro da criação basca.

Na análise do SportNavo, a Real Sociedad sofre maior dificuldade quando impedida de construir pelo meio. Em partidas onde registrou menos de 55% de posse na temporada, a equipe venceu apenas 40% dos jogos, contra 70% quando mantém o controle territorial acima dessa marca.

Pontos fortes e vulnerabilidades de cada sistema

O Atlético demonstra maior eficiência nas bolas paradas, área onde Simeone explora a estatura de José María Giménez e Stefan Savic. Dos 38 gols marcados na La Liga, 11 saíram de situações de bola parada, aproveitamento de 28,9% que pode ser decisivo em jogo único.

Já a Real Sociedad apresenta vulnerabilidade nas transições defensivas, especialmente quando Aihen Muñoz e Hamari Traore sobem para apoiar o ataque. Sorloth e Julián Alvarez possuem velocidade para explorar os espaços deixados pelos laterais bascos, como demonstrado no 3-2 de março no Metropolitano.

"Sabemos que é uma final e nesses jogos a intensidade e os detalhes fazem a diferença. Vamos estar preparados", declarou Simeone em entrevista coletiva na véspera da partida.

O fator experiência também pesa favoravelmente aos colchoneros. Esta é a primeira final de Copa do Rei da Real Sociedad desde 2020, enquanto o Atlético acumula maior tradição em decisões, com 10 títulos conquistados na competição.

Prognóstico tático para a decisão

A tendência é que Simeone escale linha de cinco defensores, com Reinildo atuando como terceiro zagueiro para anular Kubo pela direita. Marcos Llorente deve ser deslocado para ala-direito, explorando sua velocidade nas transições e ajudando na marcação de Muñoz.

Para a Real Sociedad, Imanol Alguacil pode apostar na entrada de Brais Méndez no lugar de Sheraldo Becker, buscando maior criatividade no meio-campo para romper o bloco defensivo atlético. A chave do jogo estará na capacidade basca de manter paciência na construção, evitando passes apressados que alimentem os contra-ataques madrilenhos.

O histórico recente favorece amplamente o Atlético: são 10 jogos de invencibilidade contra a Real Sociedad, com seis vitórias e quatro empates. A última derrota rojiblanca no confronto direto ocorreu em setembro de 2019, demonstrando a supremacia tática de Simeone sobre os comandados de Alguacil.

A final da Copa do Rei será disputada neste sábado, às 16h, no estádio La Cartuja, em Sevilha, com transmissão ao vivo pela ESPN 4 e Disney+. O vencedor garantirá vaga na próxima edição da Liga Europa.