O Corinthians transformou uma dívida de R$ 18 milhões com o Cuiabá em modelo de gestão financeira responsável. O clube paulista está quitando regularmente as parcelas referentes à contratação do volante Raniele, contrastando com o comportamento de Santos e Grêmio, que acumulam débitos significativos com a agremiação mato-grossense.

Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, confirmou o pagamento pontual do Corinthians em entrevista após a vitória contra o Goiás no último domingo. A dívida original superava os R$ 18 milhões quando os pagamentos foram iniciados em 2024.

"A gente está recebendo do Corinthians, inclusive recebemos uma parcela nesta sexta-feira", afirmou Dresch.

Santos mantém postura irresponsável com débito idêntico

O Santos deve exatos R$ 18 milhões ao Cuiabá, mesmo valor que o Corinthians conseguiu renegociar. A diferença está na abordagem: enquanto o Timão estabeleceu cronograma de pagamentos, o Peixe impugnou judicialmente o valor cobrado e não efetua os repasses.

Segundo apuração do SportNavo, a diretoria santista discorda de determinados valores incluídos na cobrança e aguarda decisão judicial para realizar possível pagamento. Essa postura gerou críticas diretas do dirigente cuiabano.

"O Santos nos deve 18 milhões de reais e continua com um comportamento irresponsável. Um clube como o Cuiabá ter 18 milhões a receber de uma equipe que está gastando sem responsabilidade nenhuma é um absurdo", declarou Dresch.

O presidente revelou que precisou reduzir custos operacionais do Cuiabá para equilibrar as contas enquanto aguarda os recebimentos dos clubes devedores.

Grêmio acumula R$ 800 mil em atraso histórico

O Grêmio possui débito menor mas igualmente problemático: R$ 800 mil em atraso com o Cuiabá. O clube gaúcho sugeriu parcelamento em duas vezes mas não cumpriu os prazos estabelecidos, mantendo o valor em aberto há muito tempo.

A situação se agrava porque o Tricolor continua realizando investimentos no elenco enquanto mantém pendências financeiras com outros clubes. Dresch criticou essa política de gastos sem responsabilidade fiscal.

"O Grêmio nos deve 800 mil reais, há muito tempo não paga, sugere parcelamento em duas vezes e continua gastando, gastando", protestou o dirigente.

CNRD precisa agir com mais energia

O presidente do Cuiabá cobrou atuação mais enérgica da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão da CBF responsável por resolver conflitos entre clubes brasileiros. A demora nas decisões prejudica especialmente agremiações menores que dependem desses recursos.

Dresch destacou que sua responsabilidade pessoal está em jogo, diferentemente de dirigentes de clubes maiores que não arcam com as consequências dos débitos acumulados.

O Fair Play Financeiro brasileiro ainda carece de instrumentos eficazes para coibir gastos irresponsáveis de clubes endividados. O modelo adotado pelo Corinthians - cronograma de pagamentos respeitado integralmente - demonstra que é possível conciliar investimentos no futebol com responsabilidade fiscal.

As próximas parcelas do acordo entre Corinthians e Cuiabá estão programadas para os próximos meses, mantendo o clube paulista como referência positiva em quitação de débitos interclubes no futebol brasileiro.