Domingo, 10 de maio de 2026. E o Cruzeiro voltou a fazer o que sabe melhor: vencer uma final da Superliga Masculina sem deixar o adversário respirar. Diante do Vôlei Renata Campinas, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, a equipe comandada por Filipe Ferraz aplicou um categórico 3 a 0 e conquistou o bicampeonato consecutivo da competição, reforçando uma trajetória de dominância que poucos clubes do vôlei mundial conseguem sustentar por tanto tempo.

O Ibirapuera como palco de uma decisão sem suspense

A partida desta manhã seguiu o roteiro que o Cruzeiro vinha escrevendo ao longo de toda a campanha nos playoffs: eficiência no saque, bloqueio coletivo bem posicionado e aproveitamento superior no ataque. Nenhum dos três sets foi disputado de forma equilibrada — o time celeste manteve a vantagem do primeiro ao último ponto, sem oferecer ao Campinas a brecha necessária para uma virada ou mesmo para forçar um set mais longo. Segundo o técnico Filipe Ferraz, o grupo entrou em quadra com foco total desde o aquecimento.

"Preparamos cada detalhe desta semana para que a final fosse nossa desde o primeiro set. O grupo estava maduro, confiante e com fome de título", declarou Ferraz após o apito final no Ibirapuera.

O Ginásio do Ibirapuera, que já recebeu grandes decisões do vôlei nacional, mais uma vez foi palco de uma celebração celeste. A torcida do Cruzeiro ocupou boa parte das arquibancadas e acompanhou cada ponto com intensidade, criando um ambiente que contrastou com o silêncio da delegação campineira ao fim da partida.

Dois títulos seguidos e o peso dos números na história celeste

Com este bicampeonato, o Cruzeiro consolida uma sequência que poucos clubes do vôlei masculino brasileiro alcançaram: dois títulos consecutivos da Superliga, repetindo a conquista da temporada 2024/25. O clube mineiro acumula agora dez títulos da competição — número que o coloca isolado como maior campeão da história da Superliga Masculina. Para se ter dimensão, o Campinas, segundo colocado histórico em finais recentes, chegou à decisão pela segunda vez seguida sem conseguir converter em título. Nos dados levantados pelo SportNavo ao longo da temporada 2025/26, o Cruzeiro apresentou o melhor índice de aproveitamento no saque entre todas as equipes da fase classificatória, com 14,3% de aces por set — número que se manteve elevado na fase decisiva.

"Esse grupo tem algo especial. A gente não se contenta com uma taça, a gente quer mais. Dois seguidos é prova de consistência, não de sorte", afirmou um dos capitães celestes no vestiário após a conquista.

Dominante. É a palavra que melhor define o Cruzeiro nesta era da Superliga.

A decisão tática que Filipe Ferraz tomou antes mesmo de a bola subir

Nos bastidores, a preparação para a final começou ainda na semana anterior à partida, com Filipe Ferraz optando por preservar os principais atacantes nos treinos de terça e quarta-feira para garantir frescor físico na decisão. A escolha se mostrou acertada: o time entrou em quadra no Ibirapuera com ritmo alto desde o primeiro set e não demonstrou queda de rendimento ao longo dos três parciais. O bloqueio celeste, fundamento que o treinador priorizou desde a fase de grupos, foi determinante para neutralizar as principais armas ofensivas do Campinas. Com o segundo título consecutivo garantido, o clube mineiro já projeta a próxima temporada com o objetivo de manter o elenco base e buscar o tricampeonato inédito na era moderna da Superliga — algo que nenhuma equipe masculina brasileira conseguiu nas últimas duas décadas.