R$ 42 milhões em dívidas com o próprio atleta no colo e, ainda assim, o Corinthians quer renovar com Memphis Depay sem desembolsar um centavo sequer de salário. Esse é o cenário que se desenha nos bastidores do clube alvinegro, que montou uma estratégia inédita para segurar o camisa 10 holandês além de junho de 2025, quando seu vínculo atual expira. A ideia central é transferir 100% do custo salarial da renovação para parceiros comerciais externos — e o clube já teria metade do caminho andado.
Um parceiro no bolso, outro na mira
Segundo apuração do SportNavo junto a fontes ligadas à diretoria alvinegra, o Corinthians já tem uma empresa apalavrada para arcar com 50% do salário de Memphis Depay em um eventual contrato renovado. O detalhe revelador: essa empresa exigiu anonimato até que o clube feche com um segundo parceiro para cobrir a outra metade. Ou seja, nenhuma das duas partes quer aparecer sozinha nesse acordo — o que expõe a fragilidade financeira do projeto e a dependência do clube em relação a terceiros para viabilizar a continuidade de seu principal jogador.
Nas palavras de dirigentes do Corinthians ouvidos nos bastidores,
"o clube só aceita renovar com Memphis caso o salário do holandês seja integralmente bancado por parceiros."Essa postura não é capricho administrativo — ela nasce de uma equação financeira brutal. O Timão acumula uma dívida de R$ 42 milhões com o próprio Memphis, referente a bonificações contratuais e premiações não pagas durante a vigência do contrato atual.
O peso real de R$ 42 milhões parcelados
A intenção do clube é negociar esse passivo diretamente com o jogador, diluindo os R$ 42 milhões em parcelas mensais. Se Memphis aceitar receber em dez vezes, por exemplo, o Corinthians já terá um compromisso fixo superior a R$ 4 milhões por mês com ele — e isso antes de qualquer centavo de salário novo. Colocar os dois custos sobre o caixa do clube ao mesmo tempo seria financeiramente insustentável para uma instituição que ainda lida com as sequelas do período de endividamento pesado dos anos anteriores.
É dentro dessa lógica que a renovação via patrocínio faz sentido. O raciocínio da cúpula alvinegra é direto: se o salário for coberto integralmente por empresas parceiras, o clube apenas administra a dívida histórica com o atleta, sem adicionar novo passivo salarial ao balanço. A modelagem, segundo fontes próximas às negociações, prevê contrato de um ano e meio a dois anos de duração — prazo suficiente para o holandês completar um ciclo relevante no futebol brasileiro.
Memphis na Arábia e o mercado que circula ao redor
O contexto de mercado pressiona a decisão. Memphis Depay, aos 31 anos, ainda desperta interesse internacional. O mesmo movimento de clubes sauditas que, segundo o jornal Mundo Deportivo, mira Raphinha — com contrato no Barcelona até 2028 e avaliado em cifras próximas a 90 milhões de euros em proposta anterior — reflete o apetite do futebol do Golfo por nomes de vitrine. Memphis, embora em posição contratual diferente, entra nessa mesma lógica de mercado: atletas com salários elevados e nome reconhecido globalmente, que podem receber propostas que o Corinthians jamais conseguiria igualar.
Conforme levantamento do SportNavo, o clube paulista sabe disso e usa a variável do mercado árabe como termômetro para calibrar a urgência da renovação. Se uma oferta concreta chegar para Memphis antes de o segundo parceiro ser fechado, a janela de negociação pode fechar abruptamente — e o Corinthians perderia o jogador sem receber nada, já que o contrato vence em junho.
O próximo passo é encontrar o segundo nome
A corrida agora é contra o relógio e contra o próprio modelo de negócio. O Corinthians precisa apresentar ao primeiro patrocinador — aquele que já está apalavrado — um segundo parceiro disposto a bancar os outros 50% do salário. Somente com os dois contratos assinados o clube sentará com Memphis para oficializar a renovação.
"A cúpula alvinegra deixa claro nos bastidores que não há renovação sem que o pacote financeiro esteja completamente fechado", segundo dirigentes que acompanham as tratativas.
O prazo é curto. Com o contrato de Memphis encerrando em junho de 2025, as próximas semanas são decisivas para que o Corinthians apresente uma proposta formal ao atacante. Se o segundo parceiro for anunciado ainda em maio, o clube terá tempo hábil para sentar à mesa e fechar os detalhes — incluindo a negociação dos R$ 42 milhões em aberto. Sem esse segundo nome, a renovação não acontece, e Memphis Depay deixa a Neo Química Arena como agente livre, podendo assinar com qualquer clube do mundo sem custo de transferência.









