Três coisas aconteceram na noite de terça no Gigante de Arroyito: um pênalti desperdiçado, um gol de bola parada e 10 pontos no Grupo H da Copa Libertadores. Tudo se explica daí.

A cena que o Gigante não queria ver

Alejo Véliz entrou na área pela direita, sentiu o contato e caiu. O árbitro Wilton Sampaio foi ao VAR e voltou apontando para o ponto de pênalti. Até aí, roteiro perfeito para o Rosario Central. O problema foi o que veio depois.

A cena que o Gigante não queria ver Di María errou o pênalti mas o Canalla n
A cena que o Gigante não queria ver Di María errou o pênalti mas o Canalla n

Ángel Di María, que carregava uma sequência de 17 cobranças convertidas consecutivas, bateu e viu Rodrigo Morínigo defender. No rebote, o arquero paraguayo fechou de novo. Dois toques, duas defesas, e o Gigante de Arroyito em silêncio.

"O Canalla não podia acreditar no duplo erro do campeão do mundo", registrou o portal Rosario3, que acompanhou a partida ao vivo.

Do ponto de vista das métricas de criação, a primeira etapa foi frustrante. O Libertad chegou a assustar mais do que o esperado para um time que perdeu as três partidas anteriores no grupo — o goleiro Jeremías Ledesma chegou a bater no travessão num tiro livre mal controlado, e Alexis Fretes obrigou uma defesa com os pés. O PPDA (passes permitidos por ação defensiva) do Central no primeiro tempo indicou um bloco paraguaio organizado, que compactou os espaços e dificultou as associações entre Campaz, Di María e Vicente Pizarro.

O que os números dizem sobre Di María em campo

O pênalti perdido vai virar meme, mas reduzir Di María a esse lance seria ignorar o que ele representa taticamente para o esquema de Jorge Almirón. Quando recebe entre as linhas, ele força o adversário a sair da estrutura defensiva — e isso abre espaço para os movimentos de Véliz pelo centro. Quando fica na faixa lateral direita, ele gera progressive passes (passes que avançam pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário) em volume acima da média da competição.

Quando Di María cai para receber de costas para o gol, ele funciona como pivô de ligação e acelera a saída de pressão do time. Quando conduz em direção à área, ele força dois marcadores e libera o corredor oposto — foi exatamente assim que Coronel ganhou espaço em algumas jogadas do segundo tempo.

A assistência para o gol de Ovando veio de um escanteio cobrado por ele. Não é uma assistência que aparece nos mapas de xA (expected assists), porque bola parada tem peso diferente nos modelos, mas é uma contribuição direta e concreta. O corner foi fechado, Ignacio Ovando empurrou na linha do gol aos 57 minutos, e o Gigante de Arroyito finalmente respirou.

"Uma pelota quieta destrabou tudo", descreveu o portal Instantes Compartidos, sintetizando a sensação de alívio que tomou conta do estádio.

Na avaliação do SportNavo, a performance coletiva do Central contra o Libertad foi abaixo do esperado para um líder de grupo, mas o resultado cumpriu o objetivo. O xG da partida provavelmente ficou baixo para os dois lados — poucas finalizações de qualidade, muita briga no meio-campo e um bloqueio defensivo paraguaio que funcionou até o momento em que a bola parada quebrou a resistência.

  • Gols: Rosario Central 1 (Ovando, 57') x Libertad 0
  • Pênalti perdido: Di María, defendido por Morínigo (1º tempo)
  • Pontuação do Central no Grupo H: 10 pontos em 4 jogos
  • Libertad: 4 derrotas em 4 jogos, já eliminado da fase de grupos

A classificação que ainda não veio — e quando pode vir

O roteiro para a classificação antecipada dependia de uma vitória do Independiente del Valle sobre a Universidad Central, em Caracas. Não foi o que aconteceu: os venezuelanos venceram o time equatoriano, o que impediu o Central de fechar a vaga nesta rodada.

Com 10 pontos, o Canalla lidera o Grupo H com folga. O Independiente del Valle aparece em segundo com 7 pontos, a Universidad Central tem 3 e o Libertad, zerado, já está fora. A matemática é simples: um empate na última rodada, em casa, contra os venezuelanos, garante a classificação do Central às oitavas de final.

Almirón ainda tirou Campaz no intervalo e colocou Enzo Copetti, que vinha em boa fase — uma mudança que pode ter sido tática ou física, e que o técnico deverá explicar nos próximos dias. O time ainda tem o clássico contra o Independiente pelo playoff do Torneo Apertura no domingo antes de voltar a pensar na Libertadores.

Em 27 de maio, quando o Gigante de Arroyito receber a Universidad Central na última rodada do Grupo H, saberemos se Di María levanta a taça de classificação ou se o Central precisará de mais um sufoco para fechar a conta.