O debate sobre o protagonismo na Seleção Brasileira ganha contornos cada vez mais intensos conforme se aproxima a Copa do Mundo de 2026. Enquanto Vinicius Junior enfrenta críticas pesadas sobre seu rendimento com a amarelinha, a figura de Neymar volta a ser discutida, gerando opiniões divididas entre especialistas e torcedores.

Craque Neto não poupou palavras ao avaliar o momento do camisa 7 do Real Madrid na Seleção. Durante seu programa "Os Donos da Bola", da Band, o apresentador questionou diretamente a capacidade de liderança do jogador quando veste a camisa nacional.

"Ele não joga na Seleção como no Real Madrid porque ele não aguenta, não tem personalidade. Não pega a bola, não dribla ninguém e tem medo", disparou Craque Neto.

A comparação com seus próprios números na Seleção ilustra a dureza da crítica. Neto relembrou que marcou sete gols em 26 jogos pela amarelinha, enquanto Vini Jr. soma oito tentos, mas com desempenhos questionados nos momentos decisivos.

O fantasma de Neymar assombra o ambiente da Seleção

Paralelamente às críticas a Vinicius Junior, o nome de Neymar volta a circular com força nos debates sobre a Copa de 2026. O atacante do Santos, aos 32 anos, tem enfrentado questionamentos sobre sua condição física e mental para representar o país novamente.

Em desabafo recente, Neymar revelou o peso psicológico de jogar pelo Brasil, expondo a pressão que sente diariamente.

"É um preço ser jogador, é difícil, porque no Brasil é muito massacrante. A galera te massacra demais. Eles não entendem que você é uma pessoa normal", declarou o camisa 10 santista.

O jogador ainda completou sua reflexão sobre os desafios de ser um ídolo nacional: "Tenho os mesmos sentimentos que você, eu também sofro, eu sinto dor, acordo de mau humor, eu choro, fico bravo, fico feliz, normal. Por que não posso fazer as coisas normais?"

Juca Kfouri fecha a porta para retorno de Neymar

Do outro lado do debate, o jornalista Juca Kfouri se posicionou de forma categórica contra a convocação de Neymar para a próxima Copa do Mundo. Em participação no UOL, ele foi direto ao tratar do assunto.

"Eu quero que o Neymar vá para a Copa. Como turista, evidentemente. Só não quero ele na Seleção Brasileira", afirmou Kfouri.

O jornalista fundamentou sua posição com argumentos sobre a condição física atual do jogador e as exigências do futebol moderno. Segundo Kfouri, "pensar no Neymar é ter um desejo de uma coisa que já acabou", comparando a situação com outros ídolos do passado como Sócrates, Zico e Pelé.

Ancelotti busca equilíbrio em meio às pressões

Enquanto os debates se intensificam na mídia e entre torcedores, Carlo Ancelotti trabalha para encontrar o melhor aproveitamento do elenco disponível. O técnico italiano tem testado diferentes formações, incluindo cinco mudanças planejadas para o confronto contra a Croácia.

João Pedro, atacante do Chelsea, defendeu o nível técnico da atual geração, fazendo comparações com times históricos do Brasil.

"Acredito que, antigamente, tinha Ronaldo, Ronaldinho, Romário, mas, se você ver no futebol de hoje, o Brasil tem jogadores assim. O Brasil tem o Vinícius, no Real Madrid, o Raphinha, no Barcelona", avaliou o centroavante.

O jogador também reconheceu que o entrosamento entre atletas que atuam em diferentes países europeus representa um desafio constante para a comissão técnica.

A pressão pelo hexacampeonato intensifica cobranças

O jejum de títulos mundiais desde 2002 amplia exponencialmente a pressão sobre cada decisão relacionada à Seleção. A busca pelo sexto título mundial coloca sob microscópio tanto as escolhas técnicas quanto o rendimento individual dos convocados.

Neymar demonstrou consciência sobre essa pressão ao revelar seus receios físicos em jogos recentes pelo Santos. Durante reunião com sua equipe de preparação física, ele admitiu ter sentido medo no clássico contra o Corinthians, evidenciando como questões psicológicas e físicas se entrelaçam.

A discussão sobre liderança na Seleção reflete uma questão mais ampla sobre a necessidade de um protagonista claro. Enquanto Vini Jr. busca reproduzir com a amarelinha o brilho demonstrado no Real Madrid, Neymar lida com as consequências de suas escolhas de carreira e os questionamentos sobre sua capacidade de retorno ao mais alto nível.

O próximo teste será contra a Croácia, nesta terça-feira, em Orlando, quando Ancelotti deve promover as mudanças planejadas e observar como os jogadores respondem às pressões externas em campo.