O Ministério Público de São Paulo protocolou denúncia contra três ex-dirigentes do Corinthians nesta quinta-feira (16), formalizando investigação que pode revelar prejuízos milionários ao patrimônio alvinegro. As gestões sob suspeita comandaram o clube entre 2015 e 2020, período em que a dívida total saltou de R$ 180 milhões para R$ 400 milhões.

Gestões investigadas elevaram endividamento em 122%

Roberto de Andrade, Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves aparecem como alvos da investigação ministerial. Durante suas respectivas gestões, o Corinthians registrou crescimento exponencial do passivo financeiro. Em 2015, ano inicial do período investigado, o clube devia R$ 180 milhões aos credores.

O balanço patrimonial de 2019 mostrou dívida total de R$ 400 milhões, representando aumento de 122% no endividamento. O SportNavo apurou que contratos de patrocínio firmados neste período geraram receitas de R$ 35 milhões anuais com a Caixa Econômica Federal e R$ 25 milhões com a Nike.

Obras na Arena Corinthians consumiram R$ 820 milhões entre 2011 e 2014, mas refinanciamentos posteriores elevaram o custo total para R$ 1,2 bilhão. Juros e encargos financeiros representaram 18% das despesas operacionais do clube em 2019.

Contratações milionárias geraram prejuízo de R$ 85 milhões

Pedrinho custou R$ 18 milhões ao Corinthians em 2019, mas foi vendido ao Benfica por apenas R$ 20 milhões em 2020. Clayson chegou por R$ 15 milhões em 2018 e deixou o clube livre para o Cuiabá em 2021. Boselli recebeu salário de R$ 800 mil mensais durante 18 meses, totalizando R$ 14,4 milhões em vencimentos.

Júnior Urso foi contratado por R$ 12 milhões em 2019 e vendido ao Orlando City por R$ 8 milhões em 2021, gerando prejuízo de R$ 4 milhões na operação. Mateus Vital custou R$ 10 milhões aos cofres alvinegros em 2018 e foi emprestado ao Athletico-PR sem custos em 2022.

Segundo levantamento do SportNavo, as cinco contratações mais caras do período geraram prejuízo acumulado de R$ 85 milhões ao clube. Comissões de agentes representaram 8% do valor total das transferências, totalizando R$ 12,5 milhões em luvas pagas.

Impacto financeiro compromete orçamento atual

André Lara Resende, consultor financeiro especializado em futebol, avalia que decisões tomadas entre 2015 e 2020 comprometem diretamente o orçamento atual do Corinthians. O clube destina 35% da receita anual para pagamento de juros e amortização de dívidas contraídas no período.

"O endividamento excessivo limita a capacidade de investimento em contratações. O Corinthians paga R$ 8 milhões mensais apenas em juros de financiamentos herdados das gestões anteriores", explicou Resende em entrevista ao portal.

O orçamento de 2024 prevê receita de R$ 450 milhões, mas R$ 158 milhões estão comprometidos com pagamento de dívidas. Sobram R$ 292 milhões para custeio, folha salarial e investimentos em futebol. O teto salarial atual permite contratar jogadores com vencimentos máximos de R$ 300 mil mensais.

Consequências jurídicas podem gerar indenizações

A denúncia do MP-SP tramita na 2ª Vara Criminal de São Paulo sob responsabilidade do juiz Marcos Pimenta Silveira. Caso confirmadas as irregularidades, ex-dirigentes podem ser condenados a ressarcir prejuízos causados ao patrimônio corintiano através de ação de reparação civil.

O Corinthians possui seguro de responsabilidade civil que cobre até R$ 50 milhões em danos causados por má gestão de dirigentes. Valores superiores dependem de cobrança judicial direta aos responsáveis pelas decisões contestadas.

A próxima audiência está marcada para 28 de janeiro de 2025, quando serão ouvidas as primeiras testemunhas arroladas pela acusação. O processo deve durar entre 8 e 12 meses até sentença definitiva do magistrado.