Trinta e dois pontos marcados contra apenas 13 no último quarto. Foi com essa avalanche ofensiva que o Cruzeiro desmontou o Minas na noite desta sexta-feira, no Ginásio Dona Salomé, vencendo por 97 a 81 e empatando em 1 a 1 a série das oitavas de final do NBB. O protagonista da virada foi o pivô Da Silva, que terminou a partida com 29 pontos, 14 rebotes e 4 assistências — um double-double que remete aos grandes jogadores da posição que definiram títulos do basquete brasileiro nas últimas duas décadas.

Um quarto que mudou o jogo

O roteiro do confronto foi de reviravolta clássica. O Cruzeiro arrancou melhor no primeiro quarto, vencendo a parcial por 31 a 21, mas o Minas reagiu com força no segundo período, dominando por 29 a 12 e virando o placar para 50 a 43 no intervalo. O terceiro quarto foi de equilíbrio — 22 a 18 para o Cruzeiro —, e foi então que Da Silva e seus companheiros impuseram sua lei física sobre os adversários, convertendo o período final em 32 a 13 para selar a vitória. Séries de playoffs no NBB costumam ter esse ritmo irregular nas duas primeiras partidas; a história do torneio mostra que quem vence o jogo 2 em casa carrega um peso psicológico considerável para o restante da disputa.

Da Silva e o peso do pivô brasileiro no NBB

A performance de Da Silva nesta sexta não foi um acidente estatístico. O pivô nacional reuniu em uma única partida o volume de pontuação, a dominância no garrafão com 14 rebotes e ainda a visão de jogo suficiente para distribuir 4 assistências — combinação rara para a posição no basquete brasileiro contemporâneo. Para se ter um paralelo histórico: Olivinha, um dos maiores pivôs da história do NBB, construiu sua lenda exatamente nessa capacidade de ser pivô e distribuidor ao mesmo tempo, além de liderar o Unitri nos anos 2000. Conforme levantamento do SportNavo sobre os confrontos diretos entre Cruzeiro e Minas nas edições recentes do NBB, partidas com um pivô dominante tendem a definir o desfecho das séries curtas — e Da Silva se posiciona agora como o fator X desta oitava de final.

Da Silva e o peso do pivô brasileiro no NBB Da Silva brilha com double-double e
Da Silva e o peso do pivô brasileiro no NBB Da Silva brilha com double-double e
"Nas palavras de Da Silva após a partida, a vitória foi construída coletivamente, mas a consciência de que o grupo precisava impor seu jogo físico no último quarto foi determinante para a reação."

O americano Isaac Thornton foi o segundo protagonista da noite com 21 pontos, 6 rebotes e 4 assistências. A dupla Da Silva-Thornton formou uma combinação interna-externa que o Minas não conseguiu resolver defensivamente nos momentos decisivos. O histórico de estrangeiros no NBB mostra que, quando o brasileiro de referência eleva seu nível, o importado tende a encontrar mais espaço — e foi exatamente isso que se viu no Ginásio Dona Salomé.

O contexto da rivalidade mineira nos playoffs

Cruzeiro e Minas protagonizam um dos derbies mais ricos do basquete nacional. O clássico mineiro no NBB já produziu séries históricas, com o Minas historicamente levando vantagem nas edições anteriores do torneio, especialmente nas temporadas em que o time de Belo Horizonte chegou a finais nacionais. A análise do SportNavo aponta que o Cruzeiro, quando consegue equilibrar produção interna com mobilidade periférica, tem capacidade de superar adversários mais experientes em séries curtas — e a atuação desta sexta-feira é exatamente o modelo que o time precisa replicar. O detalhe tático que chama atenção: o Cruzeiro foi superior nos rebotes ofensivos, gerou segundas chances e transformou essas posses em pontos no pinturinha que o Minas simplesmente não teve resposta.

"A série está viva e é exatamente o que esperávamos de dois times com essa história no basquete mineiro", segundo a avaliação de membros da comissão técnica cruzeirense após o apito final.

O que esperar do jogo 3 no domingo

Com a série empatada em 1 a 1, o jogo 3 se torna o mais importante da disputa. Cruzeiro e Minas voltam a se enfrentar no Ginásio Dona Salomé, no domingo, às 11h30, com o time da casa buscando abrir vantagem pela primeira vez na série. Quem vencer o terceiro confronto assume o controle emocional e estatístico da disputa — historicamente, no NBB, equipes que abrem 2 a 1 em séries de melhor de cinco fecham a classificação em mais de 70% dos casos. Da Silva precisará manter o nível de eficiência que demonstrou nesta sexta; com 29 pontos e duplo-duplo, ele entregou uma das melhores atuações individuais desta fase do torneio. O vencedor desta série enfrentará o classificado do confronto entre Unifacisa e Corinthians — time que bateu os paulistas por 79 a 69 nesta mesma rodada de oitavas.