A última Data FIFA antes do mergulho definitivo rumo à Copa do Mundo de 2026 funcionou como uma vitrine definitiva do cenário mundial, e posso afirmar, com a autoridade de quem acompanha essas competições desde a era Zagallo, que raramente vi uma demonstração tão clara de hierarquia entre as seleções. A França de Didier Deschamps emergiu como a grande protagonista destes jogos preparatórios, exibindo um futebol que me remeteu aos melhores momentos dos Bleus que vi com meus próprios olhos conquistarem a Copa de 1998 em solo francês, quando Zidane conduziu uma geração dourada ao título mais importante.
França reafirma supremacia europeia
Os franceses demonstraram uma maturidade tática impressionante, combinando a experiência de veteranos como Griezmann com a explosividade de jovens talentos que despontaram nas últimas temporadas europeias. Desde os tempos de Michel Platini nos anos 80, não via uma seleção francesa tão bem estruturada taticamente e com tamanha profundidade de elenco. A forma como conseguiram alternar entre diferentes esquemas táticos durante os jogos, mantendo sempre o controle das partidas, revela um trabalho de base que remonta aos ensinamentos de Aimé Jacquet e que hoje encontra sua expressão máxima sob o comando técnico de Deschamps.
Brasil: evolução positiva, mas com interrogações históricas
Nossa Seleção Brasileira apresentou um saldo considerado positivo pelos especialistas, mas como veterano que acompanhou desde os tempos gloriosos de 1970 até os dissabores recentes, não posso deixar de fazer algumas ressalvas importantes. A história nos ensina que performances convincentes em amistosos nem sempre se traduzem em êxito nas competições oficiais - basta lembrarmos do Brasil de 2006, que chegou à Alemanha como favorito após excelentes apresentações preparatórias e acabou eliminado precocemente pelas quartas de final. O que vi nesta Data FIFA foi uma evolução clara no aspecto coletivo, uma melhora na dinâmica ofensiva que me lembrou vagamente os movimentos da Seleção de 2002, mas ainda falta aquela pegada decisiva que caracterizou nossas melhores gerações.
Os tropeços que revelam fragilidades
Enquanto algumas seleções brilhavam, outras mostraram fragilidades preocupantes que podem definir seus destinos no Mundial. Haiti e Escócia, duas seleções que enfrentarão desafios enormes na competição, não conseguiram conquistar uma única vitória sequer durante esta Data FIFA, resultado que me remete aos tempos em que acompanhava as eliminatórias sul-americanas dos anos 90, quando víamos claramente quais seleções chegavam despreparadas para os grandes torneios. A Escócia, em particular, apresentou um futebol defensivo e previsível que contrasta drasticamente com a tradição combativa que conheci nos anos 80, quando enfrentaram o Brasil em amistosos memoráveis.
Marrocos mantém solidez africana
Por outro lado, Marrocos terminou invicto esta Data FIFA, confirmando a solidez que já havia demonstrado na surpreendente campanha até as semifinais da Copa do Qatar em 2022. Como alguém que testemunhou a evolução do futebol africano desde os tempos pioneiros de Camarões em 1990, posso afirmar que os marroquinos representam hoje a mais consistente expressão do futebol do continente, combinando organização tática europeia com a tradicional garra africana que sempre admirei.
O panorama que se desenha para 2026 indica uma Copa do Mundo extremamente competitiva, onde as tradicionais potências europeias - lideradas por uma França em estado de graça - deverão enfrentar uma resistência cada vez mais organizada de seleções em ascensão. A história nos ensina que Copas do Mundo são decididas nos detalhes, e esta última Data FIFA nos ofereceu pistas valiosas sobre quem possui esses detalhes apurados. Como veterano que já viu oito Mundiais, arrisco dizer que raramente o futebol internacional esteve tão equilibrado e, ao mesmo tempo, tão imprevisível quanto se apresenta hoje.

