Roberto De Zerbi assumiu o Tottenham em janeiro com a missão de comandar uma reconstrução. O que encontrou foi um clube em queda livre: apenas cinco pontos conquistados em 2026, a pior defesa da Premier League no período (28 gols sofridos) e um ataque anêmico com somente 13 tentos marcados. A derrota por 1 a 0 para o Sunderland em sua estreia escancarou a dimensão da crise que transformou os Spurs no principal candidato ao rebaixamento.
O colapso dos números revela projeto fracassado
Os dados estatísticos pintam um retrato devastador da temporada do Tottenham. De acordo com o supercomputador da Opta, o clube aparece pela primeira vez como favorito à queda, com 49,1% de probabilidade de rebaixamento. O contraste com rivais diretos é gritante: enquanto o West Ham possui 39,3% de chances de cair e o Nottingham Forest apenas 10,1%, os Spurs acumulam a pior campanha defensiva e ofensiva do ano na elite inglesa.
A sequência de resultados desde janeiro expõe a fragilidade estrutural do elenco. Conforme levantamento do SportNavo, o Tottenham sofreu mais gols (28) do que marcou (13) em 2026, um saldo negativo de 15 tentos que explica a queda vertiginosa na tabela. Thomas Frank, ex-treinador do clube, havia comparado o time a "um superpetroleiro tentando virar", analogia que ganhou novo significado diante da incapacidade de reação.
Decisões de mercado custaram caro ao projeto
A atual situação resulta de uma série de escolhas equivocadas no mercado de transferências. O clube vendeu peças-chave como Harry Kane ao Bayern de Munique sem reinvestir adequadamente na reposição. A saída do artilheiro inglês, que marcou 280 gols em 435 jogos pelos Spurs, deixou um vazio ofensivo que as contratações posteriores não conseguiram preencher.
Simultaneamente, a defesa foi negligenciada durante as últimas janelas de transferências. A aposta em jogadores jovens e inexperientes para compor o setor defensivo se mostrou prematura diante da pressão de uma luta contra o rebaixamento. O resultado são os 28 gols sofridos em apenas dois meses de competição, média de mais de um gol por partida que inviabiliza qualquer pretensão de permanência na elite.
De Zerbi enfrenta incompatibilidade tática
O estilo de jogo proposto por Roberto De Zerbi, baseado em posse de bola e saída de jogo elaborada, parece inadequado para a situação desesperadora do Tottenham. O técnico italiano, conhecido pelo trabalho no Brighton, implementa um futebol ofensivo que demanda tempo para assimilação - luxo que o clube não possui com apenas algumas rodadas restantes.
A derrota na estreia contra o Sunderland evidenciou essa desconexão. O time tentou jogar desde a defesa, mas cometeu erros básicos que resultaram no gol sofrido. Enquanto rivais diretos como West Ham adotaram posturas mais pragmáticas, priorizando solidez defensiva e transições rápidas, os Spurs insistem em um modelo que não condiz com a urgência do momento.
"O time parece incapaz de competir. A confiança despencou, o ataque não funciona e a defesa acumula erros básicos", observou um analista tático em entrevista recente.
Cenário sombrio e poucas chances de recuperação
Com a temporada caminhando para o fim, as possibilidades de recuperação diminuem a cada rodada. O Leeds praticamente garantiu a permanência ao vencer o Manchester United fora de casa, reduzindo ainda mais as vagas disponíveis na elite. O West Ham também reagiu com vitória sobre o Wolverhampton, saindo momentaneamente da zona de rebaixamento e aumentando a pressão sobre os londrinos.
A análise do SportNavo indica que o Tottenham precisará de uma sequência quase perfeita nos jogos restantes para evitar o descenso inédito à Championship. O clube que disputava competições europeias regularmente agora luta pela sobrevivência no futebol inglês, cenário impensável há apenas dois anos.
O próximo compromisso dos Spurs será contra o Arsenal, no clássico do norte de Londres marcado para este sábado, em partida que pode definir matematicamente o rebaixamento caso os resultados não sejam favoráveis aos comandados de De Zerbi.

