Diogo Costa retorna ao Estádio do Dragão numa quinta-feira que pode definir sua carreira. O goleiro de 25 anos, que defendeu o Porto por seis temporadas antes da transferência para o Nottingham Forest em janeiro, enfrenta seu ex-clube nas quartas de final da Liga Europa 2025/26. Sua experiência tática pode ser decisiva para neutralizar o sistema ofensivo que ele mesmo ajudou a construir.
Legado defensivo no sistema portista
Costa participou de 187 partidas pelo Porto entre 2019 e 2025, mantendo 73 jogos sem sofrer gols. Sua compreensão da linha de pressão alta implementada por Sérgio Conceição permitiu ao clube português manter média de 1,2 gols sofridos por jogo na temporada passada. O goleiro dominava a saída de bola curta, completando 78% dos passes longos para iniciar transições ofensivas rápidas.
A movimentação dos laterais João Mário e Zaidu Sanusi em apoio ofensivo era coordenada com as orientações constantes de Costa. Ele antecipava cruzamentos ao primeiro poste, reduzindo em 32% as finalizações adversárias na área nos últimos dois anos de Dragão.
"Diogo conhece cada movimento dos nossos atacantes. Será estranho vê-lo do outro lado", admitiu o zagueiro Pepe em entrevista coletiva na terça-feira.
Adaptação tática no Forest
Nuno Espírito Santo escalou Costa como titular em 11 dos 14 jogos desde sua chegada. O português mantém 64% de defesas na Liga Europa, superando sua média de 59% no Porto. Sua distribuição mudou drasticamente - no Forest, 43% dos passes são longos, contra 28% no clube português.
A compactação defensiva do Forest beneficia-se da experiência de Costa contra ataques diretos. Morgan Gibbs-White e Callum Hudson-Odoi recebem orientações constantes sobre posicionamento para transições, algo que Costa aperfeiçoou observando Otávio e Pepê no Porto.
Segundo apuração do SportNavo, Costa estudou 47 vídeos de jogos recentes do Porto para identificar padrões na movimentação de pivôs como Taremi e Evanilson. Essa preparação específica pode neutralizar as jogadas de bola parada, especialidade portista com 18 gols marcados nesta temporada.
Pressão emocional do reencontro
A torcida do Porto planeja homenagem para Costa antes do apito inicial, reconhecendo seus serviços ao clube. Porém, a pressão de defender contra antigos companheiros pode afetar sua concentração nos primeiros 15 minutos, período crítico onde o Porto marca 31% de seus gols.
Costa enfrentará Mehdi Taremi, seu parceiro de treino por três anos. O iraniano conhece as tendências do goleiro em cobranças de pênalti - Costa defendeu apenas 2 das 13 penalidades enfrentadas no Porto, sempre mergulhando para o lado direito em chutes centralizados.
"Será emotivo, mas minha responsabilidade agora é com o Forest", declarou Costa ao site oficial do clube inglês na segunda-feira.
Impacto tático no confronto decisivo
O conhecimento de Costa sobre a pressão alta portista permite ao Forest estabelecer saída de bola mais elaborada. Sua experiência contra o 4-4-2 híbrido de Conceição pode orientar Nuno Espírito Santo na definição das linhas de passe para Chris Wood e Taiwo Awoniyi.
O Forest chega ao confronto invicto há oito jogos, com posse média de 48% - inferior aos 57% do Porto. Costa pode compensar essa desvantagem antecipando-se aos cruzamentos de João Mário, movimento que executou 124 vezes na última temporada pelo clube português.
O duelo de quinta-feira, às 17h (horário de Brasília), pode coroar a metamorfose de Costa de ídolo portista a algoz. Sua performance determinará se o Nottingham Forest avança às semifinais pela primeira vez desde a era dourada dos anos 1970, quando conquistou duas Champions League consecutivas.

